Ibovespa engata 6º pregão de queda com rebaixamento do Brasil e eleições
Publicado em
Por Agência Estado
O Ibovespa amargou um dia de desempenho negativo, pautado principalmente pelo receio dos investidores com as eleições e pelo rebaixamento da recomendação para ativos brasileiros promovido pelo JPMorgan nesta terça-feira. É o sexto pregão seguido de queda do índice.
O corte de compra para neutra na recomendação para o Brasil foi o grande catalisador para mais um pregão de saída de recursos estrangeiros da bolsa. Operadores destacam que esse movimento pôde ser visto pelo tombo das grandes ações do índice, caso dos bancos, da Vale e da Petrobras.
Com a pressão dessas empresas, o Ibovespa encerrou a sessão em baixa de 2,50%, aos 167.874,64 pontos, depois de tocar a mínima de 167.568,94 pontos no dia. É o menor nível desde 20 de janeiro (166.276,90 pontos).
Marcelo Audi, sócio fundador da Cardinal Partners, destaca que a saída de estrangeiros acontece desde meados de julho, com os receios para a política monetária no mundo pelo endurecimento da inflação global com a alta do petróleo. “Hoje tivemos esse catalisador, o relatório do JPMorgan, que está provocando uma venda um pouco mais generalizada do estrangeiro”, afirma.
Os saques desses investidores da Bolsa já somam R$ 5,5 bilhões em agosto, até o dia 7, segundo dados da B3.
Outro tema relevante para o desempenho do índice é o cenário eleitoral. O assunto voltou a pautar os negócios pela divulgação de duas pesquisas que mostram vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) frente ao seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL). Tanto o levantamento CNT/MDA, quanto a Pesquisa Futura, ambas divulgadas nesta terça, endossaram a preferência pelo petista.
Embora o pleito eleitoral seja particularmente relevante para os investidores domésticos, entre institucionais e pessoas físicas, especialistas ressaltam que o estrangeiro também é potencialmente afetado pela indecisão com as pautas econômicas no Brasil.
“O estrangeiro de fato parece menos preocupado que os locais em relação à eleição, mas é muito difícil argumentar que é irrelevante”, afirma Rafael Ihara, economista chefe da Meraki Capital. “E chama atenção como o Brasil está destoando dos demais emergentes.” Em Nova York, o ETF iShares MSCI Emerging Markets (EEM), que acompanha ações de emergentes, sobe 0,35%.