Dólar vai a R$ 5,12 com temor do mercado de denúncias contra Flávio no caso Master
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Por Agência Estado
Após recuar pela manhã e oscilar ao redor da estabilidade no início da tarde, o dólar ganhou força nas últimas horas do pregão e terminou a sexta-feira, 11, em alta firme, na casa de R$ 5,12. A taxa de câmbio aproximou-se dos níveis de fechamento da sexta-feira passada, quando ainda não estava completamente delineado o quadro de empate técnico na corrida presidencial.
O gatilho para a busca pela moeda norte-americana foi a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, de pedir a liberação total do sigilo das investigações sobre o financiamento, pelo Banco Master, que era controlado por Daniel Vorcaro, ao filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente da República Jair Bolsonaro, atualmente cumprindo prisão domiciliar após ser condenado no ano passado a 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado.
Temores de que possam surgir novas denúncias contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao longo do fim de semana levaram investidores a adotar uma postura mais cautelosa. Houve expectativa também pela divulgação, no período da noite desta sexta, de nova pesquisa do Instituto Datafolha sobre a eleição presidencial, que pode confirmar a ascensão do candidato do PL nas intenções de voto.
“Com essa confusão no STF, é melhor ter alguma proteção com exposição maior em dólar. Não se sabe o que pode acontecer nos próximos dois dias”, afirma o operador sênior Fernando César, da AGK Corretora, em referência aos atritos entre ministros do STF, em especial Alexandre de Moraes e André Mendonça, em torno do caso Master.
Após tocar máxima de R$ 5,1330, o dólar à vista terminou a sessão em alta de 0,44%, a R$ 5,1254, reduzindo as perdas na semana a 0,11%. O real amargou nesta sexta o pior desempenho entre as moedas mais líquidas, seguido de perto pela rupia indiana.
A moeda norte-americana recua 1,06% em setembro, após valorização de 2,16% no mês passado. No ano, as perdas são de 6,62%.
Para o estrategista-chefe da Sincra, Gustavo Cruz, os indicadores de inflação aqui e nos EUA já justificariam uma depreciação do real, ao reforçar a perspectiva de que o desfecho da superquarta, 16, resultará em uma diminuição do diferencial de juros interno e externo.
“O CPI foi mais alto, consolidando a expectativa de alta pelo Federal Reserve. Já o IPCA mais fraco aumenta as chances de mais cortes de juros no Brasil, o que diminui a atratividade do carry trade”, afirma Cruz, lembrando que o real ainda aprecia mais de 1% no mês.
Indicador mais aguardado da semana, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) nos EUA em agosto veio em linha com as expectativas, mas seu núcleo – que exclui itens voláteis como alimentos e energia – avançou um pouco além do esperado.
Já no Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou deflação de 0,32% em agosto, com recuo mais intenso do que a mediana das estimativas do mercado financeiro coletadas pelo Projeções Broadcast, de queda de 0,29%.
Pela manhã, o dólar até ensaiou uma queda firme e tocou 5,0709 na mínima, com a tendência de valorização de divisas emergentes, que perdeu um pouco de força ao longo da tarde. O alívio nos preços do petróleo abriu espaço para um maior apetite ao risco, ao mitigar parte dos temores de escalada inflacionária, deixando o CPI em segundo plano. O contrato do Brent para novembro caiu 2,81%, mas manteve-se acima da marca dos US$ 100 o barril.
Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY subia 0,07% perto do fim da tarde, aos 99,115 pontos. O Dollar Index termina a semana em ligeira queda e recua cerca de 0,30% em setembro, em boa parte por conta da apreciação de mais de 3% do iene no mês, diante da perspectiva de aperto monetário no Japão e de intervenções para dar sustentação à moeda.
Para os analistas do banco ING, não haverá uma alta sustentada do DXY na esteira da provável alta de juros pelo Fed na semana que vem, que deve representar uma “recalibragem” da política monetária, e não o início de um ciclo de alta. “Nossa visão é de que o dólar cairá até o próximo ano, especialmente no segundo trimestre, quando à inflação estiver de volta à meta”, afirmam, em nota a clientes.