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Em alegações finais à Aneel, Enel diz que caducidade é desproporcional e sugere plano de ação

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A Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, teve acesso ao documento de 67 páginas apresentado pela Enel SP no processo da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Por Agência Estado

o apresentar suas alegações finais no processo que pode culminar na recomendação de caducidade de seu contrato de concessão, a Enel São Paulo (Enel SP) defendeu que o caso seja julgado improcedente, tendo em vista questionamentos sobre diversos pontos ao longo do processo e a avaliação de que há um tratamento “anti-isonômico” dispensado à distribuidora em relação às demais concessionárias. Cita ainda a desproporcionalidade da medida. Para a empresa, a recomendação de caducidade deveria ser convertida na determinação de um novo plano, com indicadores definidos e metas objetivas. Também sugere a adoção de outras medidas “menos gravosas”.

A Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, teve acesso ao documento de 67 páginas apresentado pela Enel SP no processo da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Nele, a empresa citou dados atualizados sobre a melhoria de indicadores de qualidade de serviço e aumento dos investimentos desde 2023, quando a distribuidora enfrentou seu primeiro apagão de grandes proporções e enfrentou sérios problemas para retomar integralmente o fornecimento. Diante da evolução apresentada, a empresa questionou se, consideradas as condições atuais, a caducidade seria medida necessária e apta para produzir maior benefício aos consumidores em relação à continuidade da prestação do serviço pela concessionária.

A Enel sustenta que a realidade operacional atual é diferente daquela observada nos eventos que deram origem ao processo. Segundo ela, desde 2023 houve uma redução de 50% no indicador de Tempo Médio de Atendimento Emergencial (TMAE), de 88% no porcentual de interrupções superiores a 24 horas e de 66% no número de clientes interrompidos por mais de 24 horas. A empresa também afirma ter subido 11 posições no ranking nacional de TMAE entre 2023 e 2025. Diz, ainda, que houve aumento de 73% nos investimentos e de 31% em pessoal, mão de obra e serviços alocados à distribuição, associando esse reforço estrutural à melhora dos indicadores operacionais.

Críticas

O documento, que atende ofício encaminhado pela diretora relatora Agnes Costa no início do mês, também apresenta duras críticas sobre o que considera serem vícios do processo. No mais recente, a Enel questiona o encerramento da fase de instrução enquanto permanece pendente a análise de um recurso protocolado pela Enel a respeito da solicitação de uma perícia técnica independente e multidisciplinar. Para a empresa, isso seria um “cerceamento de defesa”.

A perícia envolveria temas como meteorologia, comparabilidade estatística de eventos, curvas de recomposição e comparação entre distribuidoras. A Enel argumenta que a perícia seria “indispensável” tendo em vista que a Aneel acumula posições de acusadora e julgadora no processo e pretende decidir com base exclusiva em notas técnicas produzidas por ela própria.

A área técnica e a Procuradoria da agência já opinaram pela improcedência do pleito da distribuidora. O diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, classificou hoje o pedido da Enel como “diferente e estranho”. “A Aneel tem 30 anos e nunca teve a sua parcialidade, a sua competência técnica, a sua isenção questionada”, disse. O tema será discutido pela diretoria na próxima segunda-feira.

Para tentar embasar a necessidade da perícia, a Enel chegou a apresentar pareceres das consultorias AEA e Alvarez & Marsal, que apontaram divergência em relação às premissas adotadas. Esta última apresentou uma comparação internacional descrevendo a abordagem regulatória para avaliação de desempenho de distribuidoras em eventos extremos e uma análise comparativa do desempenho da Enel SP frente outras 33 distribuidoras de grande porte. Segundo essa análise, o desempenho da concessionária paulista seria compatível com a performance setorial. A percepção reforçaria a tese da Enel de falta de isonomia no tratamento dispensado à companhia.

Para Tiago de Barros Correia, ex-diretor da Aneel e consultor da Enel no processo, a empresa está sendo punida porque não respondeu adequadamente em situações de emergência, durante eventos climáticos extremos, no entanto, as regras setoriais apontam para a singularidade dessas situações.

Ele considera que o regulador calculou métricas para esses casos de maneira superficial, mas deveria ter reconhecido que o processo em questão refletia uma situação nova, relacionada às mudanças climáticas. Com isso, trabalharia a partir da experiência da Enel para estabelecer indicadores novos, dentro do rito regulatório com a realização de consultas públicas e elaboração de normas. “Então, seria uma parceira na solução, e não já ir para a aplicação da penalidade”, disse.

Na avaliação do especialista, os problemas registrados pela Enel merecem fiscalização e penalidades, mas ele considera que não caberia caducidade. Correia defende a necessidade de a Aneel avaliar o maior interesse e benefício público, o que não está previsto no processo, conforme indicou o regulador. “Se ele quer dar a caducidade, tem que avaliar as condições, porque poderia ser um novo plano de recuperação, mais detalhado, poderia ser uma ‘obrigação de fazer'”, sugeriu.

Em 2024, a empresa chegou a apresentar e executar um plano de ação de 90 dias, que foi monitorado pela Aneel e considerado adequado pelas áreas técnicas. No entanto, novo evento climático severo, registrado em dezembro de 2025, mostrou que as medidas tomadas não foram suficientes para enfrentar a situação que se apresentou.

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