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Projeto Onças do Iguaçu se manifesta após ataque de onça-parda em Santa Maria

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Projeto Onças do Iguaçu se manifesta após ataque de onça-parda em Santa Maria

Por Isabella Chiaradia

Atualizado em

O Projeto Onças do Iguaçu acompanha de perto o caso de uma onça-parda flagrada se alimentando da carcaça de um pônei em uma propriedade rural na comunidade Boi Preto, no distrito de Santa Maria. O registro foi feito por câmeras instaladas pela equipe após o proprietário comunicar a morte do animal.

Em entrevista à CGN, a coordenadora do projeto, Yara Barros, explicou que a equipe foi acionada após a identificação da possível predação e se deslocou até a propriedade para avaliar a situação. Inicialmente, os indícios apontavam para um ataque de onça-parda. Para confirmar a presença do felino e acompanhar seu comportamento, foram instaladas câmeras no local.

Segundo Yara, a equipe identificou diversas vulnerabilidades na propriedade que podem facilitar a aproximação de grandes felinos. Entre elas está o fato de o pônei estar pastando dentro de uma área de mata.

“Quando você tem animais domésticos ou de criação pastando ou parindo dentro de uma área de mata onde existem grandes felinos, eles ficam vulneráveis a possíveis ataques”, explicou.

A equipe também constatou que os animais da propriedade costumam entrar em uma área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) para beber água. Para a coordenadora, a combinação entre a presença de animais de criação em áreas de mata e falhas no manejo pode aumentar significativamente o risco de novos ataques.

Yara destacou que o projeto trabalha há quase dez anos com medidas de prevenção e que os resultados são positivos quando os proprietários também adotam mudanças no manejo dos animais.

Entre as estratégias estão a instalação de luzes e outros dispositivos de proteção, além do uso de sinos nos animais.

No entanto, a coordenadora reforçou que os equipamentos, sozinhos, não são suficientes. A orientação é que os animais sejam recolhidos durante a noite em locais protegidos e não permaneçam pastando próximos às áreas de mata, principalmente em locais onde há presença de grandes felinos.

Projeto não pretende retirar a onça do local

A presença da onça-parda tem causado preocupação entre os moradores, principalmente devido à proximidade das propriedades rurais com áreas habitadas. O projeto, porém, não considera a retirada imediata do animal como a solução para o problema.

Segundo Yara, remover o felino sem eliminar as condições que facilitaram a predação pode apenas transferir o problema. Como a região possui diversos corredores de mata conectados, outros animais podem ocupar o mesmo território.

A estratégia adotada pelo Projeto Onças do Iguaçu é trabalhar em conjunto com os proprietários e também com imóveis do entorno para reduzir as oportunidades de alimentação para o felino. A intenção é fazer com que a onça-parda deixe de encontrar alimento fácil nas propriedades e retorne para as áreas de mata.

“O que o projeto faz nesses casos? Orienta, trabalha junto com o proprietário e com as propriedades no entorno para reduzir essa vulnerabilidade para que a onça-parda entenda que aquela não é uma propriedade onde ela vai conseguir alimento fácil”, afirmou Yara.

Monitoramento deve continuar por um ano

Após o ataque ao pônei, o projeto instalou câmeras para acompanhar a movimentação da onça-parda e verificar se o animal está se aproximando das residências.

Yara explicou que também existem medidas que podem ser utilizadas para evitar que o felino chegue próximo às casas, como iluminação e dispositivos sonoros.

A coordenadora ainda tranquilizou os moradores em relação ao risco de ataques contra pessoas. Segundo ela, durante os anos de atuação do projeto, não houve registro de uma pessoa atacada por uma onça-parda: “O risco para as pessoas é baixo”, destacou.

A proposta do projeto é manter um acompanhamento intensivo da propriedade durante aproximadamente um ano. Nesse período, a equipe pretende auxiliar o proprietário na mudança do manejo, instalar equipamentos de proteção e utilizar as câmeras para avaliar se as medidas adotadas estão sendo eficientes para manter o felino afastado.

A atuação busca evitar novas perdas de animais sem a necessidade de retirar a onça-parda de seu ambiente, priorizando a redução das vulnerabilidades existentes nas propriedades rurais.

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