Aldir Blanc: 80 anos de um compositor que transformou o Brasil em verso
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Por Redação
Alguns compositores escrevem músicas. Aldir Blanc escrevia gente.
Nascido em 2 de setembro de 1946, no Rio de Janeiro, o compositor e escritor faria 80 anos nesta quarta-feira (2). Ao longo de mais de cinco décadas dedicadas à arte, transformou cenas do cotidiano, personagens, política, boemia e sentimentos em algumas das letras mais marcantes da música popular brasileira.
Sua parceria com João Bosco, iniciada nos anos 1970, produziu uma coleção de clássicos. Entre eles está O Bêbado e a Equilibrista, eternizada na voz de Elis Regina e transformada em um dos símbolos musicais da luta pela anistia durante a ditadura militar. Também vieram O Mestre-Sala dos Mares, Bala com Bala, Linha de Passe, Dois Pra Lá, Dois Pra Cá e Corsário.
O cronista que cabia dentro da música
Aldir Blanc tinha uma característica rara: conseguia fazer uma canção parecer uma conversa de esquina.
Sua escrita era sofisticada sem perder o contato com a rua. Os personagens tinham defeitos, desejos, contradições e histórias. O amor aparecia, mas também apareciam a política, a desigualdade, a cultura popular e aquele cotidiano brasileiro que quase sempre passa despercebido até alguém transformá-lo em verso.
Além da música, Blanc também construiu uma trajetória como cronista e escritor. A própria Fundação Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro mantém registros de sua obra em diferentes acervos, incluindo documentos sonoros, textuais, audiovisuais e iconográficos.
Uma obra que não ficou no passado
Aldir Blanc morreu em 4 de maio de 2020, aos 73 anos, vítima da Covid-19. Seu nome, porém, continuou presente na cultura brasileira. Em 2020, a Lei Federal nº 14.017, conhecida como Lei Aldir Blanc, recebeu seu nome em homenagem ao compositor e destinou recursos emergenciais ao setor cultural durante a pandemia.
O curioso é que, mesmo décadas depois de algumas de suas principais canções terem sido escritas, os personagens de Aldir continuam reconhecíveis.
Talvez esse seja o maior sinal de uma obra que realmente atravessa o tempo: o Brasil muda, mas ainda encontra pedaços de si mesmo nas músicas que ele deixou.