Imprensa internacional destaca surpresa com desempenho de Flávio Bolsonaro no 1º turno
Publicado em
Por Agência Estado
A imprensa internacional avalia como surpresa o desempenho de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante a apuração da eleição presidencial brasileira e lembra que as pesquisas indicavam que o senador terminaria o primeiro turno atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A Bloomberg afirmou que Bolsonaro “avançou para uma liderança surpreendente” e registrou que, com cerca de 65% das urnas apuradas no momento da publicação, ele tinha 49,6% dos votos, ante 42,3% de Lula. A agência observou que o resultado, se confirmado, deve fortalecer a percepção de que o senador entra competitivo em um eventual segundo turno e pode impulsionar os ativos brasileiros na abertura dos mercados nesta segunda-feira, 5. A percepção dos investidores é de que Flávio Bolsonaro terá uma política fiscal mais dura.
O argentino Clarín também abriu sua cobertura destacando a “surpresa no Brasil”. O veículo classificou o resultado como “surpreendente, mas ainda imprevisível” e mencionou a possibilidade de um “voto de punição” contra o presidente Lula entre parcelas de seu eleitorado tradicional, sobretudo na base de renda mais baixa.
A Reuters citou analistas que interpretaram parte do desempenho de Flávio como resultado de “votos de protesto” contra Lula, que se imaginava que apareceriam apenas em eventual segundo turno. A agência também destacou que uma vitória do senador ampliaria a sequência recente de triunfos de candidatos de direita alinhados ao presidente dos EUA, Donald Trump, na América Latina.
Já o espanhol El País chamou atenção para o contraste no voto dos imigrantes. Com 62,9% das urnas fora do Brasil apuradas, Lula liderava em 59 países, contra 28 de Bolsonaro. O jornal descreveu o eleitorado no exterior como majoritariamente progressista.
A Al Jazeera, por sua vez, concentrou a cobertura nas implicações ambientais da disputa. O veículo citou especialistas em clima e conservação que alertam que uma vitória de Flávio Bolsonaro poderia reverter políticas de combate ao desmatamento retomadas no governo Lula. A emissora lembrou ainda que, durante o governo de Jair Bolsonaro, o desmatamento na Amazônia aumentou cerca de 60%, segundo dados oficiais, e destacou que Flávio promete acabar com o desmatamento ilegal até 2029, enquanto Lula propõe zerar o desmatamento líquido até 2030.