Cascavel aparece à frente de São Paulo, Rio e Nova York em índice internacional de liberdade sexual
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Por Redação CGN
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Pode soar improvável, mas os números estão aí: se Cascavel entrasse hoje no Sexually Liberal City Index, o ranking internacional de liberdade sexual publicado pelo site Erobella, a cidade ficaria à frente de São Paulo, do Rio de Janeiro e até de Nova York.
O índice, que chegou este ano à sua quinta edição, compara 41 cidades do mundo a partir de dez indicadores mensuráveis: da quantidade de sex shops e bares LGBT por habitante até leis de prostituição, direitos reprodutivos e uso de contraceptivos. Amsterdã lidera com folga, com 69,4 pontos em 100, seguida por Vancouver (58,9) e Manchester (58,6). O Rio de Janeiro é a única cidade brasileira no ranking oficial, em 31º lugar, com 34,0 pontos.
Aplicando exatamente a mesma metodologia e as mesmas fontes aos dados de Cascavel, o resultado surpreende: 35,2 pontos. Na prática, isso colocaria a cidade na 29ª posição, entre Budapeste e Chicago. Acima do Rio, acima de Nova York (32,4) e acima também de São Paulo, que ficaria com 34,7 pontos no mesmo exercício.
A explicação tem duas partes. A primeira vale para qualquer cidade brasileira: a legislação nacional garante pontuação máxima em reconhecimento de gênero e em proteção contra discriminação LGBT, além de pontos pela prostituição não ser criminalizada no país. É um piso de cerca de 32 pontos que nenhuma cidade americana alcança, já que nos Estados Unidos o trabalho sexual é ilegal em praticamente todo o território.
A segunda parte é bem cascavelense. A cidade tem oito sex shops cadastradas nas plataformas usadas pelo estudo, para uma população de cerca de 330 mil habitantes. Isso dá 2,4 lojas por 100 mil moradores, densidade maior que a de São Paulo, que tem 207 endereços do tipo mas divididos por 12,3 milhões de pessoas. No quesito em que a vizinhança costuma fazer piada, o Oeste do Paraná está, oficialmente, na frente das metrópoles.
Nem tudo é ponto para a cidade. Cascavel não pontua em bares LGBT nem em eventos voltados ao público gay, categorias em que as fontes internacionais do índice simplesmente não registram estabelecimentos ou festivais locais. Quem conhece a noite cascavelense sabe que existe cena, mas ela ainda não aparece nos radares usados pelo levantamento. E o Brasil inteiro perde os dez pontos da categoria de direito ao aborto, zerada pela legislação nacional.
Vale o registro: o cálculo para Cascavel é um exercício feito com a metodologia oficial do índice, não uma entrada no ranking publicado. Ainda assim, a conta é a mesma para todo mundo, e ela diz algo que talvez a própria cidade não esperasse ouvir sobre si.
O ranking completo, com as 41 cidades oficiais, está disponível em erobella.com/creative/liberal-cities-2026/.