Lula sai favorecido nas redes sociais após cancelamento de debate, mostra AP Exata
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Por Agência Estado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, saiu favorecido nas redes sociais após o cancelamento do debate da TV Globo nesta quinta-feira, 1º, indica levantamento da empresa de inteligência de dados AP Exata.
Lula, que optou por dar uma entrevista ao podcast Flow em vez de participar do embate com os adversários, chegou a sofrer desgaste, mas o impacto negativo para seu principal rival, o senador Flávio Bolsonaro (PL), foi maior. Na leitura de dados da AP Exata na manhã de sexta-feira, 2, o presidente teve 43,27% de menções positivas nas redes, o que representou uma queda de 0,52 ponto em comparação com a leitura da tarde de quinta. Já Flávio caiu 2,48 pontos, registrando 37,86%. A diferença entre os dois, que estava em 3,45, passou para 5,41 pontos.
“O cancelamento do debate pela Globo retirou de Lula a pressão de ser confrontado pelos candidatos presentes e permitiu que conduzisse sua comunicação pelo Flow, mas colocou sobre ele a imagem de alinhamento com uma alegada censura do Judiciário”, avalia o cientista de dados Sergio Denicoli, CEO da AP Exata.
Poucas horas antes do início previsto para o debate, a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), proibiu a emissora de exibir o púlpito vazio de Lula durante o programa.
Na sequência, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu a um pedido do Solidariedade para que o candidato Renan Santos (Missão) tivesse direito de participar do debate.
Após as duas decisões, Flávio postou em sua rede social um aviso de que não iria mais ao programa, alegando “censura imposta ao evento pelo TSE”.
Denicoli avalia que a acusação de censura mobilizou aliados, “mas passou a disputar espaço com a narrativa de que o senador havia recuado para não enfrentar Renan Santos. Essa interpretação foi promovida por Renan e também pela esquerda”, diz Denicoli.
Lives e entrevistas mobilizam aliados e levantam críticas
Depois de desistir do debate, Flávio optou por abrir uma live com aliados, mas a AP Exata indica que ela não ajudou na recuperação de indicadores. A confiança nos posts que mencionam o senador caiu de 14,43% para 14,07%, enquanto o medo a respeito deles subiu ligeiramente, de 17,92% para 18,19%. A confiança nos posts de Lula também caiu, de 16,31% para 16,23%. O medo, por outro lado, diminuiu de 16,19% para 15,89%.
O pico de audiência na live de Flávio foi de 980 mil pessoas, enquanto Lula conseguiu um máximo de 1,7 milhões na entrevista ao Flow. A conversa do presidente, no entanto, também levantou críticas, como o questionamento sobre a proibição das bets a poucos dias da eleição, a defesa do filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a negativa de conhecer a lobista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, investigada no escândalo do INSS e que aparece em fotos ao lado do presidente.
A militância de esquerda, por outro lado, circulou trechos da entrevista em que Lula mencionou viagens de Luciano Huck no avião de Vorcaro, críticas a Flávio e mensagem aos jovens.
Já a live de Flávio mobilizou os aliados com sua acusação à interferência do Judiciário e com recortes como o de Pablo Marçal pedindo que os candidatos Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD) apoiassem o candidato do PL para tentar encerrar a eleição no primeiro turno. Houve repercussão localizada também dos pedidos de votos para aliados ao Senado.