Benjamin, de 10 anos, troca os óculos por lentes usadas durante o sono
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Por Redação CGN
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Benjamin, de 10 anos, passou a usar a ortoceratologia, técnica que utiliza lentes específicas durante o sono para proporcionar correção visual temporária durante o dia. O menino, que usa óculos desde os cinco anos, enfrentava dificuldades principalmente durante atividades físicas e nos jogos como goleiro.
Ele começou a usar óculos após perceber que não conseguia enxergar com nitidez o quadro da sala de aula. Anos depois, o equipamento passou a trazer outra preocupação durante o futebol.
“Eu tinha medo de a bola bater no meu rosto, quebrar os óculos e acabar me machucando”, conta Benjamin.
A família chegou a optar por lentes de contato gelatinosas, mas o manuseio diário se tornou uma preocupação devido à idade. Há cerca de um ano, Benjamin iniciou o uso de lentes de ortoceratologia.
“Eu coloco as lentes antes de dormir e retiro pela manhã. Durante o dia, não preciso usar óculos nem lentes de contato e consigo enxergar tudo nítido”, relata.
Mudança também foi percebida no futebol
A mãe, Elaine Rufato Francisco, afirma que a mudança foi percebida também no comportamento do filho. Segundo ela, antes do tratamento, Benjamin chegava a virar o rosto durante algumas defesas por receio de que a bola atingisse os óculos.
“Essa insegurança interferia no esporte, nas brincadeiras e no dia a dia. Depois da adaptação, percebemos que ele ficou mais confiante. Hoje, colocar a lente antes de dormir já faz parte da rotina dele”, afirma.
A experiência de Benjamin é individual e os resultados da ortoceratologia dependem das características e da avaliação de cada paciente.
Como funciona a ortoceratologia
A ortoceratologia utiliza lentes rígidas gás-permeáveis desenvolvidas para serem usadas durante o sono. Elas provocam uma alteração temporária no formato da superfície da córnea, permitindo que o paciente tenha correção visual durante o período em que permanece sem as lentes.
“O paciente dorme com a lente, retira pela manhã e consegue passar o dia sem a necessidade de óculos ou lentes de contato”, explica o oftalmologista do Hospital de Olhos, Dr. Ramon Hallal.
O efeito é reversível. Quando o uso é interrompido, a córnea retorna gradualmente ao formato anterior e o erro refrativo volta a se manifestar.
Conforme avaliação individual, a técnica pode ser indicada para determinados casos de miopia, hipermetropia e baixos graus de astigmatismo, segundo o médico.
Ortoceratologia pode auxiliar no controle da miopia
Em crianças e adolescentes com miopia, a ortoceratologia também pode fazer parte das estratégias utilizadas para desacelerar a progressão do problema.
Estudos analisados pelo International Myopia Institute indicam que a técnica pode reduzir o alongamento axial do olho, uma das medidas utilizadas para acompanhar a progressão da miopia em pacientes jovens.
“Quando falamos de crianças com miopia, o objetivo não é apenas permitir que elas fiquem sem os óculos durante o dia. Também buscamos estratégias para reduzir a velocidade de progressão do grau ao longo dos anos”, explica Dr. Ramon.
Segundo o oftalmologista, não existe uma idade única para o início do tratamento. A indicação considera a avaliação clínica, a maturidade da criança e a participação da família.
“Na prática, muitas crianças conseguem utilizar as lentes a partir dos seis ou sete anos, mas cada caso precisa ser avaliado individualmente.”
O acompanhamento oftalmológico e os cuidados com higiene, colocação, retirada e armazenamento das lentes são fundamentais durante o tratamento.
“Especialmente entre as crianças, a participação dos pais e o acompanhamento periódico fazem parte do tratamento”, reforça o médico.