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Dia dos Bancários: profissão troca talão de cheque por Pix, mas mantém velhas batalhas

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Nesta sexta-feira (28), o Brasil celebra o Dia dos Bancários, uma data que carrega uma história bem menos tranquila do que poderia sugerir o nome.
Imagem referente a Dia dos Bancários: profissão troca talão de cheque por Pix, mas mantém velhas batalhas
Pexels | Liliana Drew

Por Redação

Se hoje basta alguns toques no celular para pagar uma conta, fazer uma transferência ou mandar dinheiro para alguém do outro lado do país, nem sempre foi assim. Muito antes do Pix, dos aplicativos e dos caixas eletrônicos que parecem ter mais funções do que um canivete suíço, havia uma categoria responsável por boa parte da engrenagem financeira brasileira: os bancários.

Nesta sexta-feira (28), o Brasil celebra o Dia dos Bancários, uma data que carrega uma história bem menos tranquila do que poderia sugerir o nome. A origem está em uma das maiores mobilizações da categoria no país, iniciada em 28 de agosto de 1951.

Naquele ano, os trabalhadores reivindicavam reajuste salarial, salário mínimo profissional e adicional por tempo de serviço. Depois de negociações que não avançaram, a categoria decidiu pela greve.

E não foi uma daquelas paralisações que terminam antes mesmo de a população perceber. O movimento durou 69 dias e terminou com uma conquista de reajuste salarial que chegou a 31%, além de deixar marcas profundas na organização dos trabalhadores do setor.

Uma data que nasceu da luta

A escolha de 28 de agosto está diretamente ligada à assembleia realizada naquela data em 1951, quando os bancários decidiram pela deflagração da greve. A mobilização enfrentou forte repressão e demissões, mas acabou se tornando um marco para a categoria.

No ano seguinte, a data passou a ser reconhecida como Dia do Bancário, consolidando no calendário da categoria uma lembrança que nasceu justamente de uma disputa por direitos trabalhistas.

É uma dessas ironias da história: uma data criada para celebrar uma profissão surgiu justamente quando seus profissionais decidiram parar de trabalhar.

Do guichê ao celular

A profissão também mudou radicalmente desde os anos 1950.

O bancário que trabalhava atrás de um balcão, cercado por papéis, carimbos, talões e máquinas de escrever, hoje convive com sistemas digitais, inteligência artificial, biometria, aplicativos e atendimento remoto.

O dinheiro também ficou menos visível. Já não é necessário carregar uma carteira cheia de notas para pagar praticamente nada. Em poucos segundos, o Pix movimenta valores que antes exigiriam deslocamento até uma agência.

Mas a transformação tecnológica não eliminou a função dos profissionais. O trabalho bancário passou a envolver cada vez mais atendimento digital, análise de dados, segurança, prevenção a fraudes, crédito e orientação financeira.

Ou seja: o dinheiro mudou de roupa. O trabalho também.

E o Acre tem uma particularidade

A data ainda tem um detalhe que foge do calendário comemorativo tradicional.

No Acre, o Dia Estadual dos Bancários é feriado estadual para a categoria. A regra foi estabelecida pela Lei nº 3.247/2017 e posteriormente alterada pela Lei nº 3.499/2019, que passou a definir expressamente a data como feriado estadual aos bancários.

Por isso, enquanto muita gente olha para 28 de agosto como uma data para homenagear a categoria, no Acre os bancários têm uma razão adicional para conferir o calendário antes de sair de casa.

No restante do país, a data permanece principalmente como um momento de valorização e memória de uma categoria que acompanhou algumas das maiores transformações econômicas e tecnológicas do Brasil.

No fim das contas, muita coisa mudou desde 1951. O dinheiro ficou digital, o cheque virou peça de museu para muita gente e o banco passou a caber no bolso. Mas a história do Dia dos Bancários continua lembrando que, antes de qualquer aplicativo resolver a vida em poucos segundos, foram trabalhadores que ajudaram a construir a engrenagem por trás dele.

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