'Esperei 30 anos': Paranhos quer levar experiência na política para ser deputado federal
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Por Luiz Haab
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A dois dias das eleições, o candidato a deputado federal Leonaldo Paranhos (PSD) afirmou, em entrevista ao Estúdio CGN, que pretende chegar ao Congresso Nacional mantendo independência em relação às orientações partidárias e se definiu como um político de centro. Ex-prefeito de Cascavel por dois mandatos, ele também fez uma crítica direta ao atual sistema partidário brasileiro: “Os partidos, todos eles, inclusive o meu, viraram uma empresa. E muitas vezes um cabresto. Isso eu não vou aceitar.”
Paranhos, de 60 anos, construiu sua trajetória política em Cascavel. Foi vereador, vice-prefeito, deputado estadual e prefeito por dois mandatos, além de ter ocupado a Secretaria de Turismo do Paraná. Agora, disputa pela primeira vez uma cadeira na Câmara dos Deputados e apresenta justamente essa experiência acumulada como um dos principais argumentos de sua candidatura.
Questionado sobre como pretende se posicionar em Brasília diante de um PSD que reúne diferentes correntes políticas pelo país, Paranhos afirmou que atuará “de centro”, embora tenha ressaltado valores que pretende defender no Congresso.
“Eu defendo as pessoas, não importa para mim se elas são de direita. Agora, defendo valores. Valores da família, de propriedade”, declarou. Segundo o candidato, o mandato não deve ficar subordinado exclusivamente às decisões de uma legenda. “Eu entendo que um mandato é muito maior do que uma sigla partidária.”
Relação com o próximo presidente
Paranhos também afirmou que, caso seja eleito, pretende manter diálogo com o governo federal independentemente de quem vencer a eleição presidencial.
Para justificar a posição, relembrou sua passagem pela Prefeitura de Cascavel e citou recursos obtidos durante governos federais distintos. Segundo ele, durante a gestão de Jair Bolsonaro, Cascavel recebeu aproximadamente R$ 300 milhões da Itaipu, enquanto, na atual administração federal, o município também conseguiu inserir projetos em programas da União.
“A gente não negocia com pessoas, nós vamos negociar com o sistema. Não tem como a gente, apenas por não ser aquele que eu votei ou aquele que eu apoiei, não trabalhar.”
Para Paranhos, o interesse regional deve se sobrepor às divergências políticas quando estiver em discussão a obtenção de investimentos públicos.
“Brasília não é para ganhar experiência”
Um dos pontos centrais da entrevista foi a dificuldade de um deputado se destacar em uma Câmara composta por 513 parlamentares. Paranhos reconheceu o desafio e disse que decidiu esperar três décadas de vida pública antes de disputar pela primeira vez uma vaga de deputado federal.
“Quando você olha para Brasília, vê aquele plenário com 513 deputados, não dá uma sensação que aquilo não funciona? Eu digo que essa sensação nossa é verdade, aquilo é complicado.”
Segundo ele, sua passagem por diferentes funções públicas reduziria o tempo necessário de adaptação ao Congresso.
Nas considerações finais, reforçou esse argumento: “Brasília não é para ganhar experiência, não dá tempo. Se você se eleger deputado federal sem experiência, você vai gastar uns quatro anos para conhecer o trâmite inteiro.”
Pedágio e duplicação entram nas prioridades
Ao tratar diretamente das demandas do Oeste do Paraná, Paranhos colocou a infraestrutura entre as principais áreas em que pretende atuar.
O candidato defendeu acompanhamento dos contratos das novas concessões rodoviárias para evitar que alterações futuras resultem na retirada de obras originalmente previstas.
“Nós precisamos acompanhar os contratos para não acontecer o que nós já sofremos.”
Ele citou especificamente a duplicação entre Matelândia e Cascavel, afirmando que pretende acompanhar o cumprimento do cronograma previsto no contrato.
“Nós temos que acompanhar a planilha. Por exemplo, a duplicação de Matelândia até Cascavel tem uma necessidade de sair em três anos. Nós temos que acompanhar isso. Isso eu farei.”
Paranhos também mencionou investimentos em rodovias estaduais e estradas rurais como demandas importantes para uma região fortemente ligada à produção agropecuária.
Habitação para trabalhadores das cooperativas
Outra proposta apresentada durante a entrevista envolve a criação de um projeto habitacional direcionado também aos trabalhadores das cooperativas da região.
Segundo Paranhos, empresas e cooperativas do Oeste enfrentam dificuldades para encontrar e manter mão de obra. A proposta seria buscar mecanismos de subsídio habitacional capazes de facilitar a aquisição da casa própria por esses trabalhadores.
“A habitação, eu quero fazer um projeto que ligue a possibilidade de um valor subsidiado para quem trabalha também nas cooperativas.”
Na avaliação do candidato, facilitar o acesso à moradia poderia ajudar a fixar trabalhadores nas cidades onde estão instaladas essas empresas.
Centro de Eventos é apontado como projeto que ficou pendente
Ao ser provocado a fazer uma autocrítica sobre seus oito anos à frente da Prefeitura de Cascavel, Paranhos apontou uma obra que gostaria de ter entregue e não conseguiu: um novo Centro de Eventos.
Ele afirmou que chegou a estudar a compra de uma área e desenvolveu projeto para a estrutura, mas a iniciativa não avançou durante seus mandatos, período que também foi afetado pela pandemia.
Agora, promete retomar a proposta caso seja eleito deputado federal.
“Essa é uma obra que eu gostaria de ter feito e farei ela agora como deputado, porque eu já encaminhei o projeto, o governador já autorizou e eu devo consolidá-la agora como deputado federal.”
Paranhos argumentou que a estrutura é necessária para ampliar o turismo de negócios de Cascavel e considera o atual Centro de Eventos insuficiente diante do crescimento da cidade.
Experiência municipal como cartão de visitas
Ao longo da entrevista, Paranhos voltou diversas vezes à experiência acumulada em cargos públicos para explicar como pretende exercer o mandato federal.
A estratégia apresentada passa por manter contato direto com prefeitos da região, identificar demandas municipais e direcionar recursos e emendas para áreas como saúde, educação, infraestrutura e habitação.
“Eu vou me valer da minha experiência para atender a dor do prefeito, que por consequência é a dor e a necessidade da população.”
No encerramento, sintetizou o argumento que pretende levar ao eleitor: “Eu não estou dizendo que eu sei tudo. Eu estou dizendo que a vida me deu, em 30 anos, a habilidade para que eu possa desenvolver a minha ação com responsabilidade e com resultado.”
Estúdio CGN abre espaço aos candidatos
A entrevista integra a cobertura eleitoral da CGN, que abriu o Estúdio CGN aos candidatos que disputam cargos nas eleições deste domingo (3), oferecendo espaço para a apresentação de propostas, posicionamentos e compromissos diretamente aos eleitores.