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Dólar recua com ajustes à espera de eleição em dia positivo para divisas da AL

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“O real se recupera hoje nesta segunda junto com os pares.

Por Agência Estado

Em pregão morno, o dólar apresentou queda moderada frente ao real nesta segunda-feira, 19, após ter encerrado a semana passada com ganhos de 1,77%. Sem a percepção de um vencedor claro no debate presidencial, na noite de domingo, ou uma mudança na configuração da corrida ao Palácio do Planalto, investidores apenas ajustaram posições, em dia marcado por valorização das divisas latino-americanas.

“O real se recupera hoje nesta segunda junto com os pares. O debate de domingo foi considerado um empate técnico. O mercado vai se movimentar apenas se as pesquisas andarem de forma expressiva para um lado ou para o outro”, afirma o diretor da tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt.

Levantamento BTG Nexus, divulgado pela manhã, mostrou estreitamento da diferença entre candidatos, mas com Flávio Bolsonaro numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em quadro de empate técnico (46,5% contra 45,9%). Sondagem Atlas/Bloomberg traz o candidato do PL com 49,8%, ante 47,6% do petista.

“O recuo do diferencial de votos em novas pesquisas não surpreende. A menor aversão ao risco no exterior e a valorização das moedas emergentes mantêm o dólar abaixo de R$ 5,07”, afirma o economista-chefe da Bravonte Capital, Eduardo Velho.

Sem indutores mais fortes para os negócios, o dólar oscilou pouco mais de dois centavos entre a mínima e a máxima e fechou cotado a R$ 5,0481, em queda de 0,50%. A moeda americana recua 2,45% em outubro, graças, sobretudo, à desvalorização superior a 4% na semana após o primeiro turno da eleição. No ano, as perdas são de 8,03%.

“O clima é de cautela. Parte do mercado já trabalha com a vitória de Flávio, mas quer saber se o discurso de responsabilidade fiscal sobrevive às promessas de campanha”, afirma Gustavo Trotta, especialista e sócio da Valor Investimentos.

Weigt, do Travelex Bank, vê um “cenário assimétrico” para a taxa de câmbio no período imediatamente posterior ao desfecho da corrida presidencial. “Tem mais para piorar com a vitória de Lula do que para melhorar com a vitória de Flávio”, afirma o tesoureiro. “A partir daí, vai depender das medidas fiscais que um ou outro puder anunciar.”

Para a sócia-fundadora da Convex Research, Thaise Saeter Rytenband, o nível da taxa de câmbio já reflete a perspectiva de maiores chances de vitória de Flávio. “Diante de uma vitória de Lula, teríamos a desmontagem de posições de muitos investidores que apostam na valorização do real. Esse é o problema”, afirma.

Lá fora, o índice DXY – referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes – subia 0,15% por volta das 17h, aos 101,985 pontos, acumulando alta de cerca de 0,50% em outubro. As taxas dos Treasuries avançaram, sem, contudo, abalar o apetite por divisas emergentes.

Após muita volatilidade, em meio às tensões no Oriente Médio e ao alívio das sanções americanas contra a Rússia, o petróleo terminou a sessão regular em leve baixa. O contrato do Brent para dezembro recuou 0,28%, a US$ 109,55 o barril.

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