Ibovespa sobe nesta sexta com Petrobras, mas cai 1,7% na semana com cautela eleitoral
Publicado em
Por Agência Estado
Em uma semana marcada pelo aumento da cautela dos investidores com o cenário eleitoral no Brasil, o Ibovespa acumulou uma queda de 1,74%, embora ainda se sustentando acima da importante faixa dos 200 mil pontos. O acirramento da disputa entre Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT) segue motivando o mercado a adotar uma postura mais defensiva, que se traduziu em uma correção para o principal índice da B3 nas últimas sessões.
No período da tarde desta sexta-feira, 16, o Ibovespa ganhou relativa força e encerrou com alta de 0,54%, aos 205.430,33 pontos, puxado principalmente pela forte valorização das ações da Petrobras, que foi, por sua vez, amparada pelo avanço do petróleo.
O contrato do Brent para dezembro já se aproxima dos US$ 110 o barril, diante dos receios com a oferta global da matéria-prima em meio às hostilidades persistentes no Mar Vermelho e no Estreito de Ormuz. Como a estatal é a empresa de maior peso do Ibovespa, ele se descolou do tombo das bolsas americanas.
No mês, o índice ainda acumula uma alta firme de 10,24% e, no ano, sobe 27,5%. O giro financeiro do dia foi inferior à média, em R$ 29 bilhões.
O sócio e gestor da Asset da Galapagos Capital, Jorge Dib, vê uma combinação de fatores externos e domésticos no pregão, mas considera a eleição predominante na formação dos preços no curto prazo. A composição do Ibovespa também ajuda a limitar o contágio da queda das ações de tecnologia no exterior.
Na semana, Dib relaciona a correção à redução da vantagem de Flávio ante Lula apontada pelas pesquisas eleitorais após a forte reação do mercado ao primeiro turno. “O mercado se animou no primeiro turno e subiu bem. Esta semana foi pautada pelas pesquisas fechando o ‘gap’ entre os candidatos, e o mercado devolveu um pouco dos ganhos. Há uma expectativa de como se posicionar para o segundo turno.”
A economista, sócia e advisor da Blue3 Investimentos, Bruna Centeno, destaca que a Petrobras funcionou como suporte importante para o Ibovespa nesta sexta-feira, 16, acompanhando a forte alta do petróleo. Para o restante do mercado, porém, o encarecimento da commodity representa um vetor menos favorável por seus potenciais efeitos sobre inflação e juros.
“Petrobras segura o índice e ajuda muito no desempenho, que é muito mais influenciado pelo setor do que por uma melhora para o mercado em si. Olhando para a macroeconomia, essa volta do contrato de petróleo para patamares elevados não é interessante”, diz.
No ambiente doméstico, Bruna afirma que os investidores estão recalculando o impacto fiscal dos diferentes cenários eleitorais à medida que surgem novas propostas e pesquisas. Nesta semana, o governo realizou anúncios importantes às vésperas do segundo turno, como no caso do perdão de dívidas dos microempreendedores individuais (MEIs) à União, a extensão do pé-de-meia para universitários e o anúncio de fim de tarifas de transporte urbano nos fins de semana e feriados no Brasil.
“É como se o mercado fizesse uma conta todos os dias: se o cenário ‘X’ se concretizar, quanto vai pesar no fiscal? Se for o contrário, qual a probabilidade de não se concretizar? O que vai dar esse tom são as pesquisas, que vão pesar de um lado ou de outro desse balanço e fazer esse sobe e desce”, afirma Centeno.
O head da mesa de renda variável e sócio da AW Capital, Lucas Xavier, também vê o noticiário político comandando os ajustes recentes. “O mercado nos últimos pregões tem respondido a qualquer atualização no cenário político. Como nesta semana vimos o favoritismo do Flávio diminuir um pouco, percebemos o mercado ajustando as probabilidades de ajuste fiscal naturalmente através dos preços.”