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Dólar tem leve alta ante o real; com queda do petróleo e cautela antes de decisão do Fed

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Após tocar mínima a R$ 5,1097 (-0,05%) no início da tarde, o dólar à vista voltou a operar em leve alta contra o real e fechou a R$ 5,1223 (+0,20%), após máxima a R$ 5,1301 pela manhã.

Por Agência Estado

A queda de 4% do petróleo e as posições mais cautelosas dos investidores na véspera da decisão de juros do Federal Reserve (Fed) justificam a leve alta do dólar ante o real nesta terça-feira, 28. Embora a moeda americana tenha caído contra a maior parte das divisas fortes e emergentes, o fato de o Brasil ser exportador líquido de petróleo deteriora os termos de troca e pesou na divisa local.

Após tocar mínima a R$ 5,1097 (-0,05%) no início da tarde, o dólar à vista voltou a operar em leve alta contra o real e fechou a R$ 5,1223 (+0,20%), após máxima a R$ 5,1301 pela manhã. Às 17h, o contrato futuro para agosto subia 0,14% (a R$ 5,1260) enquanto o índice DXY, que mede a divisa americana contra seis pares fortes, recuava 0,11%.

“Amanhã tem decisão de juros nos EUA, e há um movimento de certa cautela. O pessoal prefere ficar mais tomado em dólar do que exposto em real, naturalmente dá uma puxadinha no câmbio”, resume o operador Fernando Cesar, da corretora AGK.

O CEO da Gravus Capital, Ricardo Trevisan, afirma que o câmbio opera em “um compasso de espera clássico numa véspera de Fed”, considerando que por mais que o cenário-base do mercado seja de manutenção dos juros americanos entre 3,5% e 3,75% ao ano, o presidente do Fed, Kevin Warsh, já tem tido um discurso mais duro contra a inflação.

Reportagem especial da Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) mostra que independentemente da decisão de quarta, uma aposta do mercado é que não será por consenso. O Bank of America (BofA) e o Citi veem sinais de que dois membros votantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, em inglês) – Beth Hammack (Fed Cleveland) e Lori Logan (Fed Dallas) – votarão pelo aumento da taxa de juros. Ainda assim, a ferramenta FedWatch, do CME Group, o mercado precificava, nesta manhã, 70% de chance de manutenção da taxa.

Para Trevisan, da Gravus, se o Fed vier como o esperado (com manutenção dos juros), o dólar tende a seguir de lado. Porém, se o Fed surpreender para o lado mais duro, seja subindo juros, seja com um discurso mais agressivo de Warsh, o movimento clássico seria de fuga para Treasuries e dólar forte no mundo.

Cesar, da AGK, afirma que a queda do petróleo continua pressionando o real. Hoje o Brent fechou a US$ 82,08 por barril, em meio a sinais de avanços diplomáticos no Oriente Médio. O Irã conversou com Arábia Saudita e Omã sobre a situação no Estreito de Ormuz.

Nesta terça investidores também repercutiram o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) desacelerando de 0,41% em junho para 0,06% em julho, abaixo do piso de 0,17% do Projeções Broadcast, o que tende a liberar espaço para mais cortes de juros.

O operador de câmbio da AGK nota que o diferencial de juros entre Brasil e EUA ainda é grande, mas paulatinamente vem diminuindo e pode diminuir o apetite a carry trade.

Já o déficit de US$ 2,230 bilhões na conta corrente em junho veio abaixo da mediana de US$ 2,30 bilhões e foi considerado, para o chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, Nicolas Gass, um fator de sustentação para o real. “A conta corrente veio melhor do que o esperado, com investimento direto tendo quase o dobro da entrada de dólares do que estava esperando”, diz.

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