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IBGE: plataformizados trabalham 5,4 horas a mais que outros trabalhadores do setor privado

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A pesquisa investigou o perfil socioeconômico e as condições de trabalho em aplicativos de transporte particular de passageiros, aplicativos de entrega de comida e produtos e aplicativos de serviços gerais ou profissionais.

Por Agência Estado

Os trabalhadores em plataformas de serviços cumpriam uma jornada média de 44,7 horas semanais em 2025, o que representa 5,4 horas a mais do que a jornada dos demais trabalhadores ocupados do setor privado, de 39,3 horas. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: Trabalho por meio de plataformas digitais 2025, divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A pesquisa investigou o perfil socioeconômico e as condições de trabalho em aplicativos de transporte particular de passageiros, aplicativos de entrega de comida e produtos e aplicativos de serviços gerais ou profissionais.

Embora a jornada média semanal dos profissionais de aplicativo tenha registrado uma redução gradual de 1,7 horas desde 2022, quando era de 46,4 horas, ela permanece substancialmente superior à do mercado de trabalho não plataformizado.

O rendimento médio dos trabalhadores de plataformas, por sua vez, ficou em R$ 3.147, praticamente igual ao de trabalhadores do mercado tradicional (R$ 3.148). Como consequência, o rendimento-hora médio do trabalhador de aplicativos ficou em R$ 16,2 por hora, 12% inferior ao das demais ocupações (R$ 18,4/hora).

“Mesmo que os trabalhadores de aplicativos tivessem maior flexibilidade para trabalhar, para escolher onde e quando trabalhar, ainda assim a jornada de trabalho era maior”, destacou Gustavo Geaquinto Fontes, analista do IBGE.

O total apurado de rendimentos e horas considera tanto os trabalhadores formais (com carteira assinada) quanto os informais (sem carteira assinada) do mercado tradicional e das plataformas. O IBGE também analisou a renda em relação às horas trabalhadas dos motoristas de aplicativos e motociclistas.

Os motoristas de aplicativo receberam, em média, R$ 2.873. O valor é 2,4% superior ao recebido pelos demais motoristas, que ganharam R$ 2.805. No entanto, o profissional de aplicativo trabalhou 5,5 horas a mais por semana do que os demais.

Como consequência, o rendimento-hora dele era de R$ 14,4, valor 11,1% inferior ao dos motoristas tradicionais (R$ 16,0/hora). Mesmo quando comparados aos motoristas tradicionais informais, que ganharam, em média, R$ 15,7/hora, os plataformizados ainda ganhavam menos por hora trabalhada.

No caso dos motociclistas, os condutores por aplicativo registraram rendimento mensal de R$ 2.221, valor 23,3% maior que os R$ 1.802 dos motociclistas em trabalhos tradicionais.

Sob a ótica do rendimento-hora, os R$ 11,4 recebidos pelos profissionais de aplicativos superavam em 12,9% os R$ 10,1 dos trabalhadores fora das plataformas.

Segundo o IBGE, a aparente vantagem salarial só existe porque o mercado de motociclistas não plataformizados é puxado para baixo pelo contingente informal, que ganha apenas R$ 9,0 por hora trabalhada. Os motociclistas tradicionais que atuavam com carteira assinada (no mercado formal) ganhavam R$ 12,1 por hora, superando o ganho por hora das plataformas, além de contarem com a cobertura previdenciária e direitos trabalhistas

Renda estagnada

O rendimento médio mensal recebido pelos trabalhadores de plataformas ficou praticamente estável entre 2025 e 2022, quando o estudo foi feito pela primeira vez. Em valores absolutos, o rendimento médio desse grupo evoluiu de R$ 3.115 em 2022 para R$ 3.151 em 2024, recuando levemente para R$ 3.147 em 2025.

Em contrapartida, o rendimento médio dos demais trabalhadores do setor privado expandiu 10,6% no mesmo intervalo, quando passou de R$ 2.847 em 2022 para R$ 3.148 em 2025.

Segundo o IBGE, a trajetória eliminou a vantagem de rendimento que os trabalhadores por aplicativo apresentavam no início da série histórica, que chegou a 9,4% a favor dos plataformizados frente aos não plataformizados.

O resultado geral foi influenciado pela estabilização do rendimento de motoristas e motociclistas, explica o técnico do IBGE: “As duas categorias representam cerca de três quartos do total de plataformizados. E não houve, nesse período, nenhum ganho real para o condutor de automóvel e para o motociclista por aplicativo. Isso respondeu, em parte, pela estagnação do rendimento dos plataformizados”.

Segundo Fontes, a estagnação pode estar relacionada, entre outros fatores, à maior oferta de trabalho e ao aumento do contingente de pessoas disputando corridas e entregas nas plataformas digitais

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