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Evento de arte e tecnologia "alfineta" com bordado e reflete sobre IA

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Imagem referente a Evento de arte e tecnologia
© Joédson Alves/Agência Brasil

Por CGN

Trata-se da instalação “Bordaduras”, um vinil adesivo de 530 metros quadrados, com imagem de agulhas e uma série de bordados em ponto de cruz inacabados instalada sobre os vidros do museu do Sesi Lab. O trabalho está oficialmente aberto à visitação do público a partir desta terça (15).  

A obra da artista plástica Regina Silveira, de 87 anos de idade, professora emérita da Universidade de São Paulo (USP), fez bem à memória da funcionária do espaço. 

“Aprendi a bordar com a minha mãe e com minha avó. Vi as agulhas [da obra] e me fez recordar”, diz Kaliane Martins. Ela recordou que teceu não apenas as próprias roupas e as dos três filhos adolescentes, mas também a própria vida.

“Nunca foi fácil costurar cada dia de batalha”, filosofou a agente de portaria em entrevista à Agência Brasil. Ela ficou entusiasmada ainda mais com a chegada da artista.

Feminista

Nas palavras da artista Regina Silveira, que tem extensa carreira internacional, o objetivo da obra de arte é justamente provocar reflexões. Ela contextualiza que os bordados estão historicamente ligados à alfabetização das mulheres, durante o Pré-Renascimento, quando elas se ocupavam em bordar letras em enxovais. 

“No meu percurso, os bordados em pontos de cruz completos ou malfeitos se conectam ao repertório de padrões gráficos que venho utilizando desde o novo milênio com o suporte de meios digitais para dialogar com arquiteturas diversas.”
 

Artista plástica Regina Silveira estreia obra no Sesi Lab. – Joédson Alves/Agência Brasil

Ela percebeu, em viagens para diferentes países, revistas que ensinavam a fazer figuras bordadas. Em alguns espaços da instalação, os pontos incompletos têm relação com a ideia de um processo em execução. 

Regina Silveira entende que essa é uma obra feminista por natureza. “Tem uma fatia do meu trabalho, nos anos 1980 e 1990, que trata da distorção dos objetos do cotidiano.” 

“Essa agulha, por exemplo, tem os significados dela. Eu sempre respeito muito a liberdade de interpretação. A pessoa vai entender o que quiser. Eu tenho quatro agulhas espalhadas. As agulhas são mais ilusionistas.”

Além da obra nos vidros, do lado de dentro um painel de LED exibe “Dígito”, obra que Regina Silveira criou nos anos 1980. A artista, inclusive, faz palestra inaugural do 25º Encontro Internacional de Arte e Tecnologia, evento que debate a interseção entre as duas áreas. 
 

Entre os destaques, estão são as palestras de:

Ela acrescenta que a IA pode facilitar a expansão. “Mas que não implique em invenção. Invenção é própria do cérebro humano. Uma conexão inesperada entre dados que já estavam incorporados. Não é inspiração que cai do céu.”

Nada substitui o cérebro

Uma das coordenadoras do evento, a artista e professora Suzete Venturelli também concorda que deve haver atenção com o uso das tecnologias generativas na arte e que nada substitui a criatividade humana, em que pesem os benefícios de experimentações. 
 

A coordenadora do 25 Art, Suzete Venturelli, fala sobre a exposição da artista plástica Regina Silveira, que estreia obra no Sesi. Joédson Alves/Agência Brasil

“Muitos alunos nossos estão resistindo no uso. Experimentaram quando surgiram tecnologias e a gente percebeu que o banco de dados que eles usam tem um viés racista e eurocêntrico.”

Para a professora, é necessário que a obra de arte alfinete a sociedade, inclusive as próprias tecnologias. É necessário que não se perca a capacidade de criar. Para lidar com a IA, será necessário, no entender dela, que se eduque para a sua boa utilização, que privilegie criatividade e bordar invenções. 

Malabarista e costureiro Gabriel Martins no Sesi Lab – Joédson Alves/Agência Brasil

Crochê e malabares

Na porta do museu, o professor de circo tocantinense Gabriel Coelho, de 21 anos, ensaiava com malabares de pinos coloridos. Ao observar a obra de arte no Sesi Lab, recordou que aprendeu com a mãe a costurar e a fazer crochê.

“Eu arrumo todas as minhas roupas e calçados. Sou palhaço também. Lembrei, quando vi essa imagem, que desestresso com agulha e linha, e fico mais longe do celular.”

Fonte: Agência Brasil

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