Após descoberta de regalias na cadeia de Mogi, Milton Leite é transferido para presídio
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Por Agência Estado
O ex-vereador Milton Leite (União Brasil) e ex-presidente da Câmara paulistana foi transferido na manhã desta terça-feira, 20, para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos, na Grande São Paulo, para cumprir regime de prisão temporária imposto a ele na Operação Vectura Corrupta – investigação que o liga a um esquema do PCC no transporte público da capital paulista.
A remoção foi realizada por ordem judicial, que acatou pedido do Ministério Público estadual, após a descoberta de regalias supostamente concedidas a Milton Leite na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, onde ele estava recolhido desde 18 de setembro.
Milton Leite afirma ser inocente. Em depoimento à Polícia, ele disse que nunca financiou ou deu apoio ao PCC. Seus advogados, os criminalistas Aloísio Lacerda Medeiros e Rodrigo Araújo, sustentam que ele “não recebe e nunca recebeu qualquer tipo de regalia ou tratamento diferenciado” na cadeia de Mogi.
Inicialmente, a prisão de Milton Leite foi decretada pelo prazo de trinta dias (temporária). Na semana passada, o juiz Nelson Augusto Bernardes de Souza, da Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores, prorrogou por mais 30 dias a permanência do ex-vereador na prisão.
Nelson Augusto considerou que a custódia temporária do ex-vereador e de outros 12 investigados da Operação Vectura Corrupta “mostra-se indispensável para resguardar a integridade das fontes de prova digital contra manipulação, descarte ou destruição externa”.
Para o juiz, a “soltura prematura dos investigados antes da conclusão das extrações lógicas e físicas poderia ensejar o risco concreto de acionamento de comandos remotos de segurança, revogação de chaves criptográficas, desconexão forçada de sessões ativas e eliminação remota (remote wipe) de informações, diálogos e backups arquivados em servidores e plataformas virtuais em nuvem (cloud)”.
Fluxo incessante
Na sexta,16, uma força-tarefa de promotores do Gaeco – braço do Ministério Público que enfrenta o crime organizado – e da Corregedoria da Polícia Civil fez uma blitz na Cadeia de Mogi e apontou mordomias de Milton Leite, inclusive refeições fora da prisão.
Segundo a Promotoria, havia um “fluxo incessante” de visitantes, muitos deles sem qualquer vínculo familiar com o ex-vereador, “completamente destoante das suas condições de custodiado, entre outras regalias incompatíveis com o cárcere”.
O Estadão apurou que, há cerca de duas semanas, foi instalada uma câmera de vídeo em frente à cadeia para monitoramento do local.
Relatório Técnico de Análise Preliminar indica que Milton Leite recebeu visitas de políticos, entre deputados e prefeitos aliados, e muitos amigos fora dos dias e horários permitidos, inclusive à noite e aos finais de semana, além de outras regalias.
Tudo teria sido facilitado pelo carcereiro Jaércio da Cunha Braga, segundo suspeita o Ministério Público. Foram realizadas diligências de campo com o apoio de policiais disfarçados nos dias 8 e 9 de outubro. Com as primeiras descobertas, a Promotoria instaurou Procedimento Investigatório Criminal (PIC).
No sábado, 17, o delegado-geral de Polícia, Artur Dian, determinou o afastamento do carcereiro e de outros quatro policiais, inclusive da delegada seccional de Mogi, Margarete Barreto.
O Estadão busca contato com a defesa de Braga. O espaço está aberto.
Veja o que diz a defesa da delegada Margareta Barreto:
Os criminalistas Aristides Zacarelli Neto e Pedro Martins de Oliveira Reis afirmam que a delegada Margarete Barreto “não concedeu, não autorizou nem teve conhecimento de qualquer regalia ou privilégio ao ex-vereador Milton Leite durante o cumprimento de prisão temporária na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes”.
“A delegada compareceu espontaneamente à Corregedoria da Polícia Civil sábado (17) para prestar depoimento e esclarecer sua atuação”, destacam os advogados. “Com mais de 30 anos de serviços prestados à Polícia Civil de maneira idônea e eficiente, a delegada sempre esteve à disposição para colaborar com as autoridades, tanto policiais quanto do Ministério Público do Estado de São Paulo.”