Lagarde: Normandia enfrenta novos desafios em um mundo em transformação
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Por Agência Estado
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, destacou em seu discurso no evento Fête de la Pomme 2026, em Épreville-en-Lieuvin, na França, a importância da Normandia como exemplo de integração e sucesso europeu. Segundo ela, a União Europeia tem sido crucial para proteger e promover as particularidades regionais, transformando-as em forças globais, mas ressaltou que a Normandia, assim como outras partes do continente, está enfrentando novos desafios em um mundo em mudança.
A exemplo disso, Lagarde citou o Calvados, famosa aguardente de maçã destilada, típica da Normandia, que se beneficia do mercado interno europeu e das indicações geográficas que protegem seu valor e autenticidade. “No entanto, seus produtores, como muitas empresas na Normandia, dependem de clientes muito além da região. Pequenas empresas baseadas aqui exportaram bens no valor de quase 10% do PIB da região em 2022 – um valor acima da média nacional. Os Estados Unidos foram seu maior destino de exportação”, observou.
A presidente do BCE ressaltou que, no ano passado, cerca de metade de todo o Calvados foi vendido fora da França, e sete em cada dez garrafas exportadas foram para outros países da UE. “Essa base de clientes, livre de direitos aduaneiros internos, dá às forças regionais a escala para crescer”, disse.
Além disso, ela aponta que as indicações geográficas europeias fornecem proteção em todo o Mercado Único e acordos internacionais estendem essa proteção ainda mais para o exterior, como na China. “A Europa ajuda a garantir que as regiões possam continuar a desenvolver novas forças, especialmente através de seus fundos estruturais. A Normandia foi alocada com mais de 1 bilhão de euros em financiamento europeu para o período de 2021 a 2027, para projetos principalmente geridos aqui, pela região”, afirmou.
Lagarde também abordou os desafios enfrentados pela Normandia e outras regiões europeias em um mundo cada vez mais volátil, marcado por conflitos geopolíticos e mudanças tecnológicas. De acordo com ela, as empresas da zona do euro viram as exportações sujeitas a tarifas dos EUA caírem quase um quinto desde o início do ano passado, o que teve impacto também nas famílias diante de preços mais altos para energia e alimentos.
“A economia de amanhã está sendo construída em serviços, e em serviços digitais acima de tudo. Essa é a parte da nossa economia onde nosso Mercado Único está menos desenvolvido”, disse.
A presidente do BCE ressaltou ainda a importância de unir forças locais e europeias para enfrentar os desafios futuros. Ela chamou a atenção para a necessidade de continuar investindo em energia de baixo carbono e em tecnologias emergentes, como a inteligência artificial, para assegurar um futuro econômico sustentável e próspero para a Europa.
“A região está gerando eletricidade de baixo carbono hoje e construindo as turbinas que expandirão o fornecimento amanhã. Mas para que a Normandia se beneficie plenamente, a Europa precisa se unir. Ter muita energia é apenas o começo”, acrescentou.