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Diálogo mostra que Moraes se incomodou com destaque que seria dado a Tarcísio em evento

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De acordo com as conversas, Tarcísio sequer havia confirmado presença no evento.

Por Agência Estado

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, se incomodou com o destaque que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), teria em um evento realizado em Londres no ano de 2025. A informação consta em uma mensagem enviada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro a uma assessora responsável por organizar o programa do II Fórum Jurídico Londres Brasil.

De acordo com as conversas, Tarcísio sequer havia confirmado presença no evento. Posteriormente, o fórum, que seria organizado pelo Master, pelo site Consultor Jurídico e pelo Grupo Voto, foi cancelado.

A assessoria de imprensa de Tarcísio disse que ele “nunca teve participação prevista no evento citado e tampouco manteve qualquer relação com Daniel Vorcaro”. A assessoria Moraes e a defesa de Vorcaro não se posicionaram até a publicação deste texto. O espaço segue aberto.

O Grupo Voto afirmou que “com as denúncias envolvendo o Master à época, que era um dos patrocinadores do evento, o Grupo Voto decidiu pelo cancelamento” do fórum. O diretor do site Consultor Jurídico, Márcio Chaer disse que atuou na organização do evento na edição de 2024, mas que em 2025 declinou do convite. Segundo ele, o Conjur recebeu o patrocínio do Master, na época, assim como outros veículos de comunicação.

As conversas de Vorcaro com a assessora foram reproduzidas no relatório da Polícia Federal cujo sigilo foi levantado pelo ministro André Mendonça nesta terça-feira, 1º.

“Alexandre reclamou MUITO do evento. Muito”, disse o banqueiro à assessora no dia 21 de julho de 2025. “O que houve? Do programa?”, questiona ela.

“Sim. Tudo. Que tá desorganizado. Ninguém sabe de nada. Que colocamos Tarcísio em destaque”, responde Vorcaro. A PF identificou Alexandre como o ministro Alexandre de Moraes. “Podemos mudar tudo que ele quiser. Tarcísio não confirmou”, devolve a assessora.

Tarcísio era visto como um dos aliados de Jair Bolsonaro (PL) com mais trânsito junto ao STF e a Moraes. Meses depois da mensagem de Vorcaro, ele chamou Moraes de “ditador” durante a manifestação de 7 de Setembro na Avenida Paulista e disse que ninguém aguentava mais a “tirania” do magistrado.

O julgamento da trama golpista, que terminou com a condenação de Bolsonaro, havia começado dias antes. No início de 2026, Tarcísio se reuniu com Moraes e outros ministros do STF para defender que o ex-presidente fosse transferido para prisão domiciliar, o que ocorreu.

Nesta segunda, Tarcísio classificou como “grave” a notícia revelada pelo Estadão de que Moraes editou a última versão de um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master. O governador defendeu uma “apuração rigorosa” dos fatos.

“É grave o que está aparecendo, o que o Estadão revela. Entendo que isso tem que ser investigado. Existem inquéritos que estão aí com o ministro André Mendonça, e tudo isso tem que ser passado a limpo, tem que ficar às claras”, disse ele em entrevista após um evento de campanha pela manhã em São Paulo.

As mensagens de Vorcaro reproduzidas pela PF indicam que as principais decisões sobre o evento, como quem seriam os palestrantes e em que ordem eles falariam, passariam por Moraes.

Em 25 de fevereiro de 2025, uma assessora de Vorcaro envia ao banqueiro uma imagem com o convite para o evento que seria enviado ao próprio Moraes e a outras autoridades, como o advogado-geral da União, Jorge Messias, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).

“Está ok?”, pergunta a assessora. “Não. Deixa eu aprovar com alexandre. Os dois textos”, responde Vorcaro.

Em 6 de março, a mesma assessora volta ao assunto: “O min Alexandre já está mandando save the date, segundo Andrei me disse”. Dias depois, Vorcaro diz a ela que “Alexandre” reclamou que várias pessoas não receberam o convite para o evento.

Uma série de mensagens sobre o evento são trocadas nas semanas seguintes. Em 18 de julho, a assessora questiona se Antonio Rueda, presidente do União Brasil, poderia ser o moderador de um painel porque o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, recusou o convite.

“De jeito nenhum. Alexandre morre se vc fizer isso. Alias (sic) nos mata”, responde Vorcaro. “Ele manda colocar tornozeleira”, disse a assessora na tréplica.

Em 22 de julho, a mesma assessora diz que “passou o dia aqui com Vivi Moraes e o ministro fechando o programa do evento”. Porém, duas semanas depois, em 2 de agosto, o evento é cancelado.

“Ontem o grupo voto – Karin – deu trabalho com relação ao cancelamento/postergação. Que eh uma vergonha, que o nome dela está em jogo. Bla bla bla. Que o Alexandre manda e desmanda”, disse a assessora a Vorcaro.

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