Andrei Rodrigues é notificado e deixa comando da PF; William Murad assume interinamente
Publicado em
Relacionadas:
Por Redação CGN
Atualizado em
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, foi oficialmente notificado nesta terça-feira (8) da decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou seu afastamento preventivo do cargo.
Com a comunicação formal da decisão, Andrei deixou o comando da corporação e o então diretor-executivo da PF, William Marcel Murad, assumiu interinamente a direção-geral.
A mudança ocorre poucas horas depois de a Segunda Turma do Supremo formar maioria para manter a decisão de Mendonça. Além de Andrei, também foi afastado o diretor de Inteligência da Polícia Federal, Leandro Almada da Costa.
Número 2 assume comando da PF
William Murad era o número 2 da Polícia Federal e considerado um dos principais auxiliares de Andrei Rodrigues. Ele ocupa a Diretoria-Executiva desde janeiro de 2025 e ingressou na corporação em 2002.
Murad já exerceu funções de chefia em áreas como inteligência e tecnologia da informação e também atuou como adido da Polícia Federal no Reino Unido entre 2021 e 2024. Sua chegada ao comando interino é vista, neste primeiro momento, como um sinal de continuidade administrativa na direção da corporação.
Antes mesmo de assumir interinamente, Murad fez uma defesa pública da atual gestão da PF durante a abertura de um curso de formação de agentes na Academia Nacional de Polícia, em Brasília.
Andrei estava no local e participaria da cerimônia, mas deixou de comparecer ao auditório após tomar conhecimento da decisão de Mendonça.
No discurso, Murad afirmou que a Polícia Federal atua de maneira técnica, imparcial e sem viés político. Também declarou confiança em Andrei Rodrigues e disse que a corporação não se deixaria abalar pelo momento de crise.
STF já tem maioria pelo afastamento
Mais cedo, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal formou maioria para manter o afastamento determinado por André Mendonça.
Além do próprio relator, os ministros Luiz Fux e Nunes Marques anteciparam seus votos e acompanharam a decisão, formando maioria de três votos no colegiado de cinco ministros.
O julgamento, entretanto, ainda não foi formalmente concluído porque o ministro Gilmar Mendes pediu vista, ou seja, mais tempo para analisar o processo.
Mesmo com a suspensão do julgamento, a decisão cautelar de Mendonça continua produzindo efeitos, razão pela qual Andrei e Leandro Almada foram afastados de suas funções.
Por que Mendonça determinou os afastamentos?
A decisão está relacionada à produção de relatórios de inteligência da Polícia Federal envolvendo autoridades.
Mendonça afirmou ter sido alvo de monitoramento ilegal por mais de 30 dias. Segundo o ministro, o advogado-geral da União, Jorge Messias, também teria sido monitorado.
O ministro determinou ainda que a Corregedoria da Polícia Federal abra investigações criminais e procedimentos administrativos para apurar a elaboração e a circulação dos documentos. Também ordenou a interrupção da produção e do compartilhamento de relatórios de inteligência destinados à análise de atos praticados no exercício das funções constitucionais do Judiciário e da advocacia pública.
A existência dos relatórios ganhou dimensão dentro do Supremo após Alexandre de Moraes utilizar um deles para pedir investigação contra Mendonça por supostos abusos cometidos na condução das apurações relacionadas à Operação Compliance Zero.
A operação investiga suspeitas de corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias relacionadas ao Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
AGU prepara recurso
Enquanto a mudança ocorre no comando da Polícia Federal, o governo federal prepara uma tentativa de reverter a decisão.
A Advocacia-Geral da União (AGU) decidiu recorrer ao Supremo contra o afastamento de Andrei Rodrigues.
Entre os argumentos avaliados está o de que a decisão judicial teria atingido uma competência privativa da Presidência da República relacionada à nomeação e à exoneração do diretor-geral da Polícia Federal. A estratégia jurídica do recurso ainda estava sendo definida nesta terça-feira.
Até o momento, não há decisão suspendendo o afastamento.
Assim, enquanto o recurso não for apresentado e eventualmente acolhido pelo Supremo, William Marcel Murad permanece à frente da Polícia Federal de forma interina.
O caso continua em análise no STF e ainda poderá ter novos desdobramentos com a devolução do processo por Gilmar Mendes ou com a apresentação do recurso do governo federal.