Polêmica faz Globo reeditar cenas de 'Quem Ama Cuida'; entenda o motivo
Publicado em
Por Agência Estado
Uma sequência exibida em Quem Ama Cuida, novela das nove da TV Globo, acabou extrapolando a ficção e provocando uma reação no meio jurídico. A emissora precisou reeditar capítulos da trama após a AASP (Associação dos Advogados de São Paulo) contestar o uso de seu nome e de sua identidade visual em cenas envolvendo um caso de assédio sexual.
A entidade afirmou que não foi consultada nem autorizou a utilização de sua marca na produção. Diante da manifestação e do envio de uma notificação extrajudicial, a Globo promoveu alterações em capítulos já gravados e também retirou referências à associação de chamadas e conteúdos disponibilizados em suas plataformas.
No Globoplay, os capítulos disponíveis já aparecem sem o logo da entidade. Procurada pelo Estadão, a TV Globo não se pronunciou sobre o episódio até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.
A polêmica teve origem em uma sequência da novela em que o advogado Ademir, personagem interpretado por Dan Stulbach, assedia a secretária Suely (Julia Stockler) e é flagrado pela protagonista Adriana, vivida por Letícia Colin.
Durante as cenas, placas e elementos do cenário exibiam o nome e a identidade visual da AASP, dando a entender que os acontecimentos se passavam em um ambiente ligado à instituição. A associação, no entanto, afirmou que só tomou conhecimento da utilização da marca após a exibição do capítulo.
Segundo a entidade declarou em nota, a referência ocorreu sem qualquer autorização prévia e acabou vinculando sua imagem a um contexto de violência e assédio, motivo pelo qual decidiu adotar medidas para proteger sua identidade institucional.
Globo reeditou capítulos
Após a reclamação da AASP, a Globo iniciou uma força-tarefa para modificar materiais que já estavam finalizados. As alterações envolveram a retirada da identidade visual da associação das cenas que ainda serão exibidas, além da substituição da versão original do capítulo disponível no Globoplay.
A emissora também removeu do ar chamadas e vídeos promocionais que continham a marca da entidade. Com isso, os próximos desdobramentos da história envolvendo a denúncia feita por Suely contra Ademir serão exibidos sem qualquer referência a instituições reais.
O que diz a AASP?
Em nota oficial, a Associação dos Advogados de São Paulo repudiou o uso de seu nome e destacou que não participou da produção nem teve conhecimento prévio da utilização da marca.
A entidade ressaltou que as cenas foram gravadas em um cenário fictício e reforçou que o conteúdo exibido é de responsabilidade exclusiva da produtora da obra, não representando seus princípios ou sua atuação institucional.
“Fomos surpreendidos com o uso indevido de nosso nome em novela produzida pela Rede Globo. A AASP não tinha conhecimento prévio da menção à marca ou ao nome da Associação, tampouco participou ou autorizou qualquer abordagem relacionada ao contexto apresentado”, afirmou a instituição em comunicado.
A associação também informou que já adotou as providências cabíveis para preservar sua imagem e evitar que sua marca continue sendo associada aos acontecimentos retratados na novela.
Entidade tem mais de oito décadas de atuação
Fundada há 83 anos, a AASP reúne cerca de 75 mil associados e atua na defesa da advocacia, da ética profissional e do fortalecimento das instituições jurídicas.
No comunicado, a associação enfatizou que sua trajetória é pautada pela credibilidade e pelo compromisso com a administração da Justiça, razão pela qual considerou inadequada a utilização de sua identidade visual em uma narrativa envolvendo assédio sexual.
Até o momento, a TV Globo não divulgou um posicionamento público sobre o episódio. A reedição dos capítulos, porém, indica que a emissora optou por retirar todas as referências à entidade enquanto a trama segue acompanhando as consequências da denúncia feita pela personagem Suely contra o advogado Ademir.