Empresa de fachada e armas à venda: delegado dá detalhes da operação que apreendeu frota de R$ 1 milhão
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Por Luiz Haab
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Uma investigação que começou meses atrás levou o Gaeco a aprofundar a apuração sobre a possível venda ilegal de armas de fogo e acabou revelando também indícios de uma suposta estrutura utilizada para lavagem de dinheiro em Cascavel. Os detalhes foram apresentados pelo delegado Fernando de Carvalho, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), após o cumprimento de oito mandados durante a Operação Arma Venalia, nesta sexta-feira (28).
De acordo com o delegado, a investigação atual surgiu a partir de elementos encontrados durante a Operação Primeiros Passos, deflagrada pelo Gaeco em fevereiro deste ano. No decorrer das diligências, um dos investigados teria mantido contato com pessoas que ofereciam armas de fogo para comercialização.
“Com o aprofundamento dessas investigações, nós verificamos que um dos investigados dessa operação anterior interagiu com alguns homens que colocaram, ofereceram e teriam à sua disposição armas de fogo, pistolas e revólveres para venda.”
A partir dessas informações, o Gaeco passou a investigar a possível existência de um esquema relacionado ao comércio ilegal de armamentos. Nesta sexta-feira, as equipes cumpriram oito mandados de busca e apreensão em imóveis ligados aos investigados.
Em um dos endereços, um homem foi encontrado com uma pistola calibre .22 municiada e acabou preso em flagrante. Além da arma, as diligências resultaram na apreensão de US$ 1.010 em dinheiro e de outros materiais que serão analisados no decorrer da investigação.
Mas a operação não ficou restrita à apuração sobre as armas. Segundo Fernando de Carvalho, os investigadores também encontraram indícios que levantaram suspeitas sobre uma empresa que teria como atividade a locação de veículos.
O delegado explicou que a movimentação da empresa chamou a atenção dos investigadores, principalmente pela quantidade e pelo perfil dos veículos relacionados ao CNPJ. Diante dos indícios de uma possível utilização da estrutura empresarial para lavagem de capitais, a Justiça determinou o sequestro dos veículos.
“A gente verificou aí, através de algumas diligências, que existia uma pessoa jurídica, uma locadora de veículos, com movimentação atípica e veículos que aparentemente não são usualmente utilizados para esse tipo de comércio.”
A frota apreendida é avaliada em quase R$ 1 milhão. Para o Gaeco, os veículos podem estar relacionados ao patrimônio investigado e, por isso, foram atingidos pelas medidas determinadas judicialmente.
Um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores foi o próprio endereço indicado como sede da empresa. Conforme o delegado, o local seria a residência de um dos investigados e não apresentaria características que demonstrassem o funcionamento de uma empresa de locação de veículos.
“A princípio, a sede da empresa é a residência do investigado. Não existe fachada, não existe nada que indique que ali funciona uma empresa de locação de veículos.”
Além disso, segundo Fernando de Carvalho, o perfil dos veículos vinculados à empresa também não seria compatível, aparentemente, com o padrão esperado para uma atividade de locação. Esses elementos, somados a outras diligências, foram considerados suficientes para levantar a suspeita de lavagem de capitais.
“Isso, somado a outras diligências que foram realizadas, trouxeram indícios que devem e vão ser objeto de aprofundamento aqui na sequência das investigações.”
Apesar dos indícios, o delegado ressaltou que a investigação ainda precisa avançar para confirmar se houve efetivamente lavagem de dinheiro e esclarecer a origem dos valores que eventualmente teriam sido movimentados por meio da empresa.
A apuração também deverá buscar identificar qual seria o possível crime antecedente relacionado à lavagem de capitais. Segundo o Gaeco, novas pessoas ainda podem ser incluídas na investigação caso surjam elementos durante a análise do material apreendido.
“A gente precisa confirmar se realmente existe lavagem de dinheiro, se a empresa foi utilizada para lavagem de dinheiro e qual seria, então, o crime, se existiu a lavagem, qual seria o crime antecedente.”
Com a operação desta sexta-feira, celulares, documentos e demais materiais apreendidos serão analisados pelos investigadores. A perícia dos dispositivos eletrônicos poderá fornecer novas informações sobre as relações entre os investigados, a possível negociação de armas e a movimentação financeira suspeita.
O Gaeco também não descarta que o aprofundamento das diligências revele a participação de outras pessoas ou até mesmo a utilização da estrutura empresarial para outras finalidades.
“Nada impede que, com o aprofundamento das investigações, a gente verifique que esses investigados ou outros investigados, que sejam outras pessoas que sejam investigadas, tenham esse ramo de atividade.”
A Operação Arma Venalia, portanto, segue em andamento, com duas frentes principais de investigação: a possível comercialização ilegal de armas de fogo e a suspeita de lavagem de capitais. As autoridades ainda trabalham para identificar a extensão do grupo, a origem dos recursos e a eventual participação de outros envolvidos.