Dólar sobe e vai a R$ 5,22 com aversão a risco em dia de escalada do petróleo
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Por Agência Estado
Alinhado à onda global de fortalecimento da moeda norte-americana, em dia de aumento dos temores inflacionários com a nova arrancada do petróleo, o dólar subiu com força no mercado local e voltou a fechar acima da linha de R$ 5,20. O real, que costuma apanhar mais em episódios de aversão ao risco, sofreu nesta quinta-feira, 1º de outubro, menos que seus principais pares entre as divisas emergentes.
A avaliação entre analistas ouvidos pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) é a de que as perdas da moeda brasileira são limitadas pela perspectiva de um eventual rali dos ativos domésticos caso o senador e candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, tenha um bom desempenho no primeiro turno da eleição presidencial, no domingo, 4. A vitória da oposição é vista como um indutor de redução dos prêmios de risco associados ao quadro fiscal.
“A questão eleitoral tem seu peso e faz sentido atribuir parte do desempenho do real a esse componente, mas temos também o avanço nos preços das commodities agrícolas, com os possíveis efeitos do El Niño, e a própria valorização do petróleo”, afirma o economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo.
No radar dos investidores, ficaram eventos do período da noite desta quinta: a nova pesquisa Datafolha, que será divulgada às 19 horas, e o debate presidencial na TV Globo, sem a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que concederá, no mesmo horário, entrevista ao Flow Podcast. As últimas sondagens do Datafolha mostraram liderança numérica do petista, mas empate técnico com Flávio Bolsonaro.
Com máxima de R$ 5,2374, no início da tarde, o dólar à vista terminou o primeiro pregão de outubro em alta de 0,88%, a R$ 5,2204. Pares do real, como peso mexicano, peso chileno e rand sul-africano, recuaram entre 1,20% e 1,70%. No ano, a moeda brasileira tem um dos melhores desempenhos entre as principais divisas emergentes, atrás apenas do won sul-coreano e do peso colombiano, única moeda com ganhos de dois dígitos em 2026.
“O grosso do movimento do câmbio hoje foi externo, com o dólar subindo hoje contra todas as moedas. O barril do petróleo voltou a superar os US$ 100 por conta das preocupações com a guerra no Oriente Médio”, afirma Gustavo Trotta, especialista e sócio da Valor Investimentos.
As cotações do petróleo aceleraram o ritmo de alta ao longo da tarde diante de informações de que o presidente dos EUA, Donald Trump, pretende retomar os bombardeiros ao Irã em novembro.
Os norte-americanos estariam pressionando a União Europeia a liberar estoques de diesel. A possibilidade de que os EUA limitem a exportação do derivado segue no radar e assusta os investidores. A cotação do Brent para dezembro fechou em alta de 4,37%, a US$ 102,31 por barril.
Galhardo, da Análise Econômica, ressalta que há um movimento global de valorização do dólar, que volta a representar um abrigo para investidores em momento de incerteza. A possibilidade de nova onda de ataques dos EUA ao Irã empurra os preços do petróleo para cima e aumenta as pressões inflacionárias, observa.
“A divulgação do PCE (índice de preços de gastos com consumo) ontem abaixo do esperado diminui as apostas de que o Federal Reserve volte a aumentar os juros em outubro, com parte das apostas migrando para a reunião de dezembro. Mas os riscos inflacionários da guerra preocupam muito, como mostra o comportamento das taxas de juros”, afirma Galhardo, ressaltando que, pela manhã, a taxa da T-note de 10 anos, que passou a recuar à tarde, tocou o maior nível em 24 anos.
Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY avançava 0,58% perto do fim da tarde, aos 102,040 pontos, após máxima aos 102,207 pontos. O Dollar Index já sobe cerca de 1% nesta semana e opera nos maiores níveis desde março de 2025. No ano, a alta é de mais de 3,80%.
“A economia dos EUA está apresentando um desempenho razoavelmente bom e o mercado precifica a necessidade de o Fed levar a política monetária para um território restritivo”, afirma, em nota, o chefe de estratégia global de mercados e de câmbio do banco ING, Chris Turner, lembrando que o DXY testa os maiores níveis do ano.