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Masp abre passagem subterrânea com obra imersiva de Beatriz Milhazes

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O espaço que liga o prédio histórico do museu ao anexo inaugurado em março de 2025 abriu oficialmente a partir desta sexta-feira, 11 de setembro.

Por Agência Estado

Por cima, o concreto, o barulho e a correria da Avenida Paulista. Abaixo, um carnaval de cores a serem apreciadas com calma. Essa é a ideia da obra Pietrolina, concebida por Beatriz Milhazes (1960, Rio de Janeiro) especialmente para a passagem subterrânea que conecta os edifícios Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi, que compõem o Masp, o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand.

O espaço que liga o prédio histórico do museu ao anexo inaugurado em março de 2025 abriu oficialmente a partir desta sexta-feira, 11 de setembro. Agora, quem visitar o Masp não precisa mais sair do museu para transitar entre os dois edifícios. De bônus, ganha a oportunidade de conferir o mural inédito concebido especialmente para o espaço e batizado em homenagem ao casal fundador do museu.

Segundo Beatriz, o conceito da obra partiu da ideia de um desfile de carnaval, remetendo aos ritmos e cores vibrantes. Cada espaço pode representar uma espécie de ala, digamos assim, com não só diferenças cromáticas, mas também presença de diferentes símbolos e formas.

O ponto de partida foi um fragmento de Avenida Paulista, obra de Beatriz concebida e doada para o acervo do Masp em 2020 a partir da exposição Beatriz Milhazes: Avenida Paulista, maior mostra sobre a artista até então, que ficou em cartaz por seis meses no museu paulistano com mais de 170 obras.

A passagem tem cerca de 50 metros, mas o trabalho tem cerca de 98 metros, ocupando as duas paredes do local. De um lado, uma pintura de 60 metros composta por um conjunto de cores vibrantes e elementos geométricos diversos, traço característico do trabalho da artista. Do outro, 38 metros de elementos reflexivos dourados presos a uma parede em azul marinho acompanham o caminho do visitante.

“Acho que uma das razões pela quais fui convidada foi não só por eu estar fazendo muitos, mas também por poder trazer um momento de um alegria e de cor para as pessoas. A arte pode fazer você pensar diferente e a cor vai direto às suas emoções, aos seus sentimentos”, afirma Beatriz.

A construção da passagem é um projeto de anos do Masp. A inauguração precisou ocorrer depois da do edifício Pietro Maria Bardi justamente pela complexidade do projeto. Para não atrapalhar a circulação na Paulista, o espaço foi construído “de cima para baixo”, começando pela construção do teto do túnel para, depois, realizar a escavação. A obra foi liderada pelo METRO Arquitetos Associados, mesmo escritório responsável pelo anexo.

O projeto estava em desenvolvimento desde 2019 e precisou de aprovação de órgãos como o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), o Metrô de São Paulo, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) e a Siurb (Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras). Além disso, exigiu mudanças na infraestrutura de concessionárias de água e esgoto, energia e telefonia.

“Nós não estamos mais chamando esse espaço de túnel e sim de passagem e isso é muito simbólico. É uma passagem do prédio histórico para o prédio novo, do Lina para o Pietro, e, ao mesmo tempo, uma passagem de gestão”, diz Regina Teixeira de Barros, curadora e coordenadora do acervo do Masp.

Neste mês de setembro, Flávia Almeida, antes vice-presidente do museu, assume a presidência no lugar de Heitor Martins, que ficou 12 anos no cargo. Além disso, a inauguração também conclui o plano de expansão do Masp, que dobrou de tamanho com o novo edifício e a concessão do vão livre.

A curadoria da passagem subterrânea teve início há cerca de dois anos, quando o museu decidiu que aquele espaço também deveria servir a um propósito artístico e Adriano Pedrosa, diretor artístico do Masp, deu início às conversas com Beatriz – “não só uma das principais artistas brasileiras, mas também tem uma projeção internacional muito grande”, como destaca Regina.

Para a curadora, o trabalho da artista possibilita um contraste muito grande com o ambiente externo: “Essa passagem virou um espaço de prazer, tranquilidade, bem-estar. É muito colorido e foi criado para apaziguar a alma das pessoas. É um trabalho artístico muito feliz nesse sentido”.

Nascida, criada e formada no Rio de Janeiro, Beatriz diz que conceber a obra também foi uma possibilidade de unir duas cidades muito importantes em sua trajetória. “São duas cidades que se complementam e que me motivam de maneiras diferentes. Trazer a minha obra para esses dois marcos, o Masp e a Avenida Paulista, e tentar dialogar isso com o meu universo do Jardim Botânico, trazer um pouco dele para a cidade de São Paulo, está sendo uma alegria”, diz.

O desejo dela para o espaço é que as pessoas o saboreiem exatamente como fariam em um desfile: que diminuam o ritmo, prestem atenção. “Todo mundo tem uma vida atribulada aqui na Avenida Paulista. Gostaria que, quando entrassem aqui, conhecessem essa possibilidade de parar, reduzir, se acalmar, poder contemplar, poder vivenciar e experimentar todas essas relações cromáticas, formas e simbologias”, afirma.

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