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Taxas de juros futuras têm 3ª queda seguida com IPCA-15 benigno e recuo do petróleo

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A alta de apenas 0,06% do indicador reforçou que a inflação doméstica está em tendência mais controlada, o que, ao lado de dados mais fracos de atividade, deve dar suporte para o Banco Central continuar cortando a Selic.

Por Agência Estado

Os juros futuros percorreram o pregão desta terça-feira, 28, em firme queda, após duas sessões seguidas de recuo, com agentes ajustando para baixo as projeções para a inflação deste ano após a surpresa com o IPCA-15. O dado, divulgado nesta terça-feira, 28, pelo IBGE, teve variação praticamente nula em julho – a menor para o mês desde 2023.

A alta de apenas 0,06% do indicador reforçou que a inflação doméstica está em tendência mais controlada, o que, ao lado de dados mais fracos de atividade, deve dar suporte para o Banco Central continuar cortando a Selic. O cenário externo, embora ainda volátil e com menor peso do que o IPCA-15, também ajudou a aliviar os prêmios desta terça, com nova rodada de desvalorização do petróleo, ainda motivada por sinais de possível negociação entre Estados Unidos e Irã.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 cedeu de 13,908% no ajuste anterior a 13,865%. O DI para janeiro de 2029 caiu a 14,25%, vindo de 14,346% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 registrou baixa de 14,585% a 14,465%.

Tanto no mercado de opções digitais de Copom quanto na precificação implícita na curva de juros futuros, a probabilidade de uma redução de 0,25 ponto porcentual da Selic em agosto estava em cerca de 90% no final da tarde desta terça. A maior mudança, porém, veio nas apostas na curva para setembro, que indicavam 40% de chance de outro corte de igual magnitude. Na segunda, esse porcentual estava em 30%, segundo cálculos de Flávio Serrano, economista-chefe do banco Bmg.

Em relatório no qual reviu a projeção para a alta do IPCA em 2026 de 5,2% para 4,9%, o economista-chefe para Brasil do Barclays, Roberto Secemski, informa prever que a Selic encerre o ano em 14%, após a redução de 0,25 ponto esperada para agosto. Embora avalie que o Comitê de Política Monetária (Copom) não deve dar qualquer orientação específica sobre as próximas reuniões, Secemski diz que “se a sequência recente de dados mais fracos persistir nas próximas semanas, o colegiado pode considerar a continuidade do ciclo de calibração além de agosto.”

Marcelo Bacelar, gestor de portfólio da Azimut Brasil Wealth Management, afirma que o IPCA-15 chancela que o mercado “comece a flertar” com continuidade do ciclo de baixa dos juros, ainda que, em sua visão, a postura mais conservadora do Federal Reserve (Fed), que decide juros na quarta-feira, possa atrapalhar a distensão da Selic. A ampla maioria do mercado espera que o Fed mantenha a taxa básica inalterada agora, mas aumente os juros em setembro. “O fluxo estrangeiro piora e, nos juros, fica mais para tomado do que para aplicado. Fica esse vento contra do estrangeiro por causa de possíveis altas dos juros lá fora”, explica.

Já Sergio Goldenstein, sócio-fundador da Eytse Estratégia, aponta que, se o Comitê de Mercado Aberto (FOMC, em inglês) elevasse os juros nesta quarta-feira, poderia pressionar o câmbio e surtir algum efeito sobre os juros domésticos, mas uma alta em setembro já está precificada e, por isso, não retiraria espaço para o BC diminuir a Selic. “A atividade está mostrando sinais cada vez mais fortes de moderação, e a inflação corrente está muito mais benigna. Os dados domésticos dão conforto para o BC, que estava em postura dependente de dados. Ele não foi ‘dove'”, disse.

Do lado da oferta, o Tesouro Nacional optou novamente por vender lotes mínimos de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B), com 150 mil títulos ofertados, dos quais 111,7 mil foram colocados. Segundo Goldenstein, a postura da autoridade fiscal foi acertada. “Faz sentido colocar lotes simbólicos, uma vez que não há demanda consistente”, afirmou.

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