Ricardo Cascavel Mais Segura diz que partido Missão é ‘negação de bolsonarismo e Lula’
Publicado em
Relacionadas:

Por Luiz Haab
Atualizado em
O candidato a deputado federal Ricardo André Schirmann Pereira, conhecido nas redes sociais como Ricardo Cascavel Mais Segura, participou, na tarde desta segunda-feira (28), de entrevista no Estúdio CGN e apresentou as principais bandeiras que pretende levar à disputa pela Câmara dos Deputados. Natural de Cascavel e corretor de imóveis, ele afirmou que entrou na política após atuar como ativista em manifestações relacionadas a problemas de segurança e moradores em situação de rua.
Ricardo afirmou que a experiência como cidadão o levou a concluir que a atuação fora da política institucional possui limitações. “Como cidadão a gente tem um limite para fazer alguma mudança efetiva dentro do sistema. Eu me coloquei à disposição do partido, do movimento ao qual eu acredito desde 2016, e estamos aqui disputando a deputado federal”, declarou.
A candidatura ocorre pelo Partido Missão, legenda que teve o registro aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em novembro de 2025 e adotou o número 14. A Justiça Eleitoral registra Renan Santos como presidente nacional da legenda. Para as eleições de 2026, o partido lançou Ricardo com o número 1445 para deputado federal pelo Paraná. Justiça Eleitoral
Missão busca distância do bolsonarismo
Durante a entrevista, Ricardo apresentou o Missão como uma legenda originada da trajetória do Movimento Brasil Livre (MBL) e procurou estabelecer uma distinção clara em relação ao bolsonarismo e à direita tradicional.
Segundo ele, o principal elemento de identidade do partido é o chamado “Livro Amarelo”, documento programático que, de acordo com o candidato, reúne propostas para diferentes áreas da administração pública.
“O partido Missão tem o Livro Amarelo. Todos os candidatos são pautados pelo Livro Amarelo, que é o único partido que tem um livro de mais de 400 páginas, onde fala sobre um Brasil grandioso. Trata tanto de estrutura, segurança, economia, tudo dentro do Livro Amarelo”, afirmou.
Questionado sobre o posicionamento ideológico da legenda, Ricardo foi direto ao dizer que o Missão não pretende ser uma extensão do bolsonarismo.
“Não, não, de forma alguma. Nós somos a negação do bolsonarismo e do Lula”, declarou.
Na avaliação apresentada pelo candidato, a principal crítica à direita tradicional está relacionada ao que classificou como abandono de promessas e propostas depois da chegada ao poder.
“Governos de direita que ficaram no poder traíram suas pautas. (…) Muitos políticos da direita tradicional, que a gente fala que vêm através do bolsonarismo, não tratam do problema na sua raiz. Eles ficam no discurso, fazendo sem propostas concretas”, disse.
A fala posiciona o partido em uma tentativa de construir identidade própria no campo da direita, sem se apresentar como parte do bolsonarismo.
Segurança pública e a defesa da frase “prendeu, matou”
A segurança pública também ocupou espaço central na entrevista. Ao ser questionado sobre a frase utilizada pelo candidato à Presidência pelo Missão, Renan Santos, “prendeu, matou”, Ricardo explicou como interpreta a proposta.
Ele afirmou que a expressão não deve ser entendida literalmente como uma autorização para matar qualquer pessoa presa, mas como uma referência à atuação policial contra integrantes de organizações criminosas fortemente armados.
“É uma frase de impacto pra chamar a pessoa a entender melhor o conceito do que é ‘prendeu, matou’”, afirmou.
Na sequência, apresentou uma situação hipotética envolvendo uma incursão policial em uma área dominada por uma facção.
“A pessoa ou ela se rende pras forças policiais, forças de segurança que estão cumprindo o seu dever, ou elas serão abatidas. Isso é pra ajudar a ter legalidade na ação da polícia no caso dos faccionados”, declarou.
O tema expõe uma das bandeiras mais duras apresentadas pelo candidato durante a entrevista e também uma das áreas em que o Missão procura se diferenciar de outras correntes da direita.
Infraestrutura é apontada como prioridade para Cascavel e Oeste
Quando questionado sobre as necessidades de Cascavel e do Oeste do Paraná, Ricardo concentrou sua resposta na infraestrutura logística. Para ele, a capacidade produtiva da região é limitada pela dificuldade de transportar a produção até os mercados e portos.
“O problema do Oeste aqui do Paraná, Mato Grosso que pega tudo aqui, seria a escoação da produção”, afirmou.
O candidato defendeu investimentos na duplicação da BR-277, expansão do Porto de Paranaguá, retomada da Ferroeste e implantação de estrutura aeroportuária voltada à logística.
“Então a questão é infraestrutura literalmente, infraestrutura, e o empresariado toca o restante”, resumiu.
A avaliação está alinhada à discussão recorrente sobre gargalos logísticos que afetam o escoamento da produção agrícola e industrial do Oeste paranaense, especialmente em torno da BR-277 e da conexão com o Porto de Paranaguá.
Construção do partido em Cascavel
Ricardo também falou sobre a estruturação do Missão na cidade. Segundo ele, o partido ainda está formando seu núcleo local e pretende transformar essa estrutura em um diretório.
“O partido é novo, então foi homologado em novembro, é um partido que não tem acesso ao fundo eleitoral, mas a gente tá se construindo aqui no Paraná e no Brasil inteiro”, afirmou.
No encerramento, o candidato reforçou a estratégia de buscar espaço como uma alternativa às estruturas políticas tradicionais.
“Dê chance para sangue novo entrar na política”, pediu aos eleitores.
A entrevista faz parte da série de conversas promovida pela CGN com candidatos que disputam as eleições de 2026. Ricardo encerrou sua participação pedindo aos eleitores que conheçam as propostas do partido e suas próprias posições antes de decidir o voto.
“Eu trabalho já fiscalizando o poder público. (…) Então me conheça melhor e vire voto, fale para sua família e dê chance para sangue novo entrar na política. Meu número é 1445, conto com você.”