Blefaroplastia lidera cirurgias estéticas e exige cuidados com a saúde dos olhos
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Por Redação CGN
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A blefaroplastia, cirurgia realizada nas pálpebras, foi o procedimento estético cirúrgico mais realizado no mundo em 2024, com 2.115.360 intervenções. O número representa crescimento de 13,4% em comparação com 2023. No Brasil, foram estimados 231.293 procedimentos, colocando a cirurgia na terceira posição entre as mais realizadas no país.
Apesar da procura pelo rejuvenescimento, os procedimentos ao redor dos olhos não devem ser avaliados apenas pelo resultado estético. As pálpebras protegem os olhos, participam do movimento de piscar e ajudam a distribuir a lágrima pela superfície ocular.
“A região dos olhos tem grande influência na expressão do rosto e costuma ser uma das primeiras a apresentar mudanças relacionadas à idade. Por isso, não podemos separar a estética da oftalmologia”, explica a médica oftalmologista Nicole Rommel Nunes, do Hospital de Olhos.
Excesso de pele, flacidez e perda de volume podem deixar a expressão com aparência cansada. Dependendo do caso, as alterações também podem interferir no funcionamento das pálpebras, o que torna necessária uma avaliação individualizada.
Busca por resultados naturais
Segundo a oftalmologista, o perfil dos pacientes que procuram procedimentos estéticos mudou. Há alguns anos, resultados mais evidentes eram solicitados com maior frequência. Atualmente, a preferência é por mudanças discretas, que preservem a identidade e as expressões do rosto.
“A pessoa quer ouvir que está bonita, descansada e com uma aparência saudável, sem que seja possível identificar exatamente o que foi feito”, observa.
Para alcançar um resultado natural, o planejamento deve considerar a anatomia do rosto, a qualidade da pele, o padrão das expressões e as características do envelhecimento de cada paciente.
“É possível combinar diferentes estratégias e manter a naturalidade. O tratamento deve respeitar as características de cada paciente”, afirma Nicole.
A avaliação também é importante para definir qual tratamento pode ser indicado. A blefaroplastia atua sobre alterações das pálpebras, enquanto a toxina botulínica e os preenchedores têm finalidades diferentes e não substituem necessariamente o procedimento cirúrgico.
Toxina botulínica começou como tratamento oftalmológico
O uso médico da toxina botulínica começou a ser desenvolvido na oftalmologia. Na década de 1970, o oftalmologista Alan Scott pesquisou uma substância injetável capaz de enfraquecer temporariamente músculos extraoculares envolvidos no estrabismo. As primeiras aplicações clínicas também incluíram espasmos na região dos olhos.
Com o avanço das pesquisas, foram observados efeitos sobre as linhas de expressão. Atualmente, a toxina botulínica é utilizada para suavizar rugas relacionadas à movimentação muscular, como as que aparecem na testa, entre as sobrancelhas e nos cantos dos olhos.
“Ela costuma ser uma porta de entrada para os tratamentos estéticos e é especialmente útil quando as linhas começam a permanecer visíveis mesmo com o rosto em repouso”, explica a médica.
A indicação, a quantidade aplicada e os pontos de injeção devem ser definidos após avaliação profissional, especialmente por se tratar de uma região próxima aos olhos e com estruturas delicadas.
Preenchimento pode causar complicações vasculares
Embora seja rara, a perda da visão está entre as complicações mais graves associadas aos preenchedores faciais. O problema pode ocorrer quando o material entra acidentalmente em um vaso sanguíneo e compromete a circulação ligada à retina ou ao nervo óptico. A Academia Americana de Oftalmologia também classifica a cegueira e a oclusão vascular facial como riscos raros, porém graves, relacionados aos preenchedores.
Segundo Nicole, o cuidado deve ser redobrado em áreas como a região entre as sobrancelhas e a ponte nasal.
“Dor intensa, alteração na coloração da pele, visão embaçada ou perda visual são sintomas que exigem atendimento imediato”, alerta.
Diante desses sinais após um preenchimento, a orientação é procurar assistência médica de urgência. Antes de qualquer procedimento ao redor dos olhos, o paciente deve receber informações claras sobre indicação, limitações, possíveis complicações e formação do profissional responsável.