‘Falei com Deus’: vítima de choque e queda de oito metros relembra quatro vezes que venceu a morte
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Por Luiz Haab
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Depois da cena da queda, a imagem da alta hospitalar marca mais um renascimento na vida do seu Valmor Becker, de 68 anos. Ele saiu do Hospital Universitário no domingo de Dia dos Pais, 11 dias depois de levar um choque de 13 mil volts e despencar de quase oito metros de altura.
“Todo Dia dos Pais eu vou lembrar que eu nasci de novo. Todo o Dia dos Pais, que é outro aniversário”, conta o pedreiro.
Foi a quarta vez que ele renasceu. A terceira foi em agosto de 2024, quando caiu de quase sete metros em outra obra e saiu andando do hospital no mesmo dia.
“Eu ouvi uma voz que era para eu descer e colocar outro pau lá embaixo. Aí eu parei e falei com Deus: ‘Deus o que que está acontecendo? Só preciso pregar este prego’. Aquando falei ‘só esse prego’, eu não vi mais nada”, relembra.
A segunda vez que renasceu foi após um infarto. “Quase morri no cateterismo. O médico falou que as minhas veias eram tortas, teve que fazer pela virilha. Fiz tudo e passei por esse processo”.
O primeiro renascimento é o que pode explicar todos os outros. A família acredita que, muito mais do que sorte, as sobrevivências do seu Valmor são resultado de muita fé, prova de um acordo que o ele teria feito com deus há mais de 30 anos, quando trabalhava como garimpeiro em Rondônia.
Lá ele ficou muito doente e estava jurado de morte por outro garimpeiro que queria tomar as conquistas dele. Naquela hora, o seu Valmor conversou com Deus.
“Eu sabia que estava uma armação para tirar a minha vida. Aí Deus colocou aquela enfermidade em mim – que eu acho que era tipo uma malária. Eu fiquei seco, com uns 40 ou 50 quilos, e fui secando. Eu joguei as minhas pernas pra fora da cama e conversei com Deus. Falei: ‘Deus, Tu sabes que tem alguma armação para tirar a minha vida. Se tem essa armação, eu faço um propósito contigo: se amanhã cedo eu levantar e tomar o café com as minhas três crianças, nunca mais coloco os pés no garimpo’”.
Mas foi esse último incidente, em 29 de julho de 2026, o mais grave de todos. Os ossos da bacia quebraram. Foi preciso fazer uma cirurgia para reconstruí-los. A descarga de energia entrou pela mão e saiu pelas costas, causando queimaduras severas que agora a equipe da Atenção Primária em Saúde do município vem tratar até sarar. Foi um instante que mudou tudo.
“Quando eu virei para entrar para dentro do meu prédio, foi aí que a energia me pegou e eu não vi mais nada. Não encostei em nada. Foi a água da chuva que veio do Sul para dentro da minha propriedade, e foi o que o eletricista falou: que a energia estava naquele ponto e, na hora que eu fui passar, ela me pegou”.
Foi a dona Terezinha Gonçalves Becker, esposa do seu Valmor, que encontrou ele caído. “Eu achei ele morto. Tentei virar ele de barriga para cima e ele não respondia. Chamei meu cunhado e ele me ajudou. Aí chegou o Samu”, relembra a dona de casa.
A irmã do seu Valmor, Maria Becker Medeiros, também descreve um milagre: “Vi o vídeo dele caindo. É um vídeo muito forte. Na mesma hora que eu me assustei, eu me acalmei, porque eu sei que ele serve o mesmo Deus que eu sirvo. Então a minha fé aumentou naquele momento”.
Nesta segunda-feira (10), 12 dias depois da queda, o seu Valmor ainda não tinha visto vídeo que impressionou a cidade e se emocionou ao ver a cena. “Está difícil acreditar, né? Isso aí é um milagre”, comemora.
Mais um susto e um aprendizado que parece ter modificado algo dentro dele. “Eu aprendi que agora, com a idade que eu estou, aprendi que é melhor pegar e fazer. Vou pegar meu dinheiro e pagar uma pessoa”.