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Corinthians faz 116 anos: do lampião no Bom Retiro à paixão que virou religião nacional

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Quatro anos depois, chegou o vizinho O Corinthians nasceu em 1910.
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Foto: Agência Corinthians

Por Redação

O Corinthians completa 116 anos nesta terça-feira (1º), e talvez seja difícil explicar o tamanho do clube sem cometer algum exagero. Afinal, estamos falando de um time fundado em 1910, por cinco operários, sob a luz de um lampião, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo.

Era para ser só um clube de futebol.

Não foi.

Quatro anos depois, chegou o vizinho

O Corinthians nasceu em 1910. Quatro anos depois, em 1914, surgiu o Palestra Italia, que décadas mais tarde se tornaria o Palmeiras. A rivalidade demorou pouco para encontrar endereço: o primeiro Derby aconteceu em 1917, com vitória do Palestra por 3 a 0.

Desde então, São Paulo ganhou uma das rivalidades mais conhecidas do futebol brasileiro.

E até aniversário virou provocação: o Palmeiras comemorou seus 112 anos no dia 26 de agosto. Seis dias depois, é a vez do Corinthians. Porque aparentemente uma semana de paz entre os dois já seria pedir demais.

Mais do que taças

A história corintiana também passa por algo que não cabe em uma sala de troféus.

Nos anos 1980, a chamada Democracia Corinthiana transformou o clube em símbolo de participação política e redemocratização. Liderado por jogadores como Sócrates, o movimento fazia com que decisões internas fossem tomadas por votação envolvendo atletas, funcionários e comissão técnica. Em 1984, o time chegou a entrar em campo com a mensagem “Diretas-Já” estampada na camisa.

Foi futebol falando de política em uma época em que falar de política podia custar caro.

E talvez seja justamente aí que esteja uma parte da explicação para o tamanho do Corinthians: o clube deixou de representar apenas quem queria saber quem faria o gol.

Um gigante vivendo um paradoxo

Dentro de campo, o Corinthians chega ao aniversário depois de uma sequência recente de conquistas. Em 2025, ganhou o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil. Em fevereiro de 2026, levantou também a Supercopa Rei.

Fora dele, porém, a realidade é bem menos festiva.

O clube atravessa uma grave crise financeira, com dívidas bilionárias, atrasos e restrições para contratar jogadores. Em agosto, o Corinthians completou 100 dias de transfer ban, com cerca de R$ 21,5 milhões em dívidas que impediam novos registros.

É o velho paradoxo corintiano: um clube enorme o suficiente para mobilizar milhões de pessoas, mas que ainda precisa descobrir como fazer esse tamanho caber nas contas.

E talvez seja justamente por isso que o aniversário do Corinthians seja menos sobre uma data e mais sobre identidade.

O clube nasceu pequeno, entre operários e um lampião. Cresceu até virar campeão mundial, personagem político, fenômeno cultural e uma paixão que ultrapassou São Paulo.

No fim, 116 anos depois, continua sendo difícil explicar o Corinthians para quem não é corintiano.

Para quem é, geralmente não precisa explicar.

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