Violência doméstica em Cascavel termina com criança usada como escudo e agressor fugindo
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Por Diego Cavalcante
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Uma manhã que deveria seguir o ritmo comum de um sábado terminou em uma ocorrência que mobilizou equipes da Guarda Municipal, atendimento médico e buscas por um homem suspeito de agredir e ameaçar a própria esposa, no Bairro Santa Cruz, em Cascavel.
A ocorrência começou dentro de uma residência na Rua Txikaos. Segundo o relato da vítima aos guardas municipais, após o fim de um churrasco realizado na casa do casal, uma discussão começou. Ela teria dito ao marido que pretendia ir embora com os filhos e se separar, diante de algumas atitudes que, segundo ela, ele pretendia tomar.
O que era uma discussão, porém, teria se transformado em agressão. A mulher relatou que foi atingida na cabeça enquanto tomava banho e que, depois, voltou a ser agredida no quarto. Também afirmou ter sido ameaçada de morte e que o homem teria feito ameaças contra os filhos.
As agressões teriam deixado a vítima tonta e desorientada, a ponto de ela perder a consciência. Quando recuperou os sentidos, ainda segundo o relato, percebeu que não conseguia simplesmente sair pela porta. O homem teria impedido sua saída e a mantido dentro da residência.
Foi então que um pedido de socorro precisou ser feito em silêncio. De maneira discreta, a mulher conseguiu enviar uma mensagem pelo WhatsApp pedindo ajuda. Um familiar foi até o endereço e conseguiu segurá-lo pelas mãos quando ele abriu a porta. Foi o instante que permitiu que a vítima chegasse à rua e acionasse a Guarda Municipal.
Quando os agentes chegaram, encontraram uma situação que ainda estava longe de terminar. O homem inicialmente se recusou a abrir a porta e, depois, apareceu segurando uma criança de aproximadamente dois anos.
Os guardas determinaram que ele colocasse a criança na cama ou a entregasse à equipe. Conforme o registro da ocorrência, as ordens não foram obedecidas. O homem teria mantido a criança junto ao corpo e a colocado à sua frente, dificultando a aproximação dos agentes e aumentando o risco para a própria criança.
A prioridade, naquele momento, era tirar a criança daquela situação. Os guardas utilizaram inicialmente um dispositivo elétrico incapacitante, mas os dois disparos realizados não tiveram o efeito esperado. Diante da permanência do risco, foi necessário o emprego de força física para conter o homem e retirar a criança de seus braços.
A criança foi finalmente retirada e entregue à mãe.
O SAMU foi chamado. A vítima recebeu atendimento no local e foi encaminhada para uma unidade hospitalar. O homem também recebeu atendimento e aguardava para ser levado ao hospital quando a ocorrência ganhou mais um capítulo inesperado.
Algemado no compartimento de custódia da viatura, ele conseguiu abrir o compartimento e fugiu antes de ser encaminhado para atendimento hospitalar. Informações de pessoas que estavam nas proximidades indicaram que ele teria seguido em direção a um posto de combustíveis.
Outras equipes da Guarda Municipal foram acionadas e fizeram buscas pela região. O posto e as imediações foram percorridos, mas o homem não foi encontrado.
Enquanto isso, a vítima seguia recebendo atendimento médico. Depois da conclusão dos procedimentos, a equipe da Guarda Municipal foi até a Delegacia para o registro da ocorrência e adoção das medidas cabíveis.
A mulher manifestou interesse em solicitar medida protetiva de urgência e também em ser acolhida em um abrigo para mulheres, junto com os filhos menores.
A ocorrência ainda deixou marcas entre aqueles que atuaram no resgate. Durante a contenção, um dos guardas municipais sofreu lesões na mão direita e na cabeça e também precisou de atendimento médico.
Dentro de uma casa, longe dos olhos de quem passava pela Rua Txikaos, uma mulher precisou transformar uma mensagem discreta em um pedido de socorro. Do outro lado da porta, uma criança acabou no centro de uma intervenção policial. Para a vítima, o sábado terminou com atendimento médico, pedido de proteção e a necessidade de deixar a própria casa em busca de segurança para ela e os filhos.