Mulher rural: põe comida na mesa, mas ainda precisa brigar pelo próprio pedaço de terra
Publicado em

Por Redação
Quem olha para a mesa farta talvez não imagine quantas mãos foram necessárias para a comida chegar até ali. Neste 15 de outubro, Dia Internacional das Mulheres Rurais, a homenagem vai para quem planta, colhe, cria animais, administra propriedades e sustenta comunidades. E também para quem ainda precisa lutar por reconhecimento em um trabalho essencial.
Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), as mulheres representam 42% da força de trabalho dos sistemas agroalimentares no mundo. Mesmo assim, continuam enfrentando desigualdades no acesso à terra, ao crédito e à tecnologia. Em empregos assalariados nesses sistemas, elas recebem, globalmente, cerca de 78 centavos para cada dólar pago aos homens.
E tem mais: a jornada não termina necessariamente quando o trabalho na propriedade acaba. A FAO estima que as mulheres dedicam, em média, 4,2 horas por dia ao trabalho doméstico e de cuidados não remunerado, contra 1,9 hora dos homens. É trabalho que mantém famílias funcionando, mas nem sempre aparece na conta, no contrato ou no reconhecimento profissional.
Celebrar as mulheres rurais é reconhecer sua importância para a produção de alimentos e para a economia, mas também defender condições justas, acesso a oportunidades e participação nas decisões. Porque elogio é bom, homenagem é bonita, mas respeito de verdade também precisa aparecer na divisão do trabalho, na renda e nos direitos.