"Houve uma manipulação no sistema": Delegado fala da prisão de Nata Fagundes de Paula, investigado pelo duplo homicídio em Cascavel
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Por Diego Kruger
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A Delegacia de Homicídios (DH) de Cascavel cumpriu o mandado de prisão preventiva contra Nathan de Paula, investigado como autor do duplo homicídio registrado em uma garagem na Rua Cuiabá, no mês de março. A captura ocorreu no início da noite de quarta-feira, em ação integrada que envolveu monitoramento até a localização do acusado no Norte do Estado.
A investigação exigiu intenso trabalho de inteligência e articulação interinstitucional, reunindo a Polícia Civil do Paraná, o Núcleo de Inteligência de Cascavel, o Grupo TIGRE, a Polícia Civil do Rio de Janeiro e a Guarda Municipal de Sarandi.
O delegado Ian Leão explicou os detalhes da operação: “Demos fiel cumprimento à decisão judicial que decretou a prisão preventiva no dia 6 de março de 2026. O período em que o senhor Nathan estava foragido pelo cometimento do duplo homicídio na garagem na Rua Cuiabá, em Cascavel, nós demos cumprimento após recebermos informações da troca de dados entre unidades internas da Polícia Civil, além da atuação em intercâmbio com a Polícia Civil do Rio de Janeiro e a Guarda Municipal de Sarandi.”
A equipe policial mapeou o paradeiro do investigado e realizou o cerco tático em conjunto com as forças locais. “Com essas informações conseguimos identificar o paradeiro dele. Fomos até a cidade de Sarandi, monitoramos o alvo e ficamos em contato com o Núcleo de Inteligência Policial de Cascavel, o Grupo TIGRE e a Delegacia de Sarandi. Demos o cumprimento a essa decisão judicial em Maringá, no início da noite”, relatou o delegado.
Ao ser interrogado pelas autoridades policiais sobre o crime e as razões da ação, o acusado optou por permanecer calado. “Ele preferiu se manter em silêncio, reservado ao direito dele de se manter em silêncio”, explicou a autoridade policial.
“Manipulação do sistema”
O ponto de maior complexidade durante os trabalhos policiais foi a descoberta de uma possível fraude grave no Banco Nacional de Medidas Protetivas e Mandados de Prisão (BNMP). “O que causou espécie nessa investigação e nos atos de inteligência foi justamente a manipulação e a exclusão do nome dele dos cadastros nacionais que se referem aos mandados de prisão”, afirmou o responsável pelas investigações.
O delegado detalhou que a adulteração nos registros oficiais ocultou a ordem de prisão ativa do suspeito, dificultando o trabalho das equipes de segurança: “Houve uma manipulação no sistema nacional do BNMP que excluía o dado referente ao nome dele como sendo uma pessoa com mandado de prisão ativo. Isso gerou para a gente uma dificuldade um pouco maior, prejudicou a materialização dessa prisão anteriormente. Mas, com a capacidade técnica da Polícia Civil e das outras instituições, conseguimos cumprir a ordem na data de hoje.”
Sobre as irregularidades no sistema nacional, o delegado ressaltou que providências formais já foram adotadas para a apuração da fraude. “Esses dados foram documentados e noticiados à instituição que possui atribuição para fazer essa apuração, seja ela criminal ou administrativa. As informações serão escrutinadas e identificadas se existe algum delito ou infração administrativa”, concluiu.
O detido permanece à disposição da Justiça para o prosseguimento dos trâmites legais do processo de duplo homicídio.