Natal de Cascavel 2026: licitação de R$ 195,2 mil prevê serviços de até R$ 400 por hora
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Por Redação CGN
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A Prefeitura de Cascavel está disposta a gastar até R$ 195,2 mil na contratação de profissionais para trabalhar na programação natalina de 2026. Documentos analisados pela CGN mostram que, entre os valores máximos previstos, há serviços cotados em R$ 400 por hora.
O dinheiro será destinado à contratação de uma empresa responsável por fornecer Papai Noel, Mamãe Noel, monitores, artistas para atividades itinerantes e profissionais especializados em contação de histórias durante o projeto Um Sonho de Natal 2026.
A licitação está marcada para 2 de setembro e será realizada por pregão eletrônico, com disputa pelo menor preço. Isso significa que os R$ 195,2 mil representam o teto estimado pela administração e o valor efetivamente contratado poderá ser menor.
Papai Noel por R$ 32 mil e Mamãe Noel por R$ 24 mil
A relação de itens revela como a Prefeitura dividiu a previsão de gastos.
Para o profissional que interpretará o Papai Noel na Casa do Noel, instalada na região central da Avenida Brasil, o preço máximo estabelecido é de R$ 32 mil pelo período.
Para a Mamãe Noel, a estimativa chega a R$ 24 mil.
Também estão previstas duas equipes de monitores, cada uma formada por duas pessoas. O preço máximo é de R$ 20 mil por equipe, chegando a R$ 40 mil no total.
Somente esse primeiro grupo soma R$ 96 mil.
A programação na Casa do Noel está prevista entre 20 de novembro e 24 de dezembro. Nos dias úteis, o atendimento deverá ocorrer das 18h às 22h; aos sábados, das 14h às 23h; aos domingos, das 15h às 22h; e, no dia 24 de dezembro, das 10h às 14h.
Serviços chegam a R$ 400 por hora
Outros itens são calculados por hora.
Para um Papai Noel itinerante, a Prefeitura estabeleceu valor máximo de R$ 400 por hora, com previsão de 64 horas. O total pode alcançar R$ 25,6 mil.
Outro profissional, que poderá atuar como artista circense, malabarista ou palhaço acompanhando as atividades itinerantes, também está estimado em R$ 400 por hora, novamente com limite de 64 horas e total de R$ 25,6 mil.
Há ainda um profissional especializado em contação de histórias na área urbana, com valor máximo de R$ 350 por hora e previsão de 64 horas, totalizando R$ 22,4 mil.
Para a contação de histórias destinada aos territórios rurais, são outras 64 horas, desta vez ao preço máximo de R$ 400 por hora, chegando a R$ 25,6 mil.
Somados, todos os grupos alcançam os R$ 195,2 mil previstos pela administração municipal.
R$ 400 não vão diretamente para o profissional
Apesar de o valor chamar atenção, os documentos deixam claro que a cotação não representa necessariamente quanto cada ator ou trabalhador receberá.
A planilha preparada para a contratação determina que as empresas considerem, além do pagamento do profissional, despesas com alimentação, transporte, figurino, maquiagem, obrigações tributárias e margem de lucro.
Assim, o valor de até R$ 400 por hora corresponde ao preço máximo do serviço contratado pela Prefeitura, e não pode ser tratado como remuneração líquida de quem interpretará os personagens.
Valor previsto mais que dobrou em relação ao contrato citado de 2025
Outro ponto encontrado pela CGN está nos próprios estudos utilizados pela Prefeitura para justificar a contratação.
O documento apresenta uma memória das contratações anteriores e informa que, em 2025, o contrato para serviços natalinos semelhantes ficou em R$ 89.656.
Para 2026, o teto foi estabelecido em R$ 195.200.
A diferença é de R$ 105.544, o equivalente a aproximadamente 118% a mais.
A comparação, porém, precisa ser feita com cautela. A própria documentação indica que a contratação de 2026 possui itens adicionais e uma distribuição diferente dos serviços, incluindo ajudante para atividade itinerante e profissionais de contação de histórias. Portanto, o aumento do valor global, isoladamente, não demonstra sobrepreço ou irregularidade.
Como a Prefeitura chegou aos valores?
Nos estudos preparatórios, o Município afirma que utilizou diferentes fontes para formar uma cesta de preços e realizar tratamento estatístico.
O mapa comparativo anexado ao processo mostra, por exemplo, cotações diferentes para os mesmos serviços antes da definição dos preços máximos.
No caso do Papai Noel da Casa do Noel, aparecem referências de mercado que variam entre aproximadamente R$ 30 mil e R$ 41 mil, tendo a Prefeitura fixado o teto em R$ 32 mil.
Nos serviços itinerantes, a pesquisa também apresenta valores superiores aos R$ 400 por hora finalmente utilizados como limite no edital.
Ainda assim, diante do salto do valor global de um ano para outro, a CGN procurará a Prefeitura para saber quais fatores explicam a ampliação da contratação, quanto efetivamente deverá chegar aos profissionais e quais parâmetros foram utilizados para definir os preços de cada serviço.
Também será questionado se o município fez comparação direta entre os custos e a quantidade de horas e profissionais contratados em 2025 e os previstos para este ano.
Natal também chegará à área rural
A programação não ficará restrita à região central.
O edital prevê atendimento em quatro territórios rurais: Sede Alvorada e Espigão Azul; São João do Oeste; São Salvador e Rio Diamante; e Rio do Salto e Juvinópolis.
As ações estão programadas para os sábados de 28 de novembro, 5, 12 e 19 de dezembro, das 14h às 22h.
Segundo a documentação, a contratação de empresa foi escolhida porque a Secretaria de Cultura considera que não possui servidores aptos para assumir todas as funções e porque a vencedora ficará responsável também por figurinos e outros custos necessários à execução.
A Prefeitura sustenta ainda que o modelo semelhante utilizado em 2025 atendeu às necessidades do Município.
Cabe destacar que os valores apresentados são estimativas máximas de uma licitação que ainda terá disputa de preços. A existência do processo ou o aumento da estimativa em comparação com anos anteriores não significa confirmação de irregularidade ou desperdício de dinheiro público.
O caso ainda passará pelas etapas previstas no processo licitatório. A CGN mantém o espaço aberto para manifestação da Prefeitura de Cascavel, da Secretaria Municipal de Cultura e, posteriormente, da empresa vencedora da licitação, caso queiram apresentar esclarecimentos.