Delegado revela detalhes da morte de Marcio Lenhart: “Um tropeção gerou isso tudo”
Publicado em
Relacionadas:

Por Diego Cavalcante
Atualizado em
A Delegacia de Homicídios de Cascavel esclareceu detalhes da investigação sobre o homicídio de Márcio Cristiano de Almeida Lenhart, de 32 anos, morto após ser esfaqueado durante uma briga em um bar no Assentamento Valmir Mota, na área rural de Cascavel.
Em entrevista, o delegado Fabiano Moza explicou que o crime ocorreu no dia 9 de agosto de 2026 e teria começado após um desentendimento considerado banal. Márcio estava jogando sinuca quando teria tropeçado no pé do investigado, que estava com as pernas estendidas.
Segundo o delegado, os dois homens não se conheciam anteriormente e estavam sob efeito de álcool.
“Parece ser um motivo totalmente banal. É razão de um tropeço durante uma partida de sinuca. Começou com isso e teve esse destino trágico”, afirmou Fabiano Moza.
Conforme a investigação, após o primeiro desentendimento, o investigado deixou o bar e foi até sua motocicleta, onde teria pegado uma faca de caça. A vítima teria ido ao encontro dele na área externa do estabelecimento, momento em que ocorreu a briga.
Quando outras pessoas retiraram o investigado de cima da vítima, Márcio já apresentava diversas perfurações provocadas por arma branca.
O Laudo de Necropsia apontou 11 lesões em diferentes regiões do corpo, incluindo tórax, cabeça, dorso, mão e cervical. Uma das lesões na mão foi considerada típica de defesa. O ferimento fatal atingiu a região superior do ombro esquerdo, provocando lesões em vasos arteriais e, posteriormente, choque hemorrágico.
Márcio foi socorrido e encaminhado ao Hospital Universitário do Oeste do Paraná (Huop), mas não resistiu aos ferimentos.
Crime teria sido cometido sob efeito de álcool
O delegado explicou que, pelas imagens analisadas durante a investigação, os dois envolvidos aparentavam estar bastante embriagados.
Fabiano Moza destacou que crimes dessa natureza, ocorridos em bares durante discussões momentâneas, geralmente não apresentam planejamento prévio e podem envolver armas que estejam à disposição do agressor.
“Geralmente, a pessoa sob efeito de álcool toma uma atitude inesperada no momento. São esses crimes momentâneos, uma discussão, uma briga de trânsito. Em bares, geralmente, é usada faca”, explicou.
O delegado também descartou, até o momento, a hipótese de uma desavença anterior entre os envolvidos. Segundo ele, vítima e investigado não se conheciam antes daquela noite.
Suspeito deixou a região após o crime
Após o homicídio, o investigado deixou o assentamento onde morava e não foi mais localizado inicialmente pela polícia.
Com o avanço das diligências, os investigadores descobriram que ele estaria escondido em Assis Chateaubriand, no Oeste do Paraná. Após levantamento do possível paradeiro e vigilância velada, equipes da Delegacia de Homicídios foram até a cidade nesta quarta-feira (2).
O homem, de 38 anos, foi localizado e preso por volta das 12h30, em cumprimento a um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça.
Ele foi encaminhado à Delegacia de Homicídios de Cascavel, onde foi interrogado.
Investigado confessou o crime
Durante o interrogatório, segundo o delegado, o homem confessou ter cometido o homicídio. Entretanto, afirmou que não se recorda integralmente da dinâmica da ocorrência, alegando que estava sob efeito de bebida alcoólica no momento dos fatos.
O delegado também informou que o investigado possui antecedente relacionado a uma ocorrência de violência contra a esposa, registrada em 2025, que posteriormente teve a classificação alterada para tentativa de feminicídio.
Câmeras ajudaram a esclarecer a dinâmica
A investigação contou com imagens de câmeras de segurança, depoimentos de testemunhas e outros elementos probatórios.
Segundo Fabiano Moza, uma das câmeras registrou a discussão dentro do estabelecimento, inclusive o momento em que a vítima teria tropeçado no pé do investigado. Os golpes de faca, porém, ocorreram na área externa do bar e foram registrados por outra câmera.
O delegado explicou ainda que havia uma câmera externa no local, mas o equipamento não armazenava as imagens, apenas transmitia em tempo real. Por isso, as imagens utilizadas na investigação são provenientes do sistema interno que registrou parte da ocorrência.
Com a prisão preventiva, o investigado permanece à disposição da Justiça. A Delegacia de Homicídios informou que tem prazo de dez dias para concluir o inquérito e encaminhá-lo ao Ministério Público, que deverá analisar as providências cabíveis.