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‘Me estuprou quando criança e agora estava estuprando meus filhos’ diz jovem sobre padrasto em Cascavel

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“Ele me tocava, levantava minha blusa, passava a mão no meu corpo, me pegava no colo e se esfregava contra seu peito”, conta.
‘Me estuprou quando criança e agora estava estuprando meus filhos’ diz jovem sobre padrasto em Cascavel

Por Luiz Haab

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Hoje com 27 anos, Jennifer era uma menina com pouco mais de dez anos de idade quando começou a perceber algo muito errado dentro de casa. A situação envolvia o padrasto.

“Ele me tocava, levantava minha blusa, passava a mão no meu corpo, me pegava no colo e se esfregava contra seu peito”, conta.

Ela contou para a mãe, mas diz que não teve apoio.

“Eu fui abusada, relatei pra minha mãe, e ela simplesmente só falava que ia se separar dele e não se separou.”

A menina cresceu carregando o trauma. Aos 13 anos, mudou da mãe e foi morar com a família do namorado, que hoje é marido dela.

“Com certeza, porque continuasse sendo abusada, né? E a minha mãe a favor dele. Então eu fui morar com a minha atual sogra, a mãe do meu marido e a tia do meu marido. Lá era mais seguro.”

Foi preciso muito tempo e muito tratamento para que a Jennifer conseguisse superar essa situação que ela viveu aos 13 anos, mas ficaram cicatrizes. Depois vieram os filhos e quando os dois meninos de 8 e de 10 anos também foram abusados, aí ela não teve outra saída. Ela decidiu procurar a polícia.

Os abusos teriam começado há cerca de dois anos, quando Jennifer permitia que os meninos ficassem com a avó, mas nunca sozinhos com o avô postiço.   

“Aconteceu com os meus filhos. Eu fui na assistente social, onde o Ministério Público me mandou. Eles me fizeram perguntas e falaram quem, diante do que falei, realmente seria abuso.”

Foi então que Jennifer decidiu fazer com os próprios filhos aquilo que, segundo ela, sua mãe não fez quando ela era criança: Perguntar e procurar ajuda.

“Eu cheguei em casa, tentei, com a ajuda da psicóloga, de uma melhor forma, fazer a pergunta pros meus filhos. Eles responderam. Liguei para o Conselho Tutelar. No mesmo dia, fomos à delegacia e fizemos a denúncia.”

Os meninos foram encaminhados ao Nucria, onde passaram por atendimento especializado. Segundo Jennifer, os relatos das crianças foram considerados consistentes pelos profissionais que participaram da escuta.

“Logo, eles foram encaminhados para o Nucria e a psicóloga forense confirmou o abuso.”

Os relatos apresentados à família e às autoridades envolvem vários atos de natureza sexual contra os dois meninos. Jennifer afirma que um dos filhos teria sido tocado nas partes íntimas e que o outro teria sofrido uma agressão ainda mais grave, penetrado com o dedo pelo suspeito.

“Ele colocou a mão no pipi do meu filho. Ele mexeu no pipi do meu filho. Ele pediu pra que meu filho mexesse no pipi dele.”

o padrasto de Jennifer, hoje com 52 anos, foi preso em abril deste ano. “Ele foi preso preventivamente, após três vezes que nós fomos chamados para depor”, detalha Jennifer.

Mas a prisão não encerrou a história. Na casa onde antes havia brinquedos, rotina e escola, agora existem consultas, medicamentos e tratamento. Os dois meninos deixaram de frequentar as aulas. A família conta que eles passaram a receber acompanhamento psicológico, psiquiátrico e terapêutico, pois a mudança de comportamento havia sido profunda.

“Eles choram muito. Eles voltaram a praticamente ser um nenê. Meu filho de 8 anos voltou a fazer xixi na cama. Ele faz xixi na cama todos os dias. O meu filho mais velho ele chora, ele se culpa, ele se arranha, ele se bate. Meu filho mais novo ele só dorme se for no meu colo, no colo do meu marido”, descreve a mãe.

Para Fabrício, pai dos meninos, existe também um sentimento difícil de explicar: culpa. Ele diz que só compreendeu a dimensão do trauma vivido pela própria esposa depois que começou a acompanhá-la nos tratamentos.

“Eu me sinto muito culpado por ter deixado acontecer com meus filhos isso. Por eu não ter sido curioso e perguntar pra minha esposa como que foi o abuso dela.” “Pra mim tinha sido só um simples olhada, mas não foi isso. Meus filhos estão perdendo totalmente a infância deles. Eles estão sem nenhum amigo deles.”

Enquanto Jennifer tenta proteger os filhos e pede uma punição rigorosa para o padrasto, existe uma ruptura dentro da própria família. A mãe dela continuaria defendendo o marido.

“Ela me culpa pela prisão dele. Ela, em partes, acredita, em partes, não. Ela me culpa”, lamenta a jovem.

A família sabe que a prisão pode não ser definitiva. E é justamente isso o que mais assusta.

‘Eu quero que ele seja condenado à pena máxima.”, diz a mãe.

“Eu quero que ele pague por tudo que ele fez e pelo que ele possa fazer sendo solto. Porque ele faz um mal tremendo por uma criança”, reforça o pai.

No quarto dos meninos, duas camas continuam lado a lado. Entre elas, uma Bíblia. Ao redor, brinquedos. E na porta da geladeira da cozinha, os lembretes de consultas e medicamentos do qual os guris dependem.

É o retrato de uma infância que precisou parar para que os dois irmãos pudessem tentar reconstruir a própria história.

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