Edson Vasconcelos disputa como vice ao governo do PR e defende industrializar Cascavel
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Por Luiz Haab
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Em meio à reta final da campanha eleitoral de 2026, o Estúdio CGN tem ampliado o espaço dedicado ao debate político, recebendo candidatos de diferentes disputas eleitorais para que apresentem suas propostas e posicionamentos ao público. A CGN já entrevistou candidatos à Câmara Federal, ao Senado, ao Governo do Paraná e à Presidência da República, mantendo o espaço aberto aos candidatos que desejarem participar e falar diretamente sobre seus projetos. Nesta quinta-feira (1º), o entrevistado foi Edson Vasconcelos, de 50 anos, empresário e natural de Cascavel, que concorre ao cargo de vice-governador na chapa encabeçada por Sérgio Moro (PL).
A condição diferencia Vasconcelos de outro nome historicamente associado à política cascavelense que chegou ao comando do Paraná. Mário Pereira, que assumiu o Governo do Estado em 1994 após a saída de Roberto Requião, nasceu em Itajaí, Santa Catarina. Pereira construiu, entretanto, uma trajetória política profundamente ligada a Cascavel: foi presidente do MDB no município, deputado estadual, secretário de Estado e vice-governador antes de assumir o Palácio Iguaçu.
É nesse contexto que Edson Vasconcelos se apresenta como representante direto de Cascavel e do Oeste na disputa estadual. Em entrevista ao Estúdio CGN nesta quinta-feira (1º), o candidato afirmou que a eventual chegada ao Palácio Iguaçu representaria não apenas uma conquista pessoal, mas uma oportunidade de ampliar a participação política da região nas decisões do Estado.
“É um orgulho estar aqui como cascavelense, como representante do Oeste, numa chapa majoritária, com possibilidades plenas para a gente estar no Palácio Iguaçu.”
Para Vasconcelos, o Oeste desenvolveu boa parte de sua estrutura econômica e social com pouca participação efetiva do Estado. Na avaliação apresentada durante a entrevista, municípios da região construíram sua própria trajetória de desenvolvimento e agora precisam transformar força econômica em influência política.
“Essa oportunidade não pode ser desperdiçada.”
Industrialização é apontada como desafio estratégico
Um dos principais eixos da entrevista foi a necessidade de diversificar a economia do Oeste. Embora reconheça a força do agronegócio e das cooperativas, Vasconcelos defendeu uma estratégia estadual capaz de atrair indústrias de maior valor agregado para o interior.
Ele citou áreas como biotecnologia e indústria farmacêutica e argumentou que a localização geográfica, isoladamente, não é suficiente para convencer grandes empresas a se instalarem em Cascavel ou em outras cidades do Oeste.
“Nós precisamos deixar as regiões do interior atrativas.”
Na visão apresentada pelo candidato, o Estado precisa trabalhar com um planejamento regionalizado, identificando os obstáculos específicos de cada território. Entre os fatores citados estão energia, logística, conectividade, disponibilidade de água, segurança e infraestrutura ferroviária.
“O governo do Estado tem que ter um plano de desenvolvimento econômico, desburocratizar, digitalizar, desregulamentar.”
Vasconcelos também afirmou que a capacidade energética poderá se transformar em um dos principais fatores de competitividade econômica nos próximos anos.
“A energia será o maior diferencial competitivo nos próximos 15 a 20 anos.”
Ferroeste e BR-277 entram no centro do discurso
Para o candidato, Cascavel e o Oeste não conseguirão avançar na atração de novas indústrias sem resolver gargalos históricos de infraestrutura.
A Ferroeste foi um dos principais pontos levantados. Vasconcelos defendeu que a região precisa aproveitar a janela de oportunidade relacionada ao futuro da concessão da Malha Sul e priorizar a capacidade de escoamento da produção que já existe no Oeste.
“Não adianta a gente estar falando que quer ter uma ferrovia que ligue Maracaju a Paranaguá se nós não estamos conseguindo levar a carga de Cascavel.”
O raciocínio apresentado é que novas ferrovias e novos corredores logísticos somente terão impacto econômico para o Oeste se a produção regional conseguir efetivamente chegar aos mercados consumidores e aos portos.
A BR-277 também apareceu como um dos gargalos citados na entrevista, ao lado da questão energética e da logística aérea.
Paraguai e a perda de competitividade de Cascavel
A proximidade com o Paraguai também foi colocada no centro da discussão, especialmente diante da concorrência enfrentada pelo comércio de Cascavel.
Questionado sobre a saída de consumidores e empresas para o país vizinho, Vasconcelos apontou diferenças tributárias e regulatórias entre os dois lados da fronteira.
“Nós temos que gerar um ambiente aqui desregulado, favorável e com mais aptidão a receber o empreendedor aqui do que lá.”
O candidato defendeu que o Paraná observe experiências do Paraguai para identificar mecanismos capazes de tornar o ambiente empresarial brasileiro mais competitivo.
Ao mesmo tempo, atribuiu parte dos problemas econômicos brasileiros ao cenário nacional, especialmente aos juros.
“Hoje o maior plano econômico para o Paraná, Luiz, é a troca do governo federal.”
A declaração veio durante a discussão sobre a taxa Selic e as dificuldades de financiamento para empresas.
Compromisso de não aumentar o IPVA
Outro momento de forte impacto para o eleitor paranaense ocorreu quando Vasconcelos foi questionado sobre a manutenção do IPVA em patamar reduzido.
O candidato afirmou que uma eventual gestão de sua chapa não pretende aumentar o imposto.
“De maneira nenhuma, nosso governo nunca vai buscar aumentar IPVA ou qualquer outro tipo de imposto.”
Segundo ele, a estratégia econômica deveria buscar o crescimento da atividade produtiva e do poder de compra da população, em vez de elevar a carga tributária.
“Nós temos que, inclusive, quebrar uma regra. Não é abrir mão de receita, diminuir tributo.”
Cascavel como origem e possível chegada ao Palácio Iguaçu
A presença de Vasconcelos na chapa também recoloca Cascavel em uma posição incomum na história política do Paraná.
Mário Pereira continua sendo uma das figuras políticas mais importantes da história da cidade. Foi eleito vice-governador em 1990 e assumiu o Governo do Paraná em 1994. A própria Câmara de Cascavel registra Pereira como o único cascavelense a ter ocupado a chefia do Governo do Estado, embora ele tenha nascido em Itajaí.
A diferença, agora, está na naturalidade: Edson Vasconcelos nasceu em Cascavel, segundo os dados eleitorais.
Na entrevista à CGN, ele transformou essa origem em um dos principais elementos de sua candidatura e associou uma eventual chegada ao governo estadual à possibilidade de ampliar o protagonismo do Oeste.
“Representar o Oeste e representar Cascavel é não só uma responsabilidade, mas também é um orgulho.”
No encerramento da entrevista, Vasconcelos fez um pedido explícito de voto para a chapa. A disputa pelo Governo do Paraná terá primeiro turno em 4 de outubro de 2026, e a candidatura de Sérgio Moro com Edson Vasconcelos está registrada pelo PL, número 22.