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Como idoso de 71 anos sobreviveu a 200 ferroadas de abelha em Cascavel? Entenda

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Homem de 71 anos foi socorrido após encontrar enxame em área de mata; múltiplas ferroadas podem provocar intoxicação grave mesmo em pessoas sem reação alérgica
Como idoso de 71 anos sobreviveu a 200 ferroadas de abelha em Cascavel? Entenda

Por Luiz Haab

Atualizado em

Pouco antes do meio-dia desta quinta-feira (8), um homem de 71 anos saiu para observar a mata ao lado de casa e planejar a limpeza do terreno, em um sítio no Bairro Pioneiros Catarinenses, em Cascavel. Ao pisar em uma madeira e se aproximar de galhos, foi atacado e perseguido por um enxame de abelhas. Minutos depois, já dentro da residência, apresentava dificuldade para respirar e caiu no chão de um quarto durante o atendimento.

O homem foi socorrido pelo Siate e encaminhado à UPA Tancredo. Até a conclusão da apuração, não haviam sido informados o número de ferroadas, o diagnóstico médico nem a previsão de alta.

O episódio chama a atenção para dois mecanismos distintos que podem tornar um ataque de abelhas fatal: a reação alérgica ao veneno e a intoxicação provocada por uma grande quantidade de ferroadas. Embora possam produzir manifestações semelhantes, essas condições têm origens diferentes — e a ausência de alergia não elimina o risco de um ataque em massa.

Deuclides Gomes, amigo da vítima, estava na propriedade para ajudar na organização do local. Segundo ele, nenhum dos dois havia percebido a presença das abelhas. Enquanto o proprietário caminhava pelo terreno, Deuclides permanecia na cozinha, lavando a louça depois de preparar café.

“Quando ele gritou, eu vi que estava aquele enxame por cima dele”, contou.

Ao perceber o ataque, Deuclides correu para ajudar. Buscou casacos e os utilizou para cobrir o amigo enquanto o orientava a se afastar. Segundo seu relato, as abelhas foram deixando a vítima à medida que ela saía da área. O Siate foi acionado, e os socorristas deram continuidade ao atendimento dentro da casa, onde o homem estava protegido do enxame.

Deuclides relatou que as abelhas voltaram para perto da mata. Ele as descreveu como do tipo “Europa”, associado à produção de mel, mas a identificação não foi confirmada por especialistas.

A reação coletiva tem uma explicação biológica. De acordo com o Ministério da Saúde, ao ferroar, abelhas podem liberar sinais químicos que estimulam outras a atacar o mesmo alvo. Esse mecanismo de defesa ajuda a explicar por que a aproximação de uma colônia pode resultar em numerosas picadas em pouco tempo.

No organismo humano, as consequências dependem tanto da sensibilidade ao veneno quanto da quantidade injetada. Em pessoas alérgicas, uma única ferroada pode desencadear anafilaxia, reação grave capaz de comprometer a respiração e provocar queda acentuada da pressão arterial.

Nos ataques com múltiplas ferroadas, há também o risco de toxicidade direta. A carga de veneno pode causar lesões musculares, conhecidas como rabdomiólise, e lesão renal aguda, além de outras complicações. Portanto, sofrer muitas picadas não significa necessariamente desenvolver uma alergia: o próprio veneno pode produzir danos graves, independentemente desse mecanismo. O Ministério da Saúde diferencia expressamente as manifestações tóxicas das alérgicas.

No caso do morador de Cascavel, a dificuldade respiratória relatada durante o socorro, isoladamente, não permite determinar qual desses processos ocorreu. Essa avaliação depende do atendimento clínico e, quando necessários, de exames complementares.

O subtenente Cosechem, do Corpo de Bombeiros de Cascavel, ressalta que a rapidez do socorro é fundamental. A orientação é se afastar do enxame e buscar ajuda, evitando que outras pessoas se exponham durante uma tentativa de resgate.

Pular em uma piscina, açude ou outro local com água não é uma estratégia segura, alerta o bombeiro. As abelhas podem permanecer nas proximidades e voltar a atacar quando a pessoa emerge para respirar.

“Evite buscar locais com água”, orienta. Segundo ele, pessoas e animais próximos também devem ser afastados, desde que isso possa ser feito com segurança.

O oficial recomenda ainda cuidado com os ferrões que permanecem na pele: a retirada pode ser feita por raspagem, com a borda de um cartão, evitando apertar a estrutura. O procedimento, porém, não deve atrasar a busca por atendimento.

Para o manejo de colônias, a orientação é recorrer a profissionais capacitados, com equipamentos de proteção e condições de dar destinação adequada às abelhas. Tentar queimar ou remover uma colmeia por conta própria pode expor moradores e vizinhos a novos ataques.

Conforme a orientação de serviço apresentada à reportagem, a Defesa Civil de Cascavel pode ser acionada pelo telefone 199 para encaminhar situações que exijam avaliação e manejo especializado.

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