Não há garantia de que inflação retornará a 2% sem trabalho do Fed, diz Warsh
Publicado em
Por Agência Estado
O presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, afirmou nesta sexta-feira, 28, que a meta de inflação do banco central dos EUA é “firme e inalterável”, em discurso preparado para o Simpósio de Jackson Hole. Warsh ressaltou que não há qualquer garantia de que os preços retornem para o objetivo de 2% sem que o Fed atue para que isso aconteça. “É nossa tarefa garantir a estabilidade de preços”, frisou.
O presidente do BC americano ponderou que indicadores de expectativas de inflação parecem estáveis, mas que tendências subjacentes da inflação não melhoraram significativamente com base nos índices de preços de gastos com consumo (PCE) e ao consumidor (CPI).
Sobre o mercado de trabalho, Warsh afirmou que os dados são consistentes com o estado de pleno emprego e redução da pressão inflacionária de salários. “Quando a oferta de mão de obra cresce pouco, a criação de empregos mensal naturalmente ficará baixa”, disse, em referência indireta ao recente payroll dos EUA.
‘Forward guidance’
Kevin Warsh também disse que a prática de orientação futura (“forward guidance”, em inglês) do banco central americano “já se prolongou demais”. Na visão dele, a prática serviu ao seu propósito quando foi criada para lidar com os desafios da crise financeira de 2008, mas, agora, é danosa aos objetivos do BC.
“A transparência da comunicação de decisões futuras não é uma virtude em si, ela deve servir à responsabilidade principal do Fed: acertar a política monetária”, afirmou, acrescentando que a comunicação ideal seria “limitada” e “circunscrita”.
Do contrário, Warsh argumenta que o “forward guidance” cria risco de ambiguidade ao compartilhar demais deliberações de dirigentes do banco central. Segundo ele, isso pode guiar mercados, negócios e famílias na direção errada, gerando compromissos com o ciclo da taxa de juros que eliminam a liberdade do Fed de “tomar a ação certa quando é a hora de decidir”.
“Não devemos incentivar um ambiente em que o mercado olha primeiramente para o Fed para a sua próxima negociação”, defendeu.
O presidente do BC, contudo, ponderou que a relação com os mercados financeiros é importante para o banco central até determinado ponto. “Precisamos de sinais claros, com o menor filtro possível, sobre mudanças em preços de ativos, volumes de negociação dos Treasuries, valor do dólar, custo do crédito e preços de uma ampla gama de commodities para nos informar sobre perspectivas de curto prazo da atividade econômica”, observou. “Esses dados também revelam os riscos e incertezas das condições financeiras”.
Ao comentar política monetária, Warsh pediu que seu discurso seja considerado como tudo, menos uma orientação futura dos próximos passos do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc).