Mapbiomas: menor vegetação nativa expõe mais o país ao El Niño
Publicado em
Relacionadas:

Por CGN
Em 41 anos, a vegetação nativa foi reduzida a 65% do território brasileiro, aponta a Coleção 11 dos mapas anuais de cobertura e uso da terra do MapBiomas, divulgada nesta quarta-feira (12).
A nova coleção traz resultados do mapeamento do território nacional, de 1985 até 2025, a partir de 33 classes de cobertura da terra, como biomas, atividades humanas, tipos de vegetação e superfície de água, por exemplo.
Na análise, os pesquisadores puderam observar que, nesses anos em que o fenômeno foi mais intenso, a maior parte dos biomas brasileiros foi afetada por secas e ausência de chuva. As exceções foram nos biomas Pampa e em parte da Mata Atlântica, onde houve um aumento da precipitação.
Impacto por bioma
A Amazônia foi o bioma mais afetado pelo déficit de chuvas nos três El Niño, sendo que, no último, ocorrido em 2023/2024, os efeitos mais intensos registrados foram nas áreas de agropecuária. Essas regiões, onde o ser humano deu outro tipo de uso à terra que antes abrigava floresta, sofreram uma redução de 178 milímetros de precipitação em relação à média histórica.
O Pantanal foi drasticamente afetado pelo último El Niño ocorrido, o que levou o bioma a registrar o ano mais seco da série histórica em 2024. No Cerrado e na porção norte da Mata Atlântica, a seca foi ficando mais intensa a cada novo fenômeno. As áreas de vegetação nativa foram as mais afetadas nesses biomas.
Vegetação
Em 1985, a vegetação nativa do país ocupava 79% do território brasileiro e, em 2025, esse percentual caiu para 65%. Durante esses 41 anos, a formação florestal foi o tipo de vegetação que perdeu mais área pela ação humana. Foram menos 65 milhões de hectares, seguido da formação savânicas, com menos 46 milhões de hectares, e dos campos alagados, que perderam 6,3 milhões de hectares.
“Embora a perda tenha sido maior em florestas, proporcionalmente a perda maior foi das formações savânicas, que perderam 30% de toda a sua área nesse período”, diz o coordenador-geral do MapBiomas, Tasso Azevedo.
Em todo o período estudado, 557 milhões de hectares mapeados mantiveram a mesma classe de cobertura ou uso da terra. Desse total, a maioria, 335 milhões de hectares, foram florestas mantidas em pé.
Atividades humanas
A agropecuária é a classe que mais ocupou área no país, sendo que, em 2025, já representava 32% do território do país, enquanto que, em 1985, estava presente em apenas 18% do Brasil.
A pastagem cresceu em 61,6 milhões de hectares ao longo do período estudado, enquanto a agricultura cresceu sobre 48 milhões de hectares.
Essas atividades ocuparam áreas antes de vegetações nativas dos seis biomas brasileiros de forma desigual. A Amazônia e o Cerrado foram os que mais perderam em tamanho de área, com reduções de 53,9 milhões e 51,7 milhões de hectares, respectivamente.
Caatinga, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal perderam respectivamente 10,1; 4,9; 4 e 1,9 milhões de hectares.
“A Mata Atlântica perdeu menos porque já tinha perdido anteriormente e também porque está em uma trajetória, nos últimos 20 anos, que estabilizou e, em alguns lugares, cresceu a área de vegetação nativa, especialmente florestas”, explica Tasso Azevedo.
Já proporcionalmente, Cerrado e o Pampa apresentam as maiores reduções com perdas de 34% e 32%, respectivamente.
Estados e DF
No recorte por estados, a nova coleção aponta que, entre 1985 e 2025, 25 dos 26 estados brasileiros e o Distrito Federal reduziram a participação da vegetação nativa em seus territórios. O Rio de Janeiro foi a única exceção, após recuperar 1% da cobertura verde de seu território.
Nesses 41 anos, os estados que mais perderam vegetação nativa proporcionalmente aos seus territórios foram Rondônia com redução da vegetação nativa de 92% para 59%, entre 1985 e 2025. Maranhão, que passou de 91% para 61%; Mato Grosso e Tocantins, ambos com redução de 90% para 61%.
Novidade
As marismas, áreas pantanosas sob influência de água salobra foram mapeadas pela primeira vez no estudo do Mapbiomas, ainda em versão beta. Em 2025, foram mapeados 6,9 mil hectares de marismas, apenas no bioma Pampa.
As principais vegetações presentes nas marismas são herbáceas, formadas por gramíneas e juncos adaptados à água salgada, já que esses ecossistemas ocorrem nas margens dos estuários e recebem tanto água doce de rios ou lagunas, quanto a água do mar.
As que entraram no estudo, estão localizadas nas zonas estuarinas das lagoas Tramandaí-Armazém, Lagoa do Peixe, Laguna dos Patos e na foz do Arroio Chuí.
Fonte: Agência Brasil