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Do mapa de Cascavel ao espaço: como o voo muda de função nos jogos

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Nos jogos, porém, colocar um avião em cena não determina, por si só, o tipo de experiência.
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Jacvl, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Por Redação CGN

Atualizado em

Quem abre o Google Earth pelo navegador já pode sair da pesquisa por uma cidade diretamente para um voo sobre a região escolhida. O simulador, disponível na versão web desde junho de 2026, permite localizar lugares como Cascavel antes de assumir os controles da aeronave e percorrer a área pelo alto.

Nos jogos, porém, colocar um avião em cena não determina, por si só, o tipo de experiência. O percurso pode ser a própria atividade que exige atenção do jogador ou assumir uma função específica nas regras da partida. Observar essas diferenças permite entender como direção, altitude e deslocamento ganham importância conforme o objetivo proposto por cada jogo.

Google Earth e Flight Simulator colocam o voo no comando

No Google Earth, o simulador foi pensado para exploração casual. A física é simplificada, e os comandos permitem alterar direção, velocidade e altitude sem exigir procedimentos completos de decolagem ou pouso. O interesse está em deslocar a aeronave sobre a região escolhida, aproveitando a base visual da plataforma para observar cidades, estradas e outros elementos do território.

Por outro lado, o Microsoft Flight Simulator 2024 oferece uma pilotagem mais detalhada, com planejamento de rotas e consulta a informações de aeroportos. O mundo virtual inclui tráfego aéreo e cenários reais, com complementos que ampliam a representação dos destinos. É o caso do Aeroporto de Cascavel, que ganhou um cenário desenvolvido pela Heavendesigns & BLG, disponível no marketplace para a edição 2024. 

Mas, quando a aeronave aparece em jogos que não tentam reproduzir a aviação e o mundo real, seu movimento pode cumprir objetivos completamente diferentes.

O voo assume diferentes funções nas regras do jogo  

Uma aeronave em movimento não precisa oferecer comandos de pilotagem para ocupar um papel central na tela. No jogo Aviator, por exemplo, o avião decola e ganha altitude durante a rodada, funcionando como o principal elemento visual de progressão. O jogador não a controla nem define seu percurso. O voo aparece condensado em um movimento simples, legível e associado ao andamento da partida. 

Em Outer Wilds, a nave permite explorar um pequeno sistema solar. O jogador controla aceleração, frenagem, subida e descida para viajar entre os diferentes corpos celestes. Chegar a um planeta não é apenas completar um deslocamento, pois cada destino contém informações, fenômenos e pistas ligadas ao mistério que orienta a exploração.

A quantidade de comandos por si só não determina se o voo cumpre bem sua função no jogo. Uma pilotagem mais detalhada só agrega valor à experiência quando as decisões que ela exige contribuem para o objetivo da partida.

O que define uma experiência de voo 

O realismo não explica sozinho a experiência de voo. Uma forma de avaliar a proposta é perguntar o que mudaria se o jogo acrescentasse procedimentos de aviação. Eles criariam escolhas relevantes ou apenas exigiriam atenção a tarefas sem relação com o objetivo? A resposta ajuda a distinguir uma simplificação adequada de uma falta de recursos que prejudica a experiência.

Também cabe fazer o caminho inverso: retirar comandos pode eliminar decisões que tornam o percurso interessante. O critério passa a ser o que cada recurso permite ao jogador fazer e compreender, considerando o que se perderia com sua ausência.

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