Dolly Parton, lenda da música country, morre aos 80 anos
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Por Diego Cavalcante
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A cantora, compositora e atriz americana Dolly Parton morreu aos 80 anos nesta terça-feira (25), em Nashville, no estado do Tennessee, nos Estados Unidos. Considerada uma das maiores artistas da história da música country, ela construiu uma carreira de mais de seis décadas e se tornou conhecida mundialmente por sucessos como “Jolene”, “9 to 5” e “I Will Always Love You”.
A morte foi anunciada pela família da artista nas redes sociais. O comunicado foi divulgado por Bryan Seaver, sobrinho de Dolly e integrante de sua equipe de segurança. Pouco depois, representantes da cantora confirmaram que ela enfrentava uma breve batalha contra o câncer.
Segundo a equipe da artista, Dolly morreu no Vanderbilt-Ingram Cancer Center, em Nashville, cercada por pessoas próximas. O tipo de câncer enfrentado pela cantora não foi divulgado.
A família informou que pretende realizar uma cerimônia pequena e privada, restrita aos familiares próximos. Fãs também foram convidados a prestar homenagens à cantora por meio dos canais oficiais da artista.
Uma carreira que atravessou gerações
Nascida em 19 de janeiro de 1946, na cidade de Sevierville, no Tennessee, Dolly Parton cresceu em uma família numerosa e de poucos recursos. Desde criança demonstrou talento para a música e começou a se apresentar ainda jovem.
Sua trajetória profissional ganhou força na década de 1960, quando passou a trabalhar com o cantor e apresentador Porter Wagoner. A parceria ajudou a projetar Dolly no cenário da música country e abriu caminho para uma carreira solo de enorme sucesso.
Ao longo de mais de meio século de carreira, a artista escreveu cerca de 3 mil músicas e vendeu mais de 100 milhões de discos em todo o mundo. Também conquistou 11 prêmios Grammy, incluindo uma homenagem pelo conjunto da obra.
Dolly também foi incluída em diferentes halls da fama relacionados à música. Entre eles estão o Country Music Hall of Fame, o Songwriters Hall of Fame e o Rock & Roll Hall of Fame.
“Jolene” e “I Will Always Love You”
Entre as músicas mais marcantes da carreira está “Jolene”, lançada em 1973. A composição se tornou uma das canções mais conhecidas da música country e ganhou inúmeras versões ao longo das décadas.
Outro dos maiores sucessos de Dolly foi “I Will Always Love You”. A música foi escrita pela própria cantora e originalmente lançada em 1974. Anos depois, a versão gravada por Whitney Houston para o filme “O Guarda-Costas” transformou a composição em um fenômeno mundial.
A música passou a ser associada à voz de Whitney, mas a autoria permaneceu como um dos grandes exemplos da capacidade de Dolly Parton como compositora.
A artista também alcançou grande sucesso com “9 to 5”, música que fez parte do filme de mesmo nome, estrelado por Dolly ao lado de Jane Fonda e Lily Tomlin.
Sucesso também no cinema
Além da música, Dolly Parton construiu uma carreira de destaque no cinema e na televisão.
Ela participou de filmes como “9 to 5”, “The Best Little Whorehouse in Texas” e “Steel Magnolias”. Seu trabalho como atriz ampliou ainda mais sua popularidade nos Estados Unidos e ajudou a transformar a cantora em uma personalidade conhecida muito além do universo country.
A artista também participou da produção de projetos para televisão e cinema e utilizou sua própria trajetória como inspiração para diversas obras.
Dolly Parton também foi empresária
A carreira de Dolly não ficou restrita aos palcos. A cantora também se tornou uma empresária de sucesso.
Um dos principais empreendimentos ligados ao seu nome é o Dollywood, parque temático localizado no Tennessee. O espaço se tornou uma das principais atrações turísticas da região e ajudou a consolidar a ligação da artista com seu estado natal.
Nos últimos anos, Dolly continuava envolvida em novos projetos. Entre eles estavam iniciativas relacionadas à sua história, sua música e sua marca pessoal. Um musical sobre sua vida também estava previsto para chegar à Broadway ainda em 2026.
Filantropia marcou a trajetória
Fora dos palcos, Dolly Parton ficou conhecida também pelo trabalho filantrópico.
Um dos projetos mais importantes é a Imagination Library, iniciativa criada pela cantora para incentivar a leitura infantil. O programa distribui livros gratuitamente para crianças e se expandiu para diferentes regiões.
Dolly também realizou doações para pesquisas médicas, educação, recuperação após desastres e outras causas sociais. Durante a pandemia de Covid-19, por exemplo, ela doou US$ 1 milhão para pesquisas relacionadas ao desenvolvimento de vacinas.
Esse trabalho ajudou a construir uma imagem pública que ultrapassava a fama e o sucesso comercial. Dolly era frequentemente lembrada pela generosidade e pela disposição em apoiar projetos voltados às crianças e às comunidades.
Últimos meses foram marcados por problemas de saúde
A morte de Dolly Parton aconteceu depois de um período em que a cantora vinha enfrentando dificuldades pessoais e de saúde.
Nos últimos meses, ela havia falado publicamente sobre a necessidade de diminuir o ritmo e cuidar mais de si. A artista também enfrentava o processo de luto pela morte do marido, Carl Dean, que morreu em março de 2025, aos 82 anos.
Dolly e Carl ficaram juntos por quase seis décadas. O casal se casou em 1966 e manteve uma relação extremamente reservada, com Carl raramente aparecendo publicamente ao lado da cantora.
Poucos dias antes de sua morte, Dolly ainda havia falado sobre sua saúde e demonstrado vontade de continuar trabalhando. A cantora permaneceu envolvida em projetos profissionais mesmo diante das dificuldades.
Homenagens começam nos Estados Unidos
A notícia da morte provocou uma forte reação nos Estados Unidos. Fãs se reuniram em diferentes locais para prestar homenagens à cantora, enquanto cidades e instituições ligadas à sua trajetória passaram a destacar sua importância para a cultura americana.
Em Nashville, cidade onde Dolly morreu, homenagens começaram a ser registradas poucas horas após a confirmação da morte. O tribunal municipal chegou a ser iluminado em homenagem à artista.
Artistas de diferentes gerações também começaram a publicar mensagens nas redes sociais, destacando a influência de Dolly na música e sua capacidade de transitar entre diferentes públicos.
Um legado que vai além da música country
Dolly Parton deixa um dos legados mais abrangentes da música americana. Sua trajetória reuniu música, cinema, televisão, literatura, empreendedorismo e filantropia.
Com mais de 100 milhões de discos vendidos, milhares de músicas compostas e 11 Grammys, ela se tornou uma das artistas femininas mais bem-sucedidas da história da música.
Mas a influência de Dolly não ficou limitada aos números. Suas músicas foram gravadas por artistas de diferentes estilos e gerações, enquanto sua imagem e sua personalidade fizeram dela uma das figuras mais reconhecidas dos Estados Unidos.
A morte aos 80 anos encerra uma trajetória iniciada ainda na infância, nas montanhas do Tennessee, e que levou Dolly Parton a se tornar uma estrela mundial.
A cantora deixa como legado canções que atravessaram gerações e uma história marcada pela transformação de uma infância humilde em uma das carreiras mais bem-sucedidas da música mundial.