Até quando o brasileiro vai apanhar e continuar acreditando nas promessas de Lula?
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Por Redação CGN
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Editorial – Imagine uma mulher que vive com um homem que a agride.
Na primeira vez, ele pede desculpas. Diz que perdeu a cabeça, que não sabe o que aconteceu, que está profundamente arrependido e que jamais voltará a fazer aquilo.
Ela acredita. Afinal, todo mundo merece uma segunda chance.
Mas a segunda agressão acontece.
Depois vem a terceira. A quarta. A quinta.
Com o passar do tempo, o agressor já não pede desculpas. Não demonstra arrependimento. Simplesmente agride porque sabe que, no dia seguinte, tudo continuará como antes.
A mulher, que inicialmente acreditava estar diante de um episódio isolado, começa a conviver com o sofrimento como se aquilo fosse parte natural da vida.
Os anos passam. O casal constitui família, tem filhos, constrói uma história. Mas as agressões continuam.
Até que um dia ela reúne coragem e anuncia que vai embora.
É nesse momento que o agressor revela outra face da violência. Além das agressões físicas, começam as ameaças psicológicas.
Ele diz que vai tirar os filhos dela. Que ela não conseguirá sobreviver sozinha. Que passará fome. Que ninguém mais vai ajudá-la. Em situações extremas, chega a ameaçar sua vida.
A mulher fica com medo.
E, por medo, permanece.
Essa é uma realidade dolorosa vivida por inúmeras mulheres brasileiras. A violência doméstica é um crime grave, e nenhuma vítima deve ser responsabilizada pela dificuldade de romper uma relação abusiva.
Mas também existem histórias de mulheres que, com apoio e proteção, conseguiram se libertar.
Muitas, ao reconstruírem a própria vida, descobrem possibilidades que antes pareciam impossíveis.
E algumas fazem uma reflexão: quanto sofrimento poderia ter sido evitado se tivessem encontrado condições de sair daquela situação antes?
O que essa história tem a ver com o Brasil?
A comparação que propomos é uma metáfora política, não uma equiparação entre divergências eleitorais e violência doméstica.
Mas ela ajuda a ilustrar um comportamento que merece reflexão: por que continuamos acreditando nas mesmas promessas, mesmo quando estamos insatisfeitos com os resultados?
Há brasileiros que defendem governos independentemente dos resultados que eles entregam. Acreditam em promessas, justificam erros, aceitam explicações e renovam a confiança na expectativa de que o futuro finalmente será diferente.
É nesse contexto que precisamos falar sobre Lula.
O presidente e o Partido dos Trabalhadores tiveram um longo período de protagonismo na administração do Brasil. Não estamos falando de um político desconhecido, que nunca teve oportunidade de mostrar suas ideias.
Estamos falando de alguém que já governou, voltou ao poder e conhece profundamente a máquina pública.
Portanto, é legítimo perguntar: por que tantas soluções anunciadas agora não foram implementadas anteriormente?
Até quando o brasileiro deverá esperar?
Cadê a picanha que prometeram?
Voltemos à eleição de 2022.
Naquela campanha, Lula associou seu retorno ao poder à recuperação do poder de compra dos brasileiros. A picanha e a cerveja se transformaram em símbolos dessa promessa de prosperidade.
A mensagem era simples: o brasileiro voltaria a viver melhor.
Quatro anos depois, a pergunta precisa ser feita.
Você está comendo melhor?
Está conseguindo viajar mais?
Está comprando as roupas que gostaria?
O seu salário está sobrando no fim do mês?
Quando vai ao supermercado, consegue colocar no carrinho tudo aquilo que sua família precisa sem ficar somando os preços?
E a famosa picanha? Tornou-se presença habitual na sua mesa?
É verdade que a realidade econômica não é igual para todos. Existem famílias que melhoraram suas condições e outras que continuam enfrentando enormes dificuldades.
Mas o eleitor tem o direito de confrontar a propaganda eleitoral com a realidade da própria casa.
Não basta apresentar números, discursos e campanhas publicitárias.
O brasileiro precisa perceber a melhora na vida cotidiana.
Porque prosperidade não é aquilo que o governo diz que você tem. É aquilo que você efetivamente consegue comprar, consumir, economizar e construir.
A escala 6×1 e as soluções que aparecem em época de eleição
Agora temos outro exemplo que merece atenção.
O fim da escala de trabalho 6×1, aprovado pelo Senado em 14 de outubro, voltou ao centro do debate político justamente durante a disputa presidencial.
Antes de tudo, é necessário reconhecer: todo trabalhador merece descanso, condições dignas de trabalho e tempo para viver com a família.
Essa discussão é legítima.
Mas isso não significa que toda proposta apresentada em nome dos trabalhadores esteja automaticamente livre de consequências econômicas.
A redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial, poderá exigir adaptações significativas de empresas, especialmente daquelas que possuem margens pequenas e dependem de funcionamento contínuo.
Quem pagará essa conta?
O empresário poderá absorver integralmente os novos custos? Contratará mais funcionários? Reduzirá suas margens? Ou transferirá parte das despesas para os preços?
Entidades empresariais alertam para riscos de inflação e perda de competitividade. Outros estudos apontam efeitos menores e possíveis benefícios econômicos e sociais.
Portanto, ninguém pode afirmar com certeza que a mudança necessariamente provocará uma explosão nos preços. Mas também seria irresponsável ignorar os riscos.
O trabalhador merece descanso. E merece, igualmente, um salário que preserve seu poder de compra.
De que adianta conquistar mais tempo livre se o supermercado, os serviços e as despesas da família se tornarem proporcionalmente mais caros?
A discussão precisa ser econômica e social, não apenas eleitoral.
E existe uma pergunta política inevitável: por que uma transformação dessa importância ganha tamanho protagonismo justamente na reta final de uma eleição?
Não é razoável exigir que o cidadão examine também a conveniência eleitoral das decisões do governo?
Enquanto o cidadão conta moedas, o governo paga a conta das viagens
Existe ainda uma questão que simboliza a distância entre o discurso político e a realidade de boa parte da população.
As despesas do poder público.
Em março de 2026, uma reportagem do Metrópoles, baseada em informações obtidas junto ao Itamaraty, revelou que as hospedagens das delegações chefiadas por Lula em viagens internacionais custaram aproximadamente R$ 19,9 milhões em 2025.
É importante esclarecer que esse montante corresponde às delegações, e não exclusivamente às acomodações pessoais do presidente.
Viagens oficiais podem ser necessárias para representar o Brasil e conduzir negociações internacionais.
Mas necessidade diplomática não elimina a obrigação de transparência, responsabilidade e moderação nos gastos.
Enquanto milhões de brasileiros precisam escolher entre pagar uma conta e comprar determinado alimento, qualquer despesa pública elevada merece fiscalização.
O dinheiro do governo não surge por mágica.
Ele vem da sociedade.
Vem dos impostos que incidem sobre o consumo, a renda, os serviços e a atividade econômica.
Cada real desperdiçado pelo poder público é um recurso que poderia ter sido utilizado de maneira mais eficiente.
E é justamente por isso que responsabilidade fiscal não deveria ser uma bandeira exclusiva da direita ou da esquerda.
Deveria ser uma obrigação de qualquer governante.
O medo de mudar também tem um preço
Voltamos, então, à história do início deste editorial.
Quando alguém se acostuma a uma realidade ruim, a possibilidade de mudança pode parecer mais assustadora do que a própria situação em que vive.
Na política, algo semelhante acontece quando o cidadão deixa de avaliar resultados e passa a defender um governante por fidelidade pessoal ou partidária.
Surge o medo de que qualquer alternativa seja necessariamente pior.
O medo de perder benefícios.
O medo de enfrentar dificuldades.
O medo do desconhecido.
Mas a democracia existe justamente para que nenhum governante se torne indispensável.
O presidente da República não é dono do Brasil.
Não é dono dos programas sociais.
Não é dono do dinheiro público.
E muito menos é dono da consciência dos eleitores.
Programas sociais são políticas públicas financiadas pela sociedade. Não deveriam ser tratados como favores pessoais de quem ocupa temporariamente o poder.
Da mesma forma, nenhuma mudança de governo garante, por si só, prosperidade. Uma alternativa política também precisa apresentar propostas viáveis, responsabilidade fiscal e capacidade administrativa.
É preciso cobrar resultados de todos.
Você não deve fidelidade a quem administra o seu dinheiro
Talvez o maior equívoco que um cidadão possa cometer seja acreditar que deve gratidão eterna a um político.
Não deve.
Políticos são eleitos para servir à população, não para serem servidos por ela.
O dinheiro administrado em Brasília pertence, em última análise, aos brasileiros.
É fruto do trabalho de quem acorda cedo, enfrenta o trânsito, abre uma empresa, atende clientes, trabalha no comércio, na indústria, no campo e nos serviços.
Esse dinheiro precisa ser administrado com seriedade.
Não pode ser instrumento de propaganda permanente nem de estratégias voltadas exclusivamente à manutenção do poder.
Por isso, independentemente da preferência partidária, todo brasileiro deveria fazer uma pergunta muito simples:
Minha vida melhorou tanto quanto prometeram?
Se a resposta for negativa, é preciso exigir explicações.
E, se as explicações não convencerem, é perfeitamente legítimo procurar uma alternativa.
Não existe democracia saudável quando o eleitor acredita que deve continuar escolhendo o mesmo governante para sempre.
O Brasil não precisa de mais promessas
Há uma diferença enorme entre esperança e conformismo.
Esperança é acreditar que o futuro pode ser melhor e trabalhar para construí-lo.
Conformismo é aceitar indefinidamente aquilo que não funciona, apenas porque alguém promete que um dia tudo vai mudar.
Lula teve oportunidades de governar e apresentar seu projeto de país. Seus resultados devem ser examinados com rigor, assim como os resultados de qualquer outro presidente.
Não basta dizer que a vida vai melhorar.
É preciso explicar como.
Não basta prometer mais benefícios.
É preciso demonstrar de onde virá o dinheiro e quais serão as consequências.
Não basta anunciar medidas populares.
É preciso garantir que sejam sustentáveis.
O brasileiro merece mais do que discursos emocionantes, promessas recicladas e soluções anunciadas às vésperas de uma eleição.
Merece um país onde trabalhar signifique prosperar. Onde o salário tenha poder de compra. Onde empreender não seja uma batalha diária contra a burocracia. Onde o dinheiro público seja respeitado.
E, acima de tudo, onde o cidadão compreenda que o futuro não está nas mãos de um único homem.
A mulher da história que abriu este editorial precisava de segurança, proteção e apoio para reconstruir a própria vida. Sua situação não pode ser reduzida a uma simples escolha.
O eleitor, por sua vez, possui na democracia um instrumento fundamental para exigir mudanças: o voto.
E deve utilizá-lo com independência.
Porque nenhum político merece confiança incondicional.
Nenhum partido é proprietário do futuro.
E nenhuma promessa vale mais do que a realidade.
A pergunta que fica é: quantas vezes um governante precisa repetir a mesma promessa para que o brasileiro comece a cobrar resultados em vez de acreditar que, desta vez, tudo será diferente?