Do luxo à prisão: influenciadora apontada como líder de esquema de tráfico é presa
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Por Allan Machado
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Uma influenciadora digital apontada pela Polícia Civil do Paraná (PCPR) como uma das principais lideranças de uma organização suspeita de traficar cocaína em Umuarama ostentava nas redes sociais uma rotina marcada por produtos de alto valor e mercadorias importadas do Paraguai.
A mulher, identificada como Hevellyn Santos, é alvo da Operação Beverly Hills, deflagrada pela PCPR nesta quarta-feira (7). A ação investiga um grupo suspeito de atuar no tráfico de cocaína, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Ao todo, oito pessoas foram presas durante as diligências.
Segundo o delegado Rodrigo Costa Azevedo Couto, do setor de Narcóticos da 7ª Subdivisão Policial (SDP) de Umuarama, a influenciadora utilizaria as redes sociais para comercializar produtos importados, como perfumes e outros itens de beleza. A atividade, conforme a investigação, poderia funcionar como uma espécie de fachada para o esquema criminoso.
A Polícia Civil identificou que o mesmo telefone utilizado para administrar as vendas também estaria relacionado à organização do tráfico. Para os investigadores, as duas atividades poderiam se misturar.
Cocaína era entregue por meio de “delivery”
Conforme o delegado, a organização teria uma estrutura dividida em diferentes funções. Havia integrantes responsáveis por receber os pedidos dos clientes, outros encarregados de armazenar e fracionar a droga e pessoas responsáveis pelas entregas e pela movimentação financeira.
A cocaína seria comercializada por meio de um sistema semelhante a um delivery. Em vez de entregar diretamente aos compradores, os integrantes deixavam pequenas quantidades da droga em pontos previamente determinados, como árvores e outros esconderijos.
Depois, fotografias eram encaminhadas aos compradores indicando o local onde a cocaína havia sido deixada. A estratégia, segundo a investigação, dificultava o contato direto entre traficantes e usuários.
O grupo teria estabelecido um prazo de aproximadamente 25 a 30 minutos para as entregas e atendia diferentes regiões de Umuarama.
Grupo movimentaria até R$ 200 mil por mês
A investigação aponta que a organização comercializava entre dois e quatro quilos de cocaína por mês. Segundo a estimativa apresentada pelo delegado, a movimentação financeira poderia chegar a aproximadamente R$ 200 mil mensais.
Apesar da operação, a Polícia Civil não encontrou grandes quantidades de cocaína com a influenciadora. De acordo com o delegado, ela não teria contato direto com os estoques da droga, que ficariam sob responsabilidade de outros integrantes.
A investigação também aponta que o marido da influenciadora teria participação na liderança do grupo. Segundo a PCPR, ele havia deixado a prisão cerca de três meses antes e já cumpria pena anteriormente por tráfico de drogas.
Operação bloqueou até R$ 1,8 milhão
Além das prisões e buscas, a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 1,8 milhão em ativos financeiros dos investigados. Também foram autorizados o sequestro e a indisponibilidade de veículos e imóveis relacionados ao grupo.
Durante a operação, os policiais apreenderam um veículo, celulares, produtos de perfumaria, cosméticos e outros itens relacionados à atividade comercial mantida pela influenciadora.
Parte das mercadorias seria proveniente do Paraguai e, segundo a Polícia Civil, não teria documentação fiscal. Os produtos deverão ser encaminhados à Receita Federal, responsável pela apuração de eventual crime de descaminho.
As investigações continuam para esclarecer a participação individual de cada suspeito e identificar toda a estrutura da organização.