Presidente de projeto não nega venda de bebidas em área cedida pela Prefeitura

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Coordenador do projeto Acredite Futebol Clube diz que Prefeitura não custeia despesas da entidade, que seria mantida por “doações”.
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Foto: Reprodução/CGN

Por Luiz Haab

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A Prefeitura de Cascavel afirma que está apurando as denúncias relacionadas a uma área pública utilizada pela Arena Acredite, no bairro Recanto Tropical. O Município informou que todas as reclamações recebidas estão sendo investigadas e que medidas administrativas poderão ser adotadas caso sejam constatadas irregularidades. A resposta, porém, não detalha quais fiscalizações já foram realizadas no endereço nem quais providências foram tomadas diante das reclamações apresentadas anteriormente.

O espaço, localizado na Avenida Guaíra, pertence ao Município e está sob responsabilidade administrativa da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (Semel). Em 2025, a Prefeitura autorizou a utilização da área pela Associação Acredite Futebol Clube. O imóvel é destinado a três campos de futebol e vestiários e, conforme o termo de autorização, deveria ser utilizado para atividades esportivas e desenvolvimento do Projeto Acredite.

O documento que regulamenta a utilização estabelece algumas restrições. Entre elas está a proibição do consumo de bebidas alcoólicas e da comercialização de produtos por vendedores ambulantes. O termo também determina que não podem ser cobrados valores dos participantes pelas atividades esportivas. Em caso de descumprimento, estão previstas medidas como o cancelamento da autorização e multa equivalente a cinco salários mínimos nacionais.

Dê um play no vídeo abaixo e assista à denúncia publicada pela CGN.

A discussão sobre o funcionamento do espaço não é recente. Documentos analisados pela CGN mostram que reclamações já haviam sido encaminhadas aos órgãos públicos antes da reportagem publicada nesta semana.

Em abril de 2025, a Polícia Militar foi acionada durante a madrugada após uma ocorrência de perturbação do sossego. Um morador relatou, conforme o boletim, que já havia registrado outros boletins contra a associação e que os episódios teriam voltado a acontecer com frequência.

No mês seguinte, uma denúncia anônima foi registrada na Ouvidoria Municipal. O relato mencionava suposto aluguel do espaço para eventos, ausência de alvará, consumo de bebidas alcoólicas, barulho e a existência de diversos boletins de ocorrência.

Em junho, uma nova manifestação foi protocolada. O denunciante afirmou que uma reclamação anterior havia sido encerrada, mas que, segundo ele, as situações relatadas continuavam ocorrendo normalmente no local.

O caso também chegou à Justiça. Um Termo Circunstanciado tramita no 1º Juizado Especial Criminal de Cascavel tendo como assunto a perturbação do trabalho ou do sossego alheios. Segundo manifestação do Ministério Público, o procedimento foi instaurado, em tese, pela contravenção prevista no artigo 42, inciso I, da Lei das Contravenções Penais. Diego Lazzarotto aparece no processo como autor do fato investigado.

Prefeitura confirma cessão, mas não detalha providências

Diante das informações, a CGN questionou a Prefeitura sobre a responsabilidade pelo imóvel, a autorização de uso, a fiscalização das regras, as denúncias recebidas, possíveis notificações ou autuações, a realização de eventos, eventual cobrança pela utilização do espaço, a existência de alvará e outras licenças.

A resposta encaminhada pela assessoria de imprensa foi em nome da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer. A pasta afirmou que o caso está sendo apurado e que todas as denúncias recebidas estão sendo devidamente investigadas. Também informou que, no mesmo dia da resposta, havia realizado uma reunião com o responsável pela cessão do espaço.

A Prefeitura afirmou ainda que o local conta com projetos voltados à prática esportiva e que, se for constatada utilização irregular ou descumprimento das regras, serão adotadas as medidas administrativas cabíveis.

No entanto, a resposta não apresentou detalhes sobre eventuais fiscalizações realizadas anteriormente, não informou se houve notificações ou autuações e também não esclareceu se alguma multa prevista no termo de autorização foi aplicada.

Também permaneceram sem resposta específica os questionamentos sobre a realização de eventos particulares, eventual cobrança pelo uso dos campos, existência de alvará de funcionamento, autorização para comercialização de bebidas e documentação do Corpo de Bombeiros.

Arena Acredite apresenta outra versão

Após a publicação da reportagem, Diego Lazzarotto, presidente voluntário da Arena Acredite, informou inicialmente que pretendia conceder uma entrevista para apresentar sua versão. Na quinta-feira (27), porém, encaminhou uma manifestação por escrito e afirmou que preferiu antecipar as informações diante da repercussão do caso.

Diego afirmou que a Arena Acredite é um projeto sem fins lucrativos voltado ao atendimento e benefício da comunidade. Segundo ele, a área cedida pela Prefeitura estava anteriormente abandonada e era utilizada por usuários de drogas e andarilhos.

Ele declarou que, desde que a entidade assumiu a responsabilidade pelo espaço, passou a realizar limpeza, conservação, manutenção, reformas e melhorias.

Outro ponto apresentado por Diego diz respeito aos custos de manutenção. Segundo ele, a Prefeitura e a Semel não custeiam essas despesas. Por isso, afirmou que alguns horários disponíveis durante a semana são utilizados por grupos da comunidade e que as doações voluntárias dos frequentadores são destinadas exclusivamente à manutenção, conservação e reformas do espaço.

Na manifestação, o presidente também destacou o trabalho social desenvolvido pela entidade. Segundo ele, a Arena Acredite contribui para a formação de crianças e adolescentes por meio do esporte e recebe atividades de escolas de futebol, colégios estaduais e equipes.

Entre os grupos citados estão a FFC Academy, Escola ABF, treinadores de goleiros, além de colégios estaduais e equipes de base do Athletico-PR, Coritiba e Operário. Diego também mencionou a realização de campeonatos, torneios e competições no espaço.

A associação afirma ainda desenvolver ações de arrecadação de alimentos, recursos e donativos para instituições e abrigos, além de iniciativas de integração comunitária.

O que permanece em aberto

A manifestação da Arena Acredite apresenta uma versão diferente daquela que motivou as denúncias e os questionamentos registrados nos documentos analisados pela CGN. A entidade sustenta que trabalha na recuperação do patrimônio público e que as atividades desenvolvidas no local possuem caráter esportivo e social.

Ao mesmo tempo, continuam registrados documentos sobre reclamações de moradores, ocorrências policiais, manifestações na Ouvidoria e um processo judicial relacionado à perturbação do sossego. Também existem questionamentos sobre o cumprimento das regras estabelecidas no termo de autorização.

Cabe agora ao Município esclarecer quais medidas de fiscalização foram efetivamente adotadas, qual é a situação das licenças do endereço e se houve ou não alguma irregularidade administrativa relacionada ao uso do patrimônio público.

O processo judicial continua em andamento. Em agosto de 2026, o 1º Juizado Especial Criminal de Cascavel determinou que o Corpo de Bombeiros informasse se o endereço possui alvará de funcionamento. O ofício foi expedido em 14 de agosto.

A Prefeitura informou que o caso está sendo apurado. A Arena Acredite, por sua vez, afirma que atua de forma voluntária e sem fins lucrativos na manutenção do espaço e no desenvolvimento de atividades esportivas e sociais.

Até o momento, portanto, permanecem em aberto os esclarecimentos sobre a fiscalização municipal, a situação das licenças e a eventual adoção de medidas administrativas em relação às denúncias apresentadas.

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