Emissões no transporte sobem 56% apesar do avanço do etanol e dos carros elétricos
Publicado em
Por Agência Estado
Os programas lançados nos últimos anos para ampliar o uso de biocombustíveis e reduzir a poluição dos automóveis não foram suficientes para conter a alta das emissões de gases de efeito estufa no setor de transportes. Estudo do Centro Brasil no Clima (CBC), com base em dados de 2005 a 2024, indica que as emissões cresceram 56% no período, acima do avanço do Produto Interno Bruto (PIB), de 48%.
A avaliação é que políticas públicas – como programas de estímulo à produção de automóveis mais eficientes e o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina – não conseguiram reverter a trajetória de alta das emissões. Com isso, o setor de transportes segue fora do ritmo exigido para cumprir as metas de neutralização de carbono previstas no Acordo de Paris.
O trabalho foi realizado pelos pesquisadores Daniel Neves Schmitz Gonçalves e George Vasconcelos Goes, do Programa de Engenharia de Transportes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Usa como base os dados do Observatório do Clima e do Anuário Estadual de Mudanças Climáticas, além do Primeiro Relatório Bienal de Transparência, que é uma prestação de contas às Nações Unidas sobre as ações climáticas do Brasil.
O Centro Brasil no Clima (CBC) é uma organização voltada à descarbonização da economia, proteção da biodiversidade e promoção da justiça climática.
Segundo o estudo, a redução de 20% nas emissões líquidas do Brasil entre 2005 e 2022 – reconhecida internacionalmente – decorreu principalmente da queda do desmatamento. Já a adoção de carros elétricos ainda tem efeito considerado incipiente na mitigação das emissões. No transporte de passageiros, o fator que de fato conteve o avanço das emissões, aponta a pesquisa, foi o maior uso de biocombustíveis, especialmente o etanol.
No transporte de cargas, responsável por 53,9% das emissões do setor, persiste a forte dependência do diesel, e ainda faltam alternativas em escala suficiente para substituir esse combustível fóssil, apontam os pesquisadores. Embora correspondam a apenas 3% da frota circulante, os caminhões respondem por uma fatia desproporcional das emissões.