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Recall do Kwid: motorista de Cascavel processa Renault e recebe R$ 5 mil em acordo

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Concessionária Open Veículos se recusou a entregar laudo técnico comprovando que o eixo traseiro do carro estava seguro após o recall; mesma cláusula de acordo já apareceu em outro caso da Renault em Cascavel, envolvendo uma van avaliada em R$ 131,7 mil.
Imagem referente a Recall do Kwid: motorista de Cascavel processa Renault e recebe R$ 5 mil em acordo
Foto: Reprodução/CGN

Por Redação CGN

Atualizado em

Um motorista de Cascavel entrou na Justiça contra a Renault do Brasil e a concessionária Open Veículos depois que a empresa se recusou a entregar um laudo técnico comprovando que o recall do eixo traseiro do seu Kwid havia sido feito corretamente. O caso, que tramitou no 1º Juizado Especial Cível de Cascavel, terminou em acordo: a Renault pagou R$ 5.000,00 ao motorista, sem reconhecer que o veículo tinha algum problema.

O carro, um Kwid ano/modelo 2023, foi convocado pela Renault para um recall depois que a montadora identificou risco de fissura no “suporte do eixo traseiro” — peça que, se quebrar, pode causar acidente grave.

Recall apontou risco no eixo traseiro do Kwid

O motorista levou o carro à Open Veículos no dia 13 de janeiro deste ano para fazer o serviço. Horas depois, foi informado de que o veículo estava pronto — mas que a peça não havia sido trocada, porque a inspeção não encontrou avaria.

Diante da gravidade do defeito apontado pelo próprio recall, ele pediu um laudo técnico que comprovasse a segurança do componente, com os testes feitos para descartar risco de fissuras que não aparecem a olho nu.

Concessionária recusou entregar laudo técnico

Segundo mensagens trocadas por WhatsApp entre o motorista e a concessionária, a Open Veículos afirmou que “foi realizada a inspeção, porque não foi encontrado nenhuma avaria” e que o resultado “fica registrado no chassi do veículo”. Quando o cliente insistiu em receber o laudo por escrito, a empresa disse que só poderia enviar a cópia da ordem de serviço — não o laudo técnico pedido.

Em outra mensagem, a concessionária afirmou que “a avaliação é feita pela Renault, o sistema que nos informa se será feito inspeção ou alguma intervenção”, repassando a responsabilidade pela análise técnica à montadora.

Cliente recusou retirar o carro sem garantia por escrito

Sem o laudo, o motorista se recusou a buscar o veículo. Em uma das mensagens, escreveu que só retiraria o carro quando a montadora garantisse, por escrito, que ele estava com “a segurança intacta, sem qualquer intervenção”, afirmando que, depois de ver relatos de outros casos, não andaria com o carro sem essa confirmação oficial.

Sem resposta após notificação extrajudicial às duas empresas, ele entrou com ação de obrigação de fazer cumulada com pedido de indenização por danos morais, no dia 23 de janeiro. Na petição, pediu que a Justiça obrigasse Renault e Open Veículos a trocar a peça ou apresentar laudo técnico assinado por engenheiro em até cinco dias, além de um carro reserva enquanto o caso não fosse resolvido.

Outros donos de Kwid relataram problema parecido

A ação citou reclamações de proprietários de Kwid em diferentes cidades do país — como Uberlândia (MG), Santo André (SP) e Betim (MG) — registradas no site Reclame Aqui, relatando situações semelhantes: eixo traseiro trincado, recusa da concessionária em fornecer laudo técnico e falta de carro reserva durante o reparo.

Recall do Kwid termina em acordo, sem reconhecimento de defeito

Em julho, antes de o processo ser julgado, as partes fecharam acordo. Segundo o documento homologado pela Justiça, a Renault se comprometeu a pagar R$ 5.000,00 ao motorista “por mera liberalidade, sem reconhecimento dos fatos que lhe foram imputados na presente demanda”, com o objetivo de encerrar o litígio e manter a relação com o cliente. Em troca, o motorista deu quitação total sobre o caso e desistiu de qualquer recurso.

É importante destacar que o acordo não representa reconhecimento de culpa ou confirmação de defeito por parte da Renault — isso consta expressamente no próprio documento judicial. O caso foi resolvido de forma individual, para aquele veículo e aquele cliente, e não altera a orientação oficial do recall nem representa uma resposta da montadora aos relatos de outros proprietários citados no processo.

Não é caso isolado

A CGN identificou que a mesma cláusula — pagamento “por mera liberalidade, sem reconhecimento dos fatos” — também apareceu em outro acordo fechado pela Renault em Cascavel, envolvendo uma locadora e uma Renault Master que teria apresentado falha no motor 14 dias após o fim da garantia. Nesse outro caso, homologado em agosto, o valor acertado foi de R$ 131.717,25, e a Open Veículos também aparece entre as concessionárias citadas no processo. Não é possível afirmar quantos acordos desse tipo a montadora fechou ao todo neste ano, mas os dois casos mostram que a formulação se repete quando a Renault decide encerrar disputas na Justiça sem assumir responsabilidade pelos fatos apontados pelos consumidores.

A reportagem mantém espaço aberto para manifestação da Renault do Brasil e da Open Veículos sobre o caso.

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