Risco: a água pode encobrir ou destruir a estrutura turística das Cataratas? Entenda a cheia
Publicado em

Por Luiz Haab
Atualizado em
A força da água impressiona, chega a dar um frio na espinha e desperta uma dúvida: até onde as estruturas das Cataratas do Iguaçu conseguem resistir à cheia? Com o aumento da vazão, passarelas mais baixas podem ser alcançadas ou encobertas pelo rio (isso, porém, não significa que estejam prestes a desabar). No cenário atual, as informações divulgadas apontam para medidas preventivas, sem confirmação de rompimento iminente.
Nesta terça-feira (13), as grades de proteção da passarela do lado brasileiro foram retiradas como parte do protocolo de segurança. O acesso está interditado desde domingo (11). Uma atualização publicada nesta terça informou vazão de 10,5 milhões de litros por segundo, equivalente a sete vezes a média habitual de 1,5 milhão. O número corresponde ao registro divulgado naquele momento e pode variar ao longo do dia.
Números da História
A maior vasão já registrada nas Cataratas do Iguaçu foi em 2014, com 46 milhões de litros por segundo. A cheia mais recente que levou à interdição das passarelas foi em 2023, com 24 milhões de litros por segundo (foi a 3ª maior vasão da História). Ainda assim, o famoso mirante foi encoberto.
E por que retiurar as grades?
A retirada das grades tem uma explicação que pode surpreender: durante a cheia, elas podem dificultar a passagem da água e de materiais carregados pela correnteza, como galhos e troncos. A desmontagem preventiva permite que esse fluxo encontre menos obstáculos e ajuda a reduzir o risco de danos à passarela. Portanto, a remoção é uma ação de proteção, e não uma evidência de que a estrutura tenha cedido ou já sido prejudicada.
Mas a água pode realmente destruir uma passarela?
O histórico das Cataratas mostra que sim, em cheias extraordinárias. Segundo o governo argentino, a elevação do Rio Iguaçu em outubro de 2023 destruiu 90% das passarelas do circuito Garganta do Diabo e o balcão de observação daquele lado da fronteira. A recuperação exigiu obras, e o circuito foi reaberto em julho de 2024. O episódio ocorreu na Argentina e não permite prever o mesmo desfecho para as estruturas brasileiras na cheia atual.
Outra diferença importante é que o limite para permitir visitantes não deve ser interpretado como um limite de resistência da construção. O protocolo divulgado pelo parque brasileiro condiciona a reabertura à redução da vazão, à ausência de previsão de nova alta e à avaliação técnica. A preocupação é impedir que o público fique exposto a condições perigosas antes que a situação se agrave.


Por enquanto, a conclusão é de atenção e monitoramento: há possibilidade de a cheia atingir estruturas mais expostas, mas não foi encontrada, nas informações consultadas pela reportagem, confirmação de risco iminente de colapso. A reabertura das áreas interditadas dependerá das condições do rio e da avaliação das equipes responsáveis pela segurança do parque.