CGN - Últimas notícias de Cascavel, Paraná e Brasil
Acesse aqui o Discover e busque as mais lidas por mês!

Alex Flemming ocupa palacete desativado há mais de 80 anos no Centro de SP com 'Apocalipse'

Publicado em

Para isso, buscou, propositalmente, um cenário em ruínas: um antigo edifício de São Paulo, projetado por Ramos de Azevedo e desativado há mais de 85 anos.

Por Agência Estado

Depois de 34 anos vivendo em Berlim (Alemanha), Alex Flemming está de volta ao Brasil. O artista, conhecido do paulistano pelos painéis com retratos da Estação Sumaré do Metrô, inaugura nesta segunda-feira, 10, “Apocalipse”, exposição que reflete sobre guerras e memória e marca sua volta definitiva ao País.

Para isso, buscou, propositalmente, um cenário em ruínas: um antigo edifício de São Paulo, projetado por Ramos de Azevedo e desativado há mais de 85 anos. O local, na rua Roberto Simonsen, chamado de Complexo Palacetes da Sé, será um novo centro multidisciplinar dedicado à cultura em pleno centro histórico. Ainda não há prazo para o início da revitalização, liderada pelo empresário Allan Ruiz e o produtor cultural Chico Lowndes, mas a exposição já antecipa a vocação do espaço como polo permanente de valorização cultural.

“A exposição é imersiva no sentido que eu privilegiei fazer num prédio absolutamente destruído de 1919 que representa o apocalipse também pela falta de memória, afinal, as pessoas nem sabiam que esse prédio era do maior arquiteto do Brasil do início do século”, conta.

“Trata-se de uma experiência radical. O público visitará a exposição dentro de um espaço que sofreu as marcas do tempo, para refletir sobre o ser humano, referência presente em todos os meus trabalhos. Também poderá meditar sobre a impermanência da luz e sobre a rapidez do declínio, em um contexto arquitetônico profundo”, afirma.

Ao todo 37, telas de grandes dimensões, com curadoria de Fábio Magalhães, ocupam o primeiro e o segundo andares do edifício. “Eu trouxe duas séries. Em Retratos Invisíveis, retratei as pessoas transparentes, sem pele, no seu dia a dia, mostrando as coisas do cotidiano que iriam acabar com o apocalipse – desde uma conversa com um amigo à prática de esporte. Na outra, vemos a destruição e a guerra de lugares famosos”, explica.

Parte dos retratos da série já foi exposta. A segunda, no entanto, está sendo apresentada pela primeira vez. Nela aparecem referências à sede da ONU, a Xangai, ao Palácio da Alvorada e à Ponte de Londres, entre outros símbolos arquitetônicos sendo destruídos – ainda que com cores fortes e desenhos precisos. “A arte tem que ser bela, tem que ser sensual, tem que nos arrebatar. Mesmo quando eu falo do fim do mundo, ele tem que ser lindo.”

A conexão vem do conceito freudiano de Eros, a pulsão de vida, e Tânatos, a pulsão de morte. E para ele, apaixonado pelo Brasil e vivendo há tanto tempo longe, a mostra é um alerta. “É um chamamento da atenção para mudarmos o curso, porque estamos indo para o buraco a passos largos – basta ler os jornais todo dia”, acredita.

A visitação acontece diariamente, das 11h às 16h porque parte dos ambientes não tem iluminação elétrica. “É a luz natural, e eu estou dialogando com o apocalipse – a hora em que a gente não vai ter nem mais luz”, explica.

Por que Alex Flemming decidiu voltar a viver no Brasil

Filho de pai alemão e mãe brasileira, Flemming cresceu viajando pelo mundo. Viveu 34 anos em Berlim antes de decidir que era hora de voltar. “Vou fazer 72 anos. Para mim, é claro que não vou viver outros 34 anos, e quero passar essa última parte da minha vida no Brasil”, diz.

Segundo o artista, a decisão também foi motivada pela vontade de participar mais ativamente da cena cultural brasileira. “O Brasil é um país incrível. Existe tolerância e solidariedade, e as pessoas sorriem. Quero dar minha contribuição direta ao Brasil por meio da arte e da cultura.”

Exposição: ‘Apocalipse’

Local: Palacetes da Sé (Rua Roberto Simonsen, 97 – Centro, São Paulo)
De 10 a 30/8
Horário: das 11h às 16h
Entrada gratuita

Veja também

Notícias Mais Acessadas Agora

Notícias Mais Lidas