Hezbollah vai indenizar proprietários de casas destruídas no Líbano durante a guerra com Israel
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Por Agência Estado
O grupo xiita libanês Hezbollah pagará até US$ 14.000 para famílias que tiveram suas casas no Líbano destruídas ou que se tornaram inabitáveis durante a guerra com Israel, afirmou nesta terça-feira, 13, o chefe do Conselho Executivo do grupo.
Em uma coletiva de imprensa, o chefe do Conselho Executivo do Hezbollah, Ali Daamoush, acusou o Estado libanês de não cumprir suas obrigações de ajudar os deslocados.
Ele afirmou que as famílias que perderam suas casas em Beirute e nos subúrbios do sul do Líbano receberiam US$ 14.000 cada, enquanto as de outras partes do país receberiam US$ 12.000. Cada pagamento inclui US$ 8.000 para mobília, e o restante é destinado ao pagamento do aluguel.
Daamoush não informou quantas famílias seriam beneficiadas nem o valor total dos pagamentos. O dinheiro provavelmente vem do Irã, que forneceu bilhões de dólares e armas ao Hezbollah ao longo de décadas.
A iniciativa parece ter como objetivo reforçar o apoio entre a base do grupo militante e partido político apoiado pelo Irã e desafiar o governo libanês e os Estados Unidos, que têm procurado cortar o financiamento do Hezbollah.
A conferência de imprensa foi a primeira do grupo sobre estes pagamentos desde as duas últimas guerras com Israel, que vitimaram mais de 8.000 pessoas e destruíram dezenas de milhares de casas no Líbano.
Nos últimos anos, os Estados Unidos intensificaram as sanções contra indivíduos e instituições que, segundo Washington, o Hezbollah utiliza para canalizar dinheiro para o Líbano. Voos do Irã para o país estão proibidos há quase dois anos como parte dos esforços para pressionar o grupo.
A guerra mais recente começou quando o Hezbollah lançou foguetes contra Israel no início de março, dois dias depois de os EUA e Israel terem declarado guerra ao Irã. Israel lançou uma invasão terrestre, capturando dezenas de vilarejos e cidades libanesas ao longo da fronteira, antes que um cessar-fogo mediado pelos EUA pusesse fim ao conflito no final de junho.
Cerca de 1,2 milhão de pessoas foram deslocadas no Líbano no auge da guerra. A maioria retornou para casa desde o cessar-fogo, mas mais de 300 mil permanecem deslocadas, segundo a Organização Internacional para as Migrações (IOM).
Um esboço de acordo assinado pelo Líbano, Israel e Estados Unidos em Washington, em 26 de junho, compromete o Líbano e os EUA a impedir que fundos de reconstrução cheguem a entidades ou indivíduos afiliados a grupos armados não estatais e a tomar as medidas legais cabíveis para proibir suas atividades.
Segundo o acordo, as forças israelenses deveriam se retirar gradualmente do sul do Líbano e entregar o controle ao exército libanês, enquanto o Hezbollah deveria ser desarmado, mas a implementação está paralisada.
O Hezbollah rejeitou os acordos alcançados no início deste ano, após raras negociações diretas em Washington e Roma entre o Líbano e Israel, que oficialmente ainda permanecem em estado de guerra.
O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Tommy Pigott, disse ao veículo de notícias libanês This is Beirut na semana passada que o dinheiro prometido pelo Hezbollah não existe. Se o dinheiro estivesse no Irã, acrescentou, “não seria possível entregá-lo ao Hezbollah devido aos nossos esforços para isolar o regime iraniano de seus grupos terroristas”.
*Com tradução de Gabriel Barros.