Exterior desfavorável e eleição no Brasil jogam Ibovespa para baixo antes de Fed e Copom
Publicado em
Por Agência Estado
A valorização do petróleo no exterior é insuficiente para estimular o Ibovespa na abertura desta segunda-feira, 14. A cautela no exterior, diante da continuidade da tensão entre Estados Unidos e Irã e de preocupações com inteligência artificial (IA), mantém os índices acionários do Ocidente em baixa nesta manhã. Com o avanço da commodity, crescem as expectativas para as decisões de política monetária desta semana no Brasil, nos EUA, Inglaterra e Japão.
Aqui, o agravamento da crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF) reforça a atenção de investidores às pesquisas eleitorais para a Presidência da República já divulgadas e para as que saem nesta semana.
O petróleo sobe mais de 4%, com o Brent perto de US$ 110 por barril, após o adiamento de reunião entre Irã e países do Golfo sobre a navegação no Estreito de Ormuz. “A semana começa o cenário adverso, à espera da Superquarta. A decisão do Fed está na pauta do mundo todo”, diz o economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares, ao destacar que a alta do petróleo preocupa pois reflete o conflito entre EUA e Irã que não tem uma previsão de desfecho.
Tavares espera que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) eleve os juros em 0,25 ponto porcentual nesta quarta-feira. “Mas deve ficar o debate se o banco central dos Estados Unidos entrará num ciclo de alta ou se essa elevação esperada será só uma calibração de taxa”, avalia o economista-chefe da BGC.
Já o Comitê de Política Monetária (Copom) deve reduzir a Selic de 14% para 13,75% ao ano, mas com um comunicado cauteloso. “Está dada uma queda de 0,25 ponto. Dependendo de como ficar a decisão do Fed, pode comprometer os próximos passos do Banco Central do Brasil”, diz Tavares.
A disputa eleitoral fica cada vez mais acirrada. Recentemente, Datafolha e BTG/Nexus mostraram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) empatados tecnicamente em eventual segundo turno. O levantamento Nexus, divulgado hoje, recolocou Lula numericamente à frente, por 47% a 46%.
No Datafolha, na sexta-feira, Lula manteve-se com 46% e Flávio, 44% no segundo turno. Divulgada nesta manhã, pesquisa Quaest traz Flávio Bolsonaro numericamente à frente do presidente Lula em uma simulação de segundo turno pela primeira vez durante a campanha. Flávio tem 42% das intenções de voto, enquanto Lula registra 40%.
Também os agentes aguardam a sessão plenária extraordinária marcada para amanhã, no STF, que irá decidir se abre ou se arquiva a investigação de mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
Após o senador Flávio Bolsonaro se tornar alvo de inquérito no STF para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, o ministro Flávio Dino retirou o sigilo da investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo sobre o filme.
Na sexta-feira, o prazo de 24 horas dado pelo presidente do STF, Edson Fachin, para que o ministro André Mendonça removesse todo o sigilo sobre o caso Master provocou aversão a risco nos mercados brasileiros. O Ibovespa, por exemplo, fechou em baixa de 0,56%, aos 187.206,89 pontos, mas defendeu alta semanal (+1,11%) – a quarta seguida.
Às 11h15, o Índice Bovespa cedia 1,35%, aos 184.631,36 pontos, enquanto os juros futuros e o dólar subiam. Investidores ainda digerem o boletim Focus. O Ibovespa abriu com recuo de 0,01%, aos 187.187,74 pontos, foi à máxima de 187.320,96 pontos (+0,06%) e depois à mínima (183.813,36 pontos; +0,06%). Em Dalian, na China, o minério de ferro caiu 1,6%. As ações da Vale cediam 2,46%, contaminando todo o setor metálico. Já Petrobrás subia 0,9%, enquanto bancos recuavam acima de 1%.
Em tempo: a B3 passa a divulgar hoje uma versão do Ibovespa calculada em dólares. O novo indicador permitirá acompanhar o desempenho do principal índice da Bolsa brasileira também na moeda norte-americana.